Publicado em 21/05/2009

Crise capitalista: o fundo do poço ainda nem chegou!

Após tomar prejuízos por um ano inteiro e amargar quedas do PIB, recessões e falências recordes e históricas, a burguesia mundial iniciou um movimento destinado a convencer a população de que o pior havia passado. Esta tentativa, porém, não se sustentou, e os números que fecharam o 1º trimestre e já o mês de abril de 2009 fizeram a mentira cair por terra.

As principais economias do mundo estão ainda pior do que se pensava e Alemanha, Espanha, Itália e Japão, para ficar só nos mais afetados, despencaram ladeira abaixo.

A partir das prévias desses dados, agora divulgados, o Fundo Monetário Internacional (FMI) já havia mudado suas projeções. O FMI prevê, agora, que a economia mundial tem chances de voltar a se recuperar lentamente a partir de 2010, mas que o desemprego continuará crescendo durante todo o ano que vem, só se estabilizando pouco antes do início de 2011.

Desemprego na lona nos EUA

O desemprego nos EUA, maior economia do mundo e centro da atual crise, deverá atingir 10% antes de começar a cair novamente, na melhor das hipóteses. Hoje, o desemprego nos EUA está, oficialmente, em 8,5% - são 13,2 milhões de desempregados em uma População Economicamente Ativa de 155 milhões. Se a projeção do porta-voz do fundo, Blanchard, estiver correta, haverá mais 2,3 milhões de demitidos até o final do ano. Só em março, as demissões nos EUA somaram 663 mil.

Estes dados, contudo, são completamente subestimados, porque excluem os milhões de imigrantes ilegais desempregados, por exemplo. Por mais que estejam irregulares, estes trabalhadores possuíam empregos, pagavam aluguel, compravam comida, eletrodomésticos e roupas. Hoje não movimento mais a economia, e pressionam para baixo o salário dos que ainda têm emprego.

Tudo está pior que o esperado

Blanchard, do FMI, disse: "As evidências históricas indicam que a recuperação desta vez será mais lenta do que o normal, o que levará a um decréscimo também lento no desemprego ao longo do tempo". Segundo as projeções do Fundo, a economia mundial deverá encolher 1,3% neste ano (a primeira retração desde a Segunda Guerra Mundial) e crescer 1,9% em 2010. Como comparação, o mundo cresceu 3,2% e 5,2%, respectivamente, em 2008 e 2007.

O chamado G3 (EUA, com contração de 2,8%; zona do euro, -4,2%; e Japão, -6,2%) puxará o mundo para baixo, enquanto China (6,5%) e Índia (4,5%), por crescerem, ainda que muito menos que antes, darão uma amenizada no impacto.

No ano que vem, prevê o Fundo, o G3 pode ter um desempenho entre zero e 0,5%, mas outras economias devem se acelerar um pouco mais. Blanchard estima que no primeiro trimestre de 2009 a economia mundial tenha se desacelerado 6%, repetindo a queda "sem precedentes" do último trimestre do ano passado, quando a crise mundial estourou com toda a sua força.

E deve piorar mais. Serão mais pobres e desempregados!

O G8, grupo dos oito países mais ricos, afirmou que o mundo está muito longe de cumprir a meta da ONU de redução do número de pessoas que sofrem com a fome até 2015 . Nos bastidores, representantes do G8 dizem que esse compromisso é inalcançável. Em vez de diminuição, pela primeira vez, rompeu-se a marca de 1 bilhão de famintos do planeta, 15% da população atual.
Em 2008, a alta dos preços dos alimentos gerou manifestações e saques a armazéns e supermercados em 30 países

Da mesma forma, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) prevê aumento de 50 milhões de desempregados em 2009, segundo documento apresentado em Roma (Itália), durante reunião dos ministros de Trabalho do G8. Para a OIT, existe um risco de recessão prolongada no mercado do trabalho por causa da crise e poderá se prolongar durante quatro ou cinco anos depois da recuperação econômica.

Esses dados, e a admissão envergonhada dos próprios organismos imperialistas de que a crise ainda está muito longe de se esgotar, servem para entendermos que é preciso acelerar e aprofundar a resistência dos trabalhadores, com manifestações cada vez mais radicais e contra o conjunto dos governos e do capitalismo.

O capitalismo não tem mais nada a nos oferecer e toda luta deve servir para fortalecer o caminho da revolução socialista. Só assim vamos poder derrotar a crise e impedir que o capitalismo siga multiplicando a fome e a miséria.

 

VOLTAR

 
Notícias Relacionadas

• A crise se amplia: França entra oficialmente em recessão e Alemanha sofre maior queda na economia desde 1970.

•Ahmadinejad é o inimigo nº 1 do mundo? Quais o motivos da campanha dos EUA, de Israel e dos sionistas contra o presidente iraniano e qual a posição dos revolucionários sobre o Irã?

• Obama realiza maior matança no Afeganistão desde 2001

• Volkswagen e Porsche; Fiat e Chrysler; Renault e GM: Crise estimula fusões na indústria automobilística.

• GM está próxima de pedir concordata! Obama exige que empresa se divida em duas: Uma falida, com as dívidas trabalhistas e financeiras, e outra com o lucro e o patrimônio da GM

• O leste europeu 20 anos depois da queda do muro: Geração pós-queda do muro de Berlim diz não ao capitalismo no Leste Europeu

• Crise põe PIB mundial em queda livre: Pela 1ª vez, economia mundial deve ter recessão anual