Crise não dá trégua. PIB dos países ricos segue em baixa
Foram divulgados os índices de crescimento do PIB relativos à Europa, referente ao 2o trimestre de 2009. A imprensa mundial traduziu estes números por manchetes otimistas, tais como "França e Alemanha saem da recessão". Na verdade, interrompendo 3 e 4 trimestres recessivos, em que o PIB sucessivamente caía, estes dois países imperialistas obtiveram crescimentos, ambos de 0,3%.
Matematicamente, estes números pífios já falam por si mesmos. Percentuais na casa do zero, mal repõem o crescimento populacional e não conseguem sequer manter o valor real da economia, devido à inflação. Portanto, independente das circunstâncias, estes dados já expressariam a continuidade de uma situação recessiva nestes países. Qualquer país que cresça a estas taxas representa que sua economia está sem obter novos consumidores, sem produzir nada a mais e sem conceder mais crédito.
Estes resultados, inevitavelmente, acarretam redução de lucros, desemprego e queda da arrecadação real do governo. Pelos cálculos mais completos sobre avaliação econômica, que não simplificam a economia apenas pelo dado de se o PIB caiu trimestres consecutivos, Alemanha, França e toda Europa e EUA seguem na recessão.
Porém, nas atuais circunstâncias, em que estes países tiveram suas economias arruinadas no último ano, crescer 0,3% em relação a uma base completamente diminuída é um desastre. A verdade é que tanto Alemanha como França estão demorando mais tempo para sair da crise econômica do que previam, e a divulgação do PIB do 2º trimestre continua esta tendência, ao contrário de a interromper.
Comparando o 2o trimestre de 2009 com o de 2008, o que é mais realista quanto à involução produtiva, estas economias seguem negativas.
Mas este cenário é o dos "melhores países" europeus. Na Inglaterra, ao contrário, embora os resultados sejam quase os mesmos, e apresente o mesmo conteúdo da crise, a casa dos décimos de por cento está do lado negativo: -0,8% no 2º trimestre. Neste caso, foi mais um trimestre oficialmente recessivo.
O mesmo aconteceu no conjunto da zona do euro, que caiu 0,3%. Nos Estados Unidos, a prévia do PIB indica nova queda seguida, mantendo a recessão no terreno oficial e real, com um endividamento recorde do país e deterioração do poder de compra dos trabalhadores.
Este debate é importante não pelos décimos de por cento envolvidos, mas pela confirmação de que a crise está se prolongando além do que os teóricos burgueses imaginavam, e deve se manter neste "fundo do poço" até o final do ano, levando um bom tempo ainda para se recuperar.
Quando saímos do aspecto meramente financeiro, constatamos que o desemprego dos EUA já atingiu 6,241 milhões de trabalhadores em apenas 7 meses do ano. Somente na 2ª semana de agosto, foram mais 576.000 novos pedidos de seguro-desemprego, 2,7% a mais do que na semana anterior!
A taxa de desemprego oficial do país, que leva também em conta os desempregados não indenizados pelo seguro-desemprego, mas que não contabiliza os imigrantes ilegais, chegou a 9,4% no fim de julho, num recorde para os últimos anos.
Nesta situação, dizer que a crise passou chega a ser uma loucura. Infelizmente, ou os trabalhadores fazem os ricos pagar pela crise, ou ainda há muitas pedras e tempo de dureza pelos próximos anos no caminho dos trabalhadores.
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