Europa debate castração química como “cura” para a pedofilia
As últimas eleições presidenciais portuguesas chamaram a atenção para um problema cada vez mais presente em nossa sociedade: a pedofilia.
O pequeno partido MMS levantou a bandeira da castração química para pedófilos. Baseado num índice de reincidência de 20% dos agressores sexuais após o cumprimento da pena, o partido não se elegeu, mas levantou o debate.
A Polônia foi o primeiro país europeu a aprovar a castração química. A França está discutindo a medida e quer aprovar algo semelhante até o fim desse ano.
Mas, o que seria exatamente isso?
A castração química, em si, e de modo mais profundo
A castração química consiste num tratamento, a base de injeções ou comprimidos de hormônio feminino, que inibe a potência sexual do agressor. Entretanto, a impotência só se mantem durante o tratamento.
Argumentos contrários ao método não faltam, inclusive questionando sua eficácia. “Mais frustrado por não conseguir ter relações sexuais, pode até ser mais violento e procurar as mesmas vítimas e violentá-las com objetos ou qualquer outro processo”, declarou o psicólogo português Rui Abrunhosa. O também psicólogo Armando Coutinho-Pereira ainda complementou, observando que “o problema dos pedófilos é do pescoço para cima”.
Há algumas considerações necessárias de serem feitas nesse debate.
Primeiramente, concordando que a pedofilia se trata de um problema mental (“do pescoço para cima”), a taxa de reincidência é plenamente justificável. O agressor sexual -alguém que se excita diante do medo, da rejeição e da reação de sua vítima- precisa de tratamento médico especial. É alguém que desenvolve um tipo de desejo doentio em uma sociedade doente, que trata o sexo e a sexualidade como um tabu.
O pedófilo, porém, não é um agressor sexual comum. Seu caso é ainda mais complexo, pois sua excitação é direcionada a crianças: não nos referimos a pré-adolescentes entrando na puberdade, e sim crianças, até mesmo bebês. O que chama ainda mais a atenção, pois crianças, além de não terem seus órgãos sexuais plenamente desenvolvidos, tem um corpo infantil ainda distante das características sexuais femininas ou masculinas.
Logo, o tratamento para o agressor sexual, pedófilo ou não, não passa pelo enclausuramento (forma tradicional de nossa sociedade lidar com seus “criminosos”), e sim pelo tratamento médico, com remédios, terapia... Evidentemente que, justamente considerando a origem desse tipo de distúrbio, é improvável que a mesma sociedade que produz a doença, tenha também a capacidade de curá-la.
O segundo ponto a ser destacado é a castração química, em si.
Não acreditamos que ela seja a solução para o problema, e nem que possa minimizá-lo. Ao não inibir o desejo sexual, não inibe a agressão desde o seu princípio. Inclusive levando em conta que “mais frustrado por não conseguir ter relações sexuais, (o pedófilo) pode até ser mais violento”, entendemos que essa não seja a saída e somos contra sua implementação.
A única forma, possível, e coerente, de nos livrarmos da pedofilia e dos crimes sexuais como um todo é construindo uma sociedade que encare o sexo de outro modo. Um sexo que não é pecado, que não é sujo, não deve ser feito apenas após o casamento -para citar apenas algumas questões-. Uma sociedade que viva sua sexualidade de modo livre e saudável, esclarecendo suas dúvidas, satisfazendo suas vontades, libertando-se de seus preconceitos.
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