Publicado em 13/01/2010

Zona do euro bate recorde histórico de desemprego, Espanha tem mais de 1/5 da população no olho da rua e EUA demite mais 85 mil em dezembro!

        Apesar das comemorações de que a crise acabou, não se sabe muito bem baseado em que (só se for porque as grandes multinacionais ajudadas pelos governos por meio do dinheiro dos trabalhadores voltaram a ter algum lucro), a realidade é que ainda não se saiu do fundo do poço.

        Pode-se até identificar que se parou de cair, mas não há sinal, real, de recuperação econômica generalizada, e sim a retomada dos velhos “erros” (ou contradições inerentes ao sistema, para sermos mais exatos), com a volta da oferta absurda de crédito, o endividamento monstruoso de governos, empresas e indivíduos, e uma assustadora persistência do desemprego.

        Este dado, aliás, é o que de fato interessa aos trabalhadores, pois é o do que depende sua sobrevivência. As milhares de famílias desalojadas de suas casas, morando em barracas de lona nos EUA, ou os milhões de desempregados e pobres surgidos pela crise na Europa seguem nessa mesma situação.

        Para além das análises carregadas de desejos e distorções divulgadas na imprensa, a fria e dura realidade dos números mostra que o desemprego segue aumentando e a crise ainda está com tudo!

Desemprego na zona euro alcança 10% e bate recorde

Em outubro, o desemprego na Eurozona, integrada por 16 países representava o recorde histórico desse dado, mas o que parecia impossível ocorreu: a situação ficou ainda pior. O nível de desemprego divulgado agora, de 10%, é o mais elevado desde agosto de 1998, segundo a Eurostat, que estabeleceu registros para os meses anteriores à criação da zona euro em 1999.

O desemprego registra uma alta constante desde o agravamento da crise econômica e financeira mundial no verão (hemisfério norte) de 2008. Em novembro de 2008, para se ter uma idéia, já depois do estouro da crise mundial, o índice ainda era de 8%.

Na União Europeia (UE), integrada por 27 países (incluindo os 16 da zona euro), o desemprego em novembro foi de 9,5%, contra 9,4% em outubro. O número também é um recorde desde o início da atual série estatística, iniciada em janeiro de 2000.

        Os desempregados da zona do euro somam 15,712 milhões, uma alta de 102.000 em novembro na comparação com outubro. Na UE são 22,899 milhões de pessoas no olho da rua (mais 185.000 de um mês para outro).

De modelo a patinho feio: Espanha mostra que capitalismo não tem saída!

A Espanha fecha 2009 com quase 4 milhões de desempregados, 25% mais que em 2008. O desemprego em dezembro de 2009 aumentou em 54.657 pessoas em comparação com os números de novembro, fazendo com que o total de desempregados chegasse a 3.923.603, no fechamento do ano, o que supõe um recorde histórico, e 794.640 desempregados a mais que um ano antes, aumento de 25,4%.

Os números em dezembro de 2009 subiram especialmente na construção, com 54.936 pessoas (7,56%), seguido pela indústria, com 11.477 (2,31%), e serviços, com 202 (0,01%).

        Propagandeada como modelo de crescimento da nova fase capitalista de reformas e “modernizações” produtos do euro, a Espanha desmorona e leva abaixo o sonho de progresso capitalista. A verdade sai à tona: quem já ganhou ainda pode perder, e quem não ganhou não ganha mais neste sistema.

EUA perdem 85 mil postos de trabalho em dezembro

O indicador que contabiliza a criação e a destruição de postos de trabalho nos EUA - de forma similar ao Caged brasileiro - indicou a perda de 85 mil postos de trabalho no país em dezembro, contrariando expectativas de analistas que previam a manutenção ou o aumento do número de vagas.

Com o resultado, a taxa de desemprego está em 10%, o que "diminui as esperanças de uma recuperação rápida e sustentada na economia dos EUA após a recessão", escreve o "The New York Times". Segundo analistas da Gradual Investimentos, a expectativa era de que após 23 meses apontando destruição de vagas, o resultado de dezembro fosse de criação de empregos.

A construção civil registrou queda de 53 mil postos em dezembro, enquanto as manufaturas tiveram baixa de 27 mil. Serviços temporários criaram 47 mil vagas, enquanto o setor de cuidados com saúde abriu 22 mil postos. Estes dados discriminados mostram que o resultado só não foi pior por causa das vagas temporárias surgidas no Natal. Ou seja, janeiro pode dar “zebra” de novo!

A conclusão disso tudo é que, na falta de notícias reais, o capitalismo e seus funcionários obedientes, da mídia, governos e partidos políticos, fazem coro para tentar convencer de que a crise acabou baseado em discursos vazios.

A verdade, infelizmente, é que, mesmo quando o desemprego parar de crescer, a destruição causada pela crise jamais será recuperada, no que se refere a seus efeitos sobre o bolso e direitos dos trabalhadores. A cada novo companheiro que é demitido, ou que, ao ser recontratado, terá o salário reduzido à metade, a lição fica ainda mais urgente: é preciso acabar com o capitalismo!

 

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