Publicado em 17/05/2009

Déficit no orçamento dos EUA a US$ 1,84 trilhão em 2009

No mês de fevereiro o governo de Barack Obama havia anunciado a estimativa do rombo causado pela crise econômica mundial. Três meses atrás se especulava que os EUA arrecadariam a menos de US$30 bi a US$50 bi neste e no próximo ano. Agora já assumem que nem isso alcançará sua economia. Como conseqüência disso, a Casa Branca teve que aumentar em US$89 bilhões sua previsão de déficit orçamentário. Os US$1,84 trilhão de prejuízo que terão representa 12,9% do PIB do país.

Os economistas burgueses sempre consideram que os déficits anuais nos países não podem ultrapassar a marca de 3% do PIB, numa situação administrável. Para se ter uma ideia do beco sem saída em que está a economia capitalista, o próprio governo dos EUA admite que só conseguirá esse índice em 2013, o que faz contrariando diversos economistas que o taxam de otimistas em excesso. Quer dizer, assegurar, como faz Obama, que em 5 anos a crise estará um pouco melhor, é o lado otimista das precisões!

Obama pelo menos é mais “sincero” que Lula, ao dizer que a crise durará ainda muitos anos, ao contrário do presidente brasileiro, que chega a ser desrespeitoso de tanto que desdenha e mente acerca da crise, que está na cara de todo mundo e só ele não admite. Mas esta “sinceridade” de Obama nada é mais é que o reconhecimento inevitável de que as coisas estão caindo aos pedaços nos Estados Unidos. Obama não pode negar essa sensação, não apenas porque ela é real, mas porque ele foi eleito justamente para combater esta situação. O papel dele é apenas tentar, mais uma vez, posar de bom moço, e de jogar a culpa em seu antecessor, George W. Bush.

Para compreendermos a dimensão da crise que afeta os EUA, é bom recordar que esse é o maior déficit do país em 60 anos, e equipara-se às perdas causadas pela II Guerra Mundial, quando a Europa foi arrasada. Esses números vêm à tona justamente em um momento em que Obama envia mais tropas para o Afeganistão, provando que tem a mesma política externa que George W. Bush; gastando rios de dinheiro na tentativa de dominar outras regiões, enquanto seus pobres seguem cada vez numerosos.

As únicas diferenças entre os dois é que, com Bush, era o Iraque; com Obama é o Afeganistão. Além disso, Obama, por consequência da crise, tem menos poder financeiro de manter uma guerra como essa, somado também à desmoralização política das tropas dos EUA.

Mas o mais grave para os EUA neste momento são, realmente, os números financeiros, que são muito maiores do que alguns anos ou décadas de perdas trilionárias: são o enfraquecimento da maior potência capitalista, que vê sua economia em frangalhos.

As soluções estão se esgotando

Só existe uma saída para o capitalismo superar esta crise: é atacando ainda mais os trabalhadores no mundo todo. Obama sabe muito bem disso, e vem cumprindo muito bem seu papel de salvar banqueiros e grandes empresários às custas do aumento da exploração sobre a classe trabalhadora. Por isso, a mais recente medida de Obama é planejar o corte de até US$ 2 trilhões da saúde e gastos públicos nos próximos anos, numa clara opção de jogar sobre os trabalhadores os custos da crise. Obama tenta disfarçar sua ação, falando que está melhorando a gestão. O mesmo discurso neoliberal de Menem e FHC, por exemplo, que destruíram os serviços públicos, sempre dizendo que os estavam modernizando.

Contra as alternativas dos governos e dos patrões, é necessário lutar contra as demissões, retirada de direitos, e pela desocupação imediata do Iraque e Afeganistão. E temos que apontar como a mais imediata medida, de todas as reivindicações, a expropriação das grandes indústrias, passando-as para o controle dos trabalhadores. Sem enfrentar e tomar o controle da produção em suas mãos, os trabalhadores vão seguir assistindo o assalto de suas contas para salvar os trilionários que geraram a crise.

Essa resposta não virá nem de Obama, nem de Lula no Brasil, ou de qualquer alternativa eleitoral ou por dentro do regime. Só pode ser fruto da organização e luta da classe trabalhadora, pelo socialismo e a revolução, no mesmo processo de construção de uma forte organização revolucionária, que levante este programa.

 

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