Que comunismo é esse?
Cuba planeja demissão de 500 mil funcionários públicos!
Programadas para começarem no próximo mês e com previsão de conclusão para março de 2011, as demissões de funcionários, programadas pelos irmãos Castro, equivalem a 12,5% da mão de obra do país! Os demitidos seriam inseridos na iniciativa privada.
Para criar essas vagas na iniciativa privada, porém, o governo pretende investir em “arrendamento, usufruto de terras, cooperativas e trabalho por conta própria”, assim como facilitar a concessão de licenças para pequenos negócios. Ou seja, a privatização vai ganhar fermento e se multiplicar mais ainda.
As demissões vinham sendo estudadas por Raúl Castro há um bom tempo, visto que a ilha possui uma força de trabalho de pouco mais de 5 milhões de pessoas, das quais 4,2 milhões são funcionárias públicas, direta ou indiretamente.
Segundo a Central de Trabalhadores de Cuba (CTG), a medida faz parte da “atualização do modelo econômico”. Seria necessário, ainda, cortar meio milhão de trabalhadores “excedentes”, que ficariam para uma segunda etapa da “modernização”.
Um caminho já traçado
Pouco após 1959, quando Che e Fidel lideraram a Revolução Cubana e a derrubada do regime ditatorial e pró-imperialista de Fulgêncio Batista, o caminho da ilha foi traçado. Che foi derrotado, e a linha de Fidel (idêntica à de Stálin para a URSS) foi a vitoriosa: o socialismo num só país!
A falência desse modelo, internacionalmente, já havia sido provada em 1989, quando da queda do Muro de Berlim e reconhecimento da restauração capitalista no Leste Europeu. A História provou que qualquer modo de produção só pode suplantar o capitalismo se colocar-se internacionalmente, assim como o capitalismo colocou-se.
O capitalismo derrubou todas as fronteiras e passou por cima de diferenças culturais para garantir a super-exploração, a maximização do lucro e da produtividade, estabelecendo-se das mais diversas formas em cada localidade mas, ainda assim, com a mesma essência.
O “socialismo” cubano, “enclausurado” numa ilha minúscula e com parcas condições de desenvolvimento, cometeu o principal equívoco de isolar-se e desistir da revolução socialista mundial. Somado ao bloqueio econômico imposto pelos EUA, e acatado por praticamente todos os países do mundo, a situação só se agravou.
Além de um “erro”, a opção do isolamento foi resultado da concepção burocrática de Fidel e do setor que assumiu o controle do Estado cubano. Para esta posição, qualquer iniciativa de expandir a revolução significaria colocar em risco seus privilégios, e transformar a vida agora pacata que levavam numa nova fase de lutas e conflito.
As demissões anunciadas agora apenas somam-se a outras medidas que há muito vinham sendo tomadas, e que transformaram Cuba, novamente, num paraíso para ricos estrangeiros. Infelizmente, há muitos anos Cuba já é capitalista: suas empresas de turismo, telefonia, saneamento e inclusive parte importante das empresas e terras já são privadas ou em sociedade com empresários. A prostituição voltou com força, e os cubanos vivem precariamente, das “sobras” dos turistas, assistindo seus benefícios sociais desmoronarem.
Entretanto, tamanhas foram as conquistas da revolução que, apesar de todas as dificuldades, os índices de mortalidade infantil e analfabetismo, por exemplo, ainda eram os menores da América Latina. Estes dados ainda são “resíduos” dos tempos de estado operário, mesmo que fosse burocrático. Mas o tempo está apagando tudo isso.
Tomando o caminho da “modernização”, que na linguagem capitalista significa submissão ao imperialismo, a tendência é que Cuba perca, por completo, os resquícios de suas conquistas.
Somos contra a demissão desses trabalhadores e defendemos sua imediata mobilização contra o governo de Castro e pela retomada das conquistas da revolução!
Os trabalhadores de Cuba têm um desafio pela frente, não menos difícil que o dos outros do mundo inteiro: tomar o poder. Para isso, é preciso construir uma nova direção revolucionária no país e colocar na ordem do dia a derrota do governo dos irmãos Castro, e a expropriação sem indenização e sob controle dos trabalhadores das empresas, fábricas, terras e serviços privatizados pelo governo burguês que hoje governa o país.
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