Hungria vive sua pior tragédia ambiental de toda a história
Nesta semana, ocorreu mais um incidente ecológico que marca a história de um país. Na Hungria, no dia 5 de outubro, 1 milhão de metros cúbicos de uma substância tóxica, chamada lama vermelha, material proveniente da fabricação do alumínio, foi jogada no solo quando rompeu o dique de contenção, arrasando tudo o que encontrava pela frente.
O material atingiu ao menos 400 casas de 3 cidades, a 140 km da capital Budapeste.
A maior preocupação é com os rios próximos às regiões atingidas, já que um deles, o Danúbio, um dos maiores da Europa, que cruza vários países, como Áustria, Eslováquia, Croácia e Sérvia, já foi atingido, resultando em inúmeros peixes mortos.
O material é tóxico e altamente cancerígeno. Quando entra em contato com a pele provoca queimaduras terríveis e, dependendo do contato, a morte.
O país entrou em estado de emergência, já que a situação é de extrema gravidade. O solo foi completamente contaminado, e as águas correm o mesmo risco. Há, nas áreas menos afetadas, 2 cm da lama vermelha, o que dá uma ideia da calamidade em que se encontra o país. O incidente já resultou em 6 mortes, 2 desaparecidos e centenas de pessoas com queimaduras químicas, sem contar os desabrigados, e os efeitos à saúde ao longo de muitos anos, ainda incalculáveis.
O primeiro-ministro do país Viktor Orbán solicita apoio financeiro dizendo que necessitará de milhões de dólares, e ao menos um ano para limpar as cidades. A preocupação do governo irresponsável e negligente quanto à fiscalização ambiental, é, claro, apenas com os prejuízos que terá.
A empresa MAL RT, responsável pela armazenagem do material, disse que faz inspeções regularmente e a última, feita recentemente, não apresentou indício algum de que poderia haver fissura em seu dique de contenção. Isso é um desrespeito aos trabalhadores.
Para este acidente só restam duas hipóteses. Ou sabotagem, ou omissão pela empresa que não fazia manutenção na barragem como deveria; tudo para economizar. Como nada indica que houve sabotagem, tudo indica que o desastre proveio da política criminosa da empresa, em busca de satisfazer sua ganância. Agora, os custos de tamanha tragédia não têm preço.
Esta empresa deve ter sido ensinada a mentir pela British Petroleum, empresa responsável pelo desastre no Golfo do México, nos EUA, e que também se diz completamente inocente. Ambas são exemplos não de um tipo de empresário sem escrúpulo, como se houvesse o empresário "bom"; mas simplesmente de grandes empresários, os quais, todos, são corruptos e se beneficiam da corrupção e omissão dos governos, aos quais financiam, e que depois retribuem com autorizações ambientais, isenções fiscais e acobertamento de seus crimes.
A MAL RT é responsável por um desastre que atingiu centenas de vidas, que podem se tornar milhares, caso a contaminação se confirme nos rios também, e o solo das cidades está completamente contaminado por muitos anos, mesmo após a limpeza da superfície.Resta ainda avaliar os impactos ambientais causados e os reflexos nos países banhados pelo Danúbio.
Mas, os maiores culpados deste desastre são as instituições capitalistas e seus poderes, desde o governo até o Congresso e a Justiça, que nada fizeram para impedir a tragédia e que agora não dão nenhum indício de que vão punir os responsáveis.
Cada vez mais desastres ambientais, guerras, injustiças acontecem no mundo em que vivemos e, enquanto a burguesia governar, cada vez mais notícias desta espécie serão vistas.
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