Quem mudou? Cuba ou a OEA? Ingresso no "covil de bandidos' é mais um passo para imperialismo entrar definitivamente em Cuba
Foi aprovado, na última assembléia da OEA, depois de décadas de exclusão, a revogação da suspensão do organismo imposta a Cuba em 1962. Com isso, Cuba passará a ter direito a participar dos próximos encontros da OEA, a depender de acertos quanto à implementação desta autorização.
A OEA (Organização dos Estados Americanos), foi criada em 1948, com o propósito de ser um organismo regional da ONU (Organização das Nações Unidas), e parte da reestruturação dos organismos multinacionais decorrente do fim da 2a Guerra Mundial e da supremacia mundial dos Estados Unidos. Desde o início, a OEA só é mais um instrumento do imperialismo americano, que usa essas reuniões para impor de maneira mais "legítima" sua política aos demais países das Américas.
Uma das provas que a OEA é comandada pelo EUA, é justamente o caso de Cuba, único país das três Américas que não poderia participar da organização. Esta imposição foi determinada em 1962, três anos após a revolução cubana, depois do fracasso de mais uma tentativa de invasão da ilha, patrocinada pelos EUA de Kennedy e batizada de invasão da Baía dos Porcos, um ano antes. Em 62, Cuba estava no auge de seu conflito com os EUA, no centro da famosa "crise dos mísseis", em que os Estados Unidos ameaçavam eliminar Cuba do mapa, com o lançamento da bomba atômica.
Cuba: do orgulho à humilhação e rendição
Nestes anos do início do Estado operário em Cuba, o caráter socialista da revolução de 59, e a aproximação com a ex-União Soviética levaram os EUA a cassar o direito de Cuba participar da OEA..
Mas o que fazia Cuba diante das ameaças e dos ataques reais que sofria? Che Guevara, na época ainda em Cuba, antes de entrar em choque com a política burocrática de Fidel, dava declarações de que Cuba, se fosse preciso, poderia se "imolar nacionalmente". Traduzindo: que, se fosse para defender os trabalhadores, não recuaria e enfrentariam o terror nuclear sem recuar. Quanto à OEA e à ONU, Che as chamava de "covil de bandidos" e não tinha por objetivo ser um membro comportado destas entidades imperialistas e sim sua combatente.
Então, depois de 47 anos, por que Cuba novamente poderá entrar na OEA? Quem mudou neste meio século e quem ganha com essa reconciliação? Com certeza, foi Cuba quem mudou e é o imperialismo quem sai ganhando.
O alarde feito pela impressa internacional e pelo governo de Barack Obama, de que esse só mais um passo na democratização de Cuba e reaproximação dos 2 países deixa\claro o objetivo do fim do veto. Obama diz que ele é a mudança, e, ao contráario de Bush, precisa da cooptação e das instituições burguesas ´com aparência democrática para impor sua dominação. Esta realidade é produto da crise econômica e da reação das massas em luta.
Neste contexto, os EUA não podem se dar ao luxo de abrir mão de lucrar com os consumidores cubanos e sua mão de obra quase gratuita. Por isso, Obama está distencionando as relações. A aprovação do retorno de Cuba à OEA não ocorre com nenhuma modificação neste organismo, que permanece o mesmo. No entanto, Cuba não recisou nem ingressar no covil de bandidos para já felicitar a decisão e abrir ainda mais a guarda para os inimigos, que antes denunciava. É um bom negócio para o imperialismo fazer uma reintegração total de Cuba não só à economia capitalista, mas a suas instituições burguesas.
Essa nova relação de Cuba com os EUA não é uma novidade. Há muito tempo, ainda pelas mãos de Fidel, Cuba está reintegrada ao modo de produção capitalista. As conquistas da revolução de 59 estão sendo abandonadas, e Raul Castro está acelerando ainda mais este processo. Este é um fim muito triste para uma revolução heroica e exemplar da luta popular e revolucionária. Mas não é surpreendente diante do caráter da burocracia castrista.
Fidel sempre teve bem claro que sua estratégia não era a expansão do socialismo, e sim tirar Fulgêncio Batista do poder, ou seja apenas uma mudança de regime. Acabou sendo obrigado a ir além, e de fato realizar medidas socialistas, por pressão do povo cubano, mas, depois de se firmar no poder, foi desmontando de forma gradual todas as conquistas da Revolução Cubana.
Por isso hoje, na prática, o que Obama e a OEA estão fazendo énão é nehuma concessão, e sim mais um ataque, oficializando o que concretamente já existe em cuba: o capitalismo.
É fundamental denunciar e rechaçar a postura de Obama, que tenta manter a aparência de um governo que pensa nos trabalhadores, mas que no fundo o que quer é ter maior poder de intervenção na economia cubana. Mas, neste caso, mais ainda é necessário denunciar a política levada a cabo pelos Castro, de traição ao passado da revolução e de entreguismo total ao imperialismo, seus governos e organismos fascistóides, em que já se dispuseram a "negociar tudo", ou seja, entragar tudo!
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