Publicado em 07/09/2009

Após cinco décadas de hegemonia, Partido Liberal-Democrata é derrotado no Japão

Após 54 anos de hegemonia no parlamento japonês, o Partido Liberal-Democrata foi derrotado nas eleições nacionais.

            O processo eleitoral, ocorrido no domingo, 30 de agosto, deu a vitória ao agora primeiro-ministro Yukio Hatoyama (do Partido Democrático). O PD, além de ter o primeiro-ministro, tem também a grande maioria na Câmara Baixa.

            O resultado é impressionante, pois desde a sua fundação, em 1955, pela primeira vez o PLD estará em minoria nas duas câmaras do Parlamento. O partido obteve um terço da representação que tinha (100 deputados agora, 303 na eleição anterior).

            Hatoyama foi eleito com o discurso da “mudança de regime”, em que governem os políticos e não os burocratas. Uma frase que não diz muita coisa, mas que expressa a tentativa de ser o diferente, que conquiste a população por ser contra não apenas governo atual, como o regime no qual ele se sustenta. Hatoyama chegou a discursar a favor de uma maior autonomia do Japão diante dos EUA, que controlam politicamente o país desde o fim da 2a Guerra Mundial. Ele também prometeu governar para os pobres e salvar o país do desemprego, num claro intento de parecer de "esquerda" contra o desastre neoliberal do atual governo.

            Nesse momento eleitoral, o Japão vive a maior taxa de desemprego desde a II Guerra Mundial: 5,7%, o que significa mais 1,03 milhão de desempregados em relação ao ano anterior. Há ainda outros índices preocupantes: deflação recorde de 2,2% e contração do consumo familiar de 2%.

            Isso seriam apenas dados, não fosse a nossa necessidade -e dever- de interpretá-los.

            Num momento em que o imperialismo encontra-se em crise, valendo-se de todos os subterfúgios possíveis para manter-se em pé, os governos aparentemente “de esquerda” são a sua grande aposta.

            Na América Latina, são os chamados governos de Frente Popular que, ainda que sejam governos burgueses, tentam dar à classe trabalhadora a imagem de serem seus através de pequenas medidas de concessão.

            O governo de Hatoyama, ainda que não seja um governo de Frente Popular, ao propagar o objetivo da “mudança de regime”, tenta diferenciar-se de seu antecessor, o conservador e tradicional PLD. Aproveita-se do desgaste desse partido e dos burocratas (parasitas do Estado e dos cofres públicos) para mostrar-se como uma alternativa diferente para promover a mudança e a transformação, que um país em crise necessita.

            O Japão, que ainda é a segunda maior economia do capitalismo, amarga uma estagnação econômica há cerca de uma década, e agora viveu uma recessão violentíssima, da qual recém poder estar saindo, após mais de doze meses, e encontra-se extremamente fragilizado.

A mudança de governo, após tantos anos de hegemonia do PLD, que já se confundia com o próprio regime, e detém ainda um controle imenso sobre a máquina estatal, expressa esse desgaste histórico no Japão.

A classe trabalhadora japonesa quer -e precisa- de mudanças. Mas é preciso adverti-la que isso não se dará através de processos eleitorais, e sim através das lutas e mobilizações. eleição da oposição burguesa, com discurso popular, é um artifício do capitalismo para conter a indignação popular. Mas como em outros locais, este engano não poderá durar para sempre. A burguesia pode ter conseguido adiar, mas não poderá resolver uma crise social que segue por estourar no país.

VOLTAR

 
Notícias Relacionadas

• Abaixo o golpe militar em Honduras! Fortalecer a luta dos trabalhadores de Honduras no mundo inteiro.

• GM falida e estatizada: o que os trabalhadores ganham ou perdem?

•A HIPOCRISIA DO FECHAMENTO DE GUANTANAMO

•Ahmadinejad é o inimigo nº 1 do mundo? Quais o motivos da campanha dos EUA, de Israel e dos sionistas contra o presidente iraniano e qual a posição dos revolucionários sobre o Irã?

• Obama realiza maior matança no Afeganistão desde 2001

• O leste europeu 20 anos depois da queda do muro: Geração pós-queda do muro de Berlim diz não ao capitalismo no Leste Europeu

• Crise põe PIB mundial em queda livre: Pela 1ª vez, economia mundial deve ter recessão anual