Publicada em 05/12/2009

Desemprego cai, mas a vida segue piorando!

Em uma pesquisa realizada pelo IBGE divulgando dados que aparentemente deviam nos agradar e tranqüilizar no fim das contas só mostra que a economia passa longe daquilo que a burguesia diz que é. O desemprego cai de 7,7%, registrado no mês de setembro para 7,5 no mês de outubro, demonstrando que os índices estão retomando a patamares do período pré-crise econômicos. Esse dado poderia demonstrar que finalmente as coisas estão indo pra frente, porém ate mesmo os analistas estão cheio de receios diante dos caminhos que o sistema econômico brasileiro vem tomando. Já que, ao mesmo tempo em que o desemprego vem caindo, enquanto o número de pessoas ingressando no mercado de trabalho esta crescendo, hoje correspondendo a 21, 505 milhões de pessoas nas sete principais regiões metropolitanos pesquisadas pelo IBGE; a qualidade dos empregos oferecidos está cada vez com pior. Isso é expresso no número que diminui mês a mês, o de trabalhadores com carteira assinada, que hoje representam somente 44,9%, e esse numero cai pela primeira vez desde 2004!

A informalidade cresce: trabalhadores cada vez com menos direitos

A informalidade no Brasil vem se agravando cada vez mais, se 44,9% trabalha com carteira assinada, isso significa que a grande maioria da população - os 55,1% - trabalha na informalidade. Isso significa que a grande maioria da classe trabalhadora hoje está em um nível tão elevado de pauperização que não possuem nenhum tipo de amparo social, nem do governo, nem do empregador – estão por sua própria conta. Os analistas gostam de dizer que os pequenos empreendedores vêm crescendo, mas basta olhar para as ruas das grandes cidades e veremos os pequenos empreendedores, os camelos, os ambulantes, os catadores de papel; esse tipo de empreendedorismo que está crescendo e muito; e representam a maior parte dos 55,1% da população brasileira sem carteira assinada.

A crise está longe do fim!

A crise para os trabalhadores está longe do fim, o desemprego é uma constante tanto no Brasil quanto no mundo. Tanto que segundo dados do Dieese, onde são obtidas pesquisas mais próximas da realidade já que são mais criteriosos, por exemplo, uma pessoa que fez um bico de pintor para um vizinho para o Dieese continua sendo um desempregado, para o IBGE não, essa pessoa está empregada. Diz que o desemprego hoje está em 13,7%, ou seja, é quase o dobro do 7,5% registrados pelo IBGE! E outro elemento que não está citado na pesquisa de desemprego é o movimento sazonal de melhora da economia, ou seja, pelo simples fato de dezembro ser o mês com maior expectativa de consumo, a economia se aquece e por conseqüência contrata mais. Então passado esse período significa que o desemprego voltara a crescer.

O capitalismo impõe sua lógica também no bolso do trabalhador

A crise continuará sendo a grande tormenta para os trabalhadores. O que a crise econômica fez com o desemprego foi o fim de diversos postos de trabalho. Com o fim destes postos as empresas readecuam sua organização para se tornar mais competitiva, para conseguir manter-se no mercado. Isso significa que a empresa mesmo que recontrate empregados, agora esses novos funcionários irão trabalhar mais, com mais tarefas, e menores salários. Onde antes trabalhava uma equipe de cinco pessoas dividindo tarefas entre elas, agora será somente três funcionários, porem com as mesmas tarefas. E essa a maneira que os empresários conseguem manter suas altas taxas de lucro, principalmente em um período como o que vivemos, onde as empresas se não entram nesse ritmo acabam sendo exterminadas pelas concorrentes.

Só o fim do capitalismo acaba com as crises

O capitalismo regula o trabalho como uma mera mercadoria, da mesma forma que regula o mercado, regula também o trabalho. Sem levar em consideração que ali existe uma mãe de família, ou um pai, que deve levar sustento para casa, acaba cada vez mais levando a miséria para a vida da população. À custa de muita exploração, e cada vez maior, a burguesia continuam mantendo suas taxas de lucros e seus negócios, onde obtém lucros exorbitantes. Por isso é preciso destruir toda essa cadeia econômica onde quem produz é quem mais perde. Os trabalhadores devem lutar para o fim do capitalismo, essa é a verdadeira saída para a crise, qualquer alternativa é só adiar o inadiável, é só manter vivo um cadáver, que já demonstra não conseguir mais nenhuma concessão de melhoria para a classe trabalhadora.

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