Condenada à morte por ser mulher. Machismo mata jovem no Irã!
A condenação e execução da pena de morte da iraniana Delana Darabi mostrou o estado absurdo a que são submetidas as mulheres no Irã e muitos países pelo mundo todo. O caso, apesar de ter trazido bastante repercussão internacional e indignação da população que soube do assunto, não é nem raro, nem uma surpresa.
Delara Darabi, de 23 anos, morta pelo Estado teocrático do Irã, foi presa no ano de 2005 quando era menor de idade, e tinha apenas 17 anos, acusada de ter matado com uma punhalada a prima de 58 anos. Respondeu, também, por furto na casa da prima morta, e por manter relacionamento sexual com o namorado Amir Hossain, de 19 anos. Só essa lista de "crimes" já mostra o código penal doentio e de traços medievais que persiste no Irã, em que assassinato e não virgindade são delitos igualmente passíveis de punição.
Neste país, como em quase todos onde existe a sharia, ou seja a Lei Islâmica, que submete a população a fundamentos religiosos, no caso no Al Corão, saltam aos olhos medidas retrógrados até mesmo para o sistema capitalista, como exemplo o de que sexo só pode acontecer com o casamento, e a adúltera recebe pena capital.
No caso específico de Delara, não foi por isso, diretamente que ela foi condenada à morte. Pelo furto e intimidade com o namorado, cumpriu pena de 3 anos de cadeia. No entanto, foi humilhada em público com 50 chicotadas pelo furto e mais 20 pelas relações amorosas com o namorado. Mas, mesmo que não tenha sido a relação sexual que a condenou à morte, esse fato certamente ajudou a fúria da justiça religiosa em punir a menina, sem respeitar seu direito à defesa nem sua idade reduzida.
Delara, em um de seus depoimentos, afirmou que confessou o assassinato, quando estava presa, para "salvar" o namorado da pena de morte. Frisou que imaginava, pelos seus 17 anos, que não seria condenada à morte. Errou nos cálculos, pois a responsabilidade criminal no Estado teocrático do Irã começa aos 15 anos de idade para homens e 9 anos para as mulheres, numa clara discriminação. Depois dessa confissão falsa, porém, a Justiça iraniana não deu mais qualquer oportunidade de reversão da pena, ignorando as evidências e falhas processuais.
Além do barbarismo da pena de morte, que também existe com força na China e Estados Unidos, como os três maiores países assassinos do mundo, a pena imposta a Delara é produto evidente da repressão sexual e desrespeito com as mulheres e crianças em geral, numa expressão criminosa de machismo.
O governo iraniano se viu obrigado a adiar o ato de atrocidade contra a vida da acusada depois de protestos internacionais que denunciavam principalmente 2 itens particularmente escandalosos, mesmo para a moral burguesa e assassina da justiça internacional, que faz vistas grossas à pena de morte nos EUA, por exemplo. Estes "excessos" denunciados foram o fato da acusada ser menor quando ocorreram os supostos crimes, e porque seu advogado não pôde recorrer nem ter liberdade de ação, muito menos soube que ela seria executada no dia em que isso foi feito. A fraude da acusação foi tanta que, para os peritos no caso, o golpe de punhal foi desferido por uma pessoa destra. Darabi é canhota. No fim das contas, porém, nada adiantou, e a menina foi assassinada.
No sistema capitalista, nenhum país, Estado e governo tem o direito de decidir sobre a existência de um ser humano ou de aplicar pena de morte sobre qualquer tipo de atitude que possa ser considerada criminosa, pois é a própria sociedade de classes, com pobreza, violência e degradação humana que gera os crimes e vitima as pessoas.
Além disso, a Justiça no capitalismo é comandada pelos ricos e corruptos que exploram a classe trabalhadora de tal forma que suas leis e a aplicação delas são sempre contra os pobres, negros, mulheres e explorados em geral. A aplicação de pena de morte sobre a vida de uma pessoa é mais um recurso que a burguesia se utiliza para dominar os trabalhadores, e por isso devemos ser extremamente contra a estes métodos fascistas de execução e lutar para derrotar este sistema que nos reprime explora e mata.
Somente através de uma Justiça que seja criada pela classe trabalhadora, os crimes poderão ser julgados de forma justa, através de leis e valores dos próprios trabalhadores. Mas para isso ser colocado na prática, o primeiro passo, e o mais importante, agora, é a organização e luta do proletariado para derrotar este sistema. A luta por justiça, no sentido legal e institucional, passa antes pela luta por justiça social, ou seja, contra as próprias instituições e para derrubar o capitalismo!
VOLTAR |