Publicado em 21/04/2009

Cuba e EUA: da rejeição das migalhas ao pedido “de quero mais”.
Durante Cúpula das Américas R. Castro diz a Obama que quer ampliar relações comercias entre seus países

Governos de EUA e Cuba:
juntos para entregarem a ilha aos imperialistas

Às vésperas da 5ª Cúpula das Américas, o atual presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, apresentou medidas de mudança nas relações com Cuba.

            O embargo comercial ao país está mantido, inclusive sendo defendido por Obama, mas não há dúvida que foi flexibilizado, ainda que parcialmente.

            As medidas centram-se em três aspectos: não há mais restrições na freqüência de viagens a Cuba e na sua duração; qualquer cubano pode receber remessa de dinheiro vinda dos EUA, desde que não seja funcionário do regime; empresas norte-americanas já podem participar de licenciamentos em Cuba.

            Antes de pensarmos que se trata de uma ação despretensiosa, por pura boa vontade e sensibilidade, temos que considerar a atual realidade mundial, principalmente a norte-americana.

            Num contexto de crise, com quedas no consumo e na produção, demissões em massa, falência de grandes empresas, o mercado cubano é uma alternativa a ser explorada.

            O país, que sofre com o embargo desde 1962, é uma chance para as multinacionais lucrarem um pouco mais. Evidentemente que Cuba não possui um potencial de consumo grande como a China e o Brasil, por exemplo, mas, diante do caos em que o capitalismo se encontra, já é alguma coisa.

            Ou seja, Obama acaba de anunciar uma medida que aparentemente significa um avanço em termos de liberdade, democracia e no direito de ir e vir, mas que na verdade significa uma maior facilidade para as grandes empresas norte-americanas explorarem a mão-de-obra e os recursos cubanos.

Da rejeição das migalhas ao pedido “de quero mais”

Fidel Castro, liderança histórica cubana, manifestou-se em relação às medidas de Obama dizendo que Cuba não aceitaria e que não queria migalhas dos imperialistas. Mas a prática mostrou-se diferente. Seu irmão e atual dirigente do país, Raúl Castro, manifestou-se favorável e agradecido pela “boa ação” dos americanos. Dessa forma, o governo cubano se iguala a Hugo Chavez, Evo Morales e outros que criticam o imperialismo no discurso, mas fazem de tudo para manter os acordos com as multinacionais e os capitalistas em geral.

De ex-Estado Operário, com emprego, saúde e educação de qualidade para todos, Cuba se aproxima cada vez mais de um país capitalista semi-colonial, cujo governo entrega sua economia para os grandes monopólios em detrimento das conquistas da revolução. Mais do que nunca a necessidade da luta dos trabalhadores contra o governo cubano e sua política de submissão ao imperialismo se coloca na ordem do dia em Cuba, para evitar que o PC cubano termine de entregar a ilha e ex-estado operário nas mãos do imperialismo norte-americano e europeu.

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