Cúpula das Américas sem EUA e Canadá: presidentes fingem críticas ao imperialismo
Nos dias 23 e 24 de fevereiro em Cancun, México, ocorreu a reunião da Cúpula do Rio – que reúne 19 países da América Latina e países caribenhos-, para discussão sobre a organização de um novo bloco entre os países da América, excluindo os dois países ricos, Estados Unidos e Canadá.
O encontro contou com a presença de representantes de 33 países. Mas, mesmo tendo diversos pontos em comum entre todos os presentes, existiu um debate entre o bloco dos ditos de esquerda, principalmente Hugo Chávez (Venezuela) e Rafael Corrêa (Equador), contra o bloco da direita representado por Álvaro Uribe, presidente da Colômbia.
Apesar das supostas polêmicas, porém, o encontro foi bem sucedido no sentido de tirar seu encaminhamento principal – a formação da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos, sendo uma alternativa à OEA (Organização dos Estados Americanos). Um dos pontos dessa suposta necessidade desse novo fórum surge devido ao fato que a OEA, assim como o governo norte-americano, já reconhece o presidente recém eleito de Honduras, o golpista Porfírio Lobo.
A organização da Cúpula do Rio fez questão de que ele não participasse do evento, pelo não reconhecimento de seu governo, e pelo apoio a Zelaya.
Uma versão internacional do que cada um faz em seu país
A nova cúpula surge com a desculpa de melhorar as relações políticas e econômicas entre os países pobres da América, e principalmente sem a interferência direta dos Estados Unidos. Porém, isso não passa de mais uma jogada de marketing, vinda de uma necessidade cada vez maior dos países latinos demonstrarem para suas populações um desprendimento dos países imperialistas, simulando uma maior soberania nacional.
Isso está longe da realidade interna de cada um desses países, que mantém seus vínculos cerrados com os EUA, e quem mais pagar bem. Tanto que um dos entusiastas dessa nova cúpula é Álvaro Uribe, o presidente que permitiu que o governo norte-americano construísse bases militares em território colombiano, tendo uma localização geográfica estratégica, próximo aos outros países latinos. Isso prova que a nova organização não tem nada de progressista.
Cada um desses governos tem que fazer diversos acordos com o imperialismo, tanto econômicos como políticos, pois são incapazes de romper com as multinacionais presentes em seus países, e com a sua própria burguesia nacional, sócia menor ou gerente dos negócios imperialistas.
Por isso, esses governos, seja de esquerda ou direita, seguem religiosamente o pagamento da dívida externa com todos os credores internacionais e mantêm relações comerciais subalternas com os Estados Unidos, vendendo matérias-primas a preços mínimos e comprando produtos industrializados com alto custo.
Tudo continuará igual e o imperialismo ditará as regras
Lula, Chávez, Kirchner, Evo; todos eles podem fingir se enfrentar com o imperialismo, mas nenhum deles promove nenhuma medida que afronte verdadeiramente os países ricos.
A experiência cubana demonstra isso. Assim que Fidel Castro assumiu o poder, e depois expropriou a burguesia, uma das primeiras medidas dos EUA, visto que não retomaria o poder da região tão facilmente, foi instaurar um embargo econômico ao país e expulsá-lo da OEA. Esta é a reação do imperialismo diante de um governo relamente produto de uma mudança que o ameace: a ruptura e o confronto.
Com os países "rebeldes" de hoje, no entanto, nada é feito, e os EUA acham graça de tanto discurso furado sem que seus lucros sejam sequer reduzidos.
Essa nova cúpula está sendo discutida com presidentes totalmente pró-imperialistas, como Felipe Calderón (México) e Uribe, aliados diretos dos EUA. Como não representam ameaça alguma para os interesses dos ricos, a cúpula existirá sem nenhum risco, mas sem mudar coisa alguma.
Vários governos que estão no poder hoje em dia foram eleitos com o discurso da mudança. Lula e até mesmo Obama são expresões disso, e chegou-se ao ponto de que um governo burguês diga estar construindo um país socialista, como é o caso de Hugo Chávez.
Mas o que existe, na realidade, é a manutenção do velho e decadente capitalismo, apenas com aparência de novidade. Mais uma cúpula surge, para deixar tudo como está.
VOLTAR |