Mesmo com intervenção do Governo dos EUA a crise econômica só cresce.
E no Brasil a Economia já sente as conseqüências.
A crise econômica mundial que vem abalando o mundo ganhou força na última semana, dando sinais que ainda vai durar por muito tempo. As Bolsas de Valores de todo o mundo sofreram queda muito sérias. Somente a bolsa de valores dos EUA e as da América Latina já somam este ano uma perda US$ 2 trilhões. E nenhum burguês se arrisca a dizer que a situação chegou ao fundo do poço. Mesmo com todo o esforço e toda a fortuna gasta pelos governos dos EUA e da União Européia para tentar acabar com a crise, a situação só piora a cada dia, em altíssima velocidade.
Em 31 de dezembro do ano passado, o valor de todas as empresas negociadas nas bolsas dos Estados Unidos e da América Latina estava em US$ 18,12 trilhões. Na última quarta-feira, 19 de março, durante a comoção dos mercados por causa da queda no preço das commodities (ações de produtos do setor primário, ou seja, do milho, da soja, da laranja e etc.), o preço havia caído para US$ 16,09 trilhões. Por ser maior e deter um número grande de companhias, a Bolsa de Nova York foi a que apresentou perda mais expressiva no valor de mercado: US$ 1,95 trilhão. Em seguida, vem o Brasil, com uma perda de US$ 91,31 bilhões; depois o México, com perda de US$ 2,81 bilhões; e a Argentina, US$ 1,26 bilhão (segundo informações do jornal "O Estado de S. Paulo").
O fim do Conto de Fadas da Imunidade da Economia brasileira
Desde o início da crise econômica, o governo Lula se esforça na tentativa de “fazer pegar” o discurso de que o Brasil está imune ou protegido contra a crise econômica mundial e seus efeitos. Lula vem criando diversos factóides para tentar provar essa tese. Entre os mais descarados está a mentira contada pelo governo de que o Brasil teria virado “credor internacional” e que a dívida externa teria sido paga, o que é uma farsa.
O que o governo de Lula fez foi apenas trocar o tipo da dívida. Se antes o Brasil devia para o FMI, agora deve o dobro para todos os outros bancos, através da venda de títulos públicos brasileiros. Esta medida, aliás, colocou o país ainda mais nas mãos do que determinam as multinacionais e os grandes especuladores. Ou seja, trocou uma coisa por outra, sem resolver nada. A equipe econômica de Lula tem substituído a dívida “externa” por dívida “interna”, em geral mobiliária, isto é, através dos títulos. É como se um trabalhador deixasse de dever ao dono do mercado da esquina, que anotava as dívidas num caderninho, e passasse a dever para o agiota do bairro.
Para piorar a situação de Lula, esse prejuízo dos mercados internacionais aconteceu logo depois do anúncio do crescimento de 5,4% do PIB do Brasil no ano de 2007. Lula tentava e pretendia usar esse fato para provar de uma vez por todas que a economia brasileira vai de vento em popa, mas, para seu azar, a crise econômica veio com tudo, e este índice se torna impossível de repetir em 2008.
Guido Mantega (Ministro da Fazenda) se viu obrigado a admitir que a crise econômica mundial é grave e que o Brasil pode sentir algumas conseqüências em decorrência dela. Essas afirmações foram confirmadas pelo COPOM (Comitê de Política Econômica), que na ata de sua última reunião informou que chegou a cogitar um aumento da taxa de juros caso a crise econômica mundial permaneça esta semana. Somado a tudo isso, como já dissemos antes, o valor das Commodities (matérias primas), que são os principais motores do crescimento das exportações brasileiras, teve uma queda muito grande na semana passada, significando um grande prejuízo para a economia brasileira e para a burguesia. Entre as empresas que mais tiveram suas ações desvalorizadas estão as poderosas Vale (antiga Vale do Rio Doce) e Petrobrás.
Miséria pouca é bobagem:
a crise econômica ainda vai se agravar, e no Brasil não vai ser diferente!
O governo Lula pode voltar a subir os juros, além de anunciar que vai impor medidas para desestimular o consumo com medo da inflação decorrente da desvalorização do dólar e do aumento do consumo do mercado interno brasileiro. Já se passaram várias reuniões do COPOM em que a taxa de juros do Brasil seguiu sem alterações, interrompendo as quedas, e na última reunião o banco Central e o governo Lula já avisaram que estão planejando voltar a aumentar o valor da taxa de juros. Mais uma vez o Governo Lula e a Burguesia pretendem fazer os trabalhadores pagarem pela crise que eles mesmos criaram, através do aumento dos juros sobre as prestações de eletrodomésticos e crediários, por exemplo.
Mas o aumento da taxa de juros não aumenta a dívida dos trabalhadores, somente. Este aumento eleva a dívida do governo, que está atrelada à taxa de juros por meio dos títulos da divida pública. O governo sabe que isso significa um prejuízo para ele próprio, mas frente à crise econômica mundial, Lula não tem saída, pois sem o dinheiro dos especuladores (que ameaçam debandar em massa por causa da crise econômica mundial), as empresas brasileiras simplesmente quebrariam. O empresariado brasileiro depende destes “investidores”, pois são eles que movimentam a compra de suas ações. Se os especuladores fugirem, a Vale do Rio Doce, a Petrobrás, os bancos, as empreiteiras, etc., perdem muito dinheiro.
Com toda a crise mundial, o governo sabe que para manter o lucro da burguesia terá que tirar ainda mais dos trabalhadores. Por isso pretende voltar aplicar as reformas neoliberais como as da previdência, sindical e trabalhista. Além de querer reduzir os impostos que cobra da Burguesia e aumentar os que cobra dos trabalhadores com a Reforma Tributária. Por isso mais do que nunca é necessário que os trabalhadores saiam às ruas e lutem para derrotar o governo Lula e pôr abaixo o congresso corrupto, que querem fazer com que os trabalhadores paguem pela crise criada pela burguesia e pelos governos capitalistas.