Publicado em 30/03/2010

EUA, ONU e toda a burguesia fecham o cerco contra o Irã. Acordos avançam nas sanções contra o país opositor ao imperialismo

 

O acordo entre EUA e Rússia denuncia mais uma tática de ataque aos direitos de países que lutam contra o imperialismo. Na aparência, esse acordo selado entre as duas potências nucleares nas últimas semanas, ocorrido em Praga, busca soluções a conflitos que afetam toda a humanidade - em especial, a ameaça nuclear.

O acordo prevê que os dois países que possuem o maior arsenal nuclear do mundo se comprometam a desativar 30% de suas armas em um período de 7 anos.

Além da desativação, os dois países se comprometem a não utilizar seu armamento, a não ser em caso de autodefesa ou em ataques a países que não assinaram o acordo de não proliferação de armas nucleares, o que, na prática, ameaça em cheio o Irã.

Essa iniciativa conta com total apoio da ONU, que, junto dos Estados Unidos, busca evitar que outros países do mundo possuam a tecnologia para a fabricação de armas nucleares.

Todo esse teatro montado pelas duas potências militares é uma nova tática do imperialismo para pressionar os países que buscam a tecnologia do enriquecimento de urânio, mais especificamente o Irã, que atualmente desenvolve projetos nesse sentido. Por isso, na verdade, todo esse acordo e as declarações subsequentes são uma verdadeira ameaça aos poucos países opositores do imperialismo.

O Irã é um dos países que não assinou o Tratado de Não Proliferação Nuclear da ONU, e nós, do Movimento Revolucionário, damos total apoio a tal medida, pois esse acordo não passa de uma medida do imperialismo para garantir o monopólio científico e tecnológico do enriquecimento de urânio, que além da fabricação das armas pode ser usado para fins médicos, por exemplo. Tudo para manter as ogivas nucleares restritas aos países que já as possuem.

Por isso, tal medida é totalmente hipócrita, já que somente os dois países terão seu arsenal reduzido, e, mesmo assim, continuarão a ser os maiores proprietários de tais armas.

Enquanto Inglaterra, França, China, Índia, por terem governos totalmente dependentes e submissos ao imperialismo norte-americano não sofrem ameaça alguma pelas bombas que têm, o Irã é impedido de todas as maneiras possíveis de ter o mesmo direito. Isso sem citar o Estado genocida de Israel, que possui o segundo exército mais bem armado do mundo e até hoje esconde o número de ogivas que possui.

Mesmo com a desativação de muitas ogivas, a "sobra" nuclear ainda poderá destruir o mundo dezenas de vezes, mantendo a mesma ameaça sobre a humanidade. Por isso, mesmo que os EUA e a Rússia cumpram seu acordo, nada mudará no cenário internacional. O imperialismo continuará usando seu exército fortemente armado para ameaçar os países que se oponham ao seu domínio.

Em resposta às ameaças dos EUA, o governo iraniano respondeu às declarações dizendo que, caso o país seja atacado, os norte-americanos que estão no Oriente Médio em missão de ocupação não sairão vivos dos territórios. Essa resposta do governo de Ahmadinejad ocorre após as seguidas campanhas dizendo que um dos financiadores do Hamas e do Hezbollah é o próprio governo iraniano. 

É uma resposta firme, mas que deixa transparecer que, se o Irã não for atacado, os americanos poderão seguir no Oriente Médio. E é isso que hoje acontece: mesmo que ajude alguns movimentos de resistência, para fortalecer a si próprio, o governo iraniano permite e se cala diante do massacre a seus vizinhos, à medida que não é seu o território ocupado.

Derrotar a ameaça de Obama

O cerco se fecha ainda mais ao governo do país do Oriente Médio. Nos dias 12 e 13, ocorreu em Washington a Cúpula de Segurança Nuclear da ONU, na qual o grande encaminhamento foi o controle maior dos materiais necessários para a construção de bombas atômicas, em mais uma medida para cercar os países do "eixo do mal", como dizia Bush, e encurralar Ahmadinejad.

Os EUA, ao longo da história, já demonstrou inúmeras vezes que sua principal arma é o medo. O governo de Obama viaja ao mundo todo dizendo que existe uma ameaça iminente do governo iraniano contra a democracia ao redor do mundo. E, por consequência, a toda a humanidade.

Obama usa esse discurso tenta angariar cada vez mais simpatizantes entre os governos de todo o planeta, e Hillary Clinton, sua Secretária de Estado inclusive esteve recentemente no Brasil com essa finalidade.

Ao mesmo tempo em que alastram tal idéia pelo mundo, dentro dos EUA disseminam cada vez mais ódio e medo nas pessoas, dizendo que elas correm perigo e esse inimigo deve ser impedido imediatamente.

Marx disse que a História ocorre como tragédia e se repete como farsa. A tragédia representada pelo governo Bush e suas guerras "preventivas" no Iraque e Afeganistão, agora se repete como farsa de Obama, nos mesmos países e possivelmente no Irã.

Foi exatamente assim que tudo começou: com o discurso de que o governo iraquiano de Saddam Hussein era detentor de arsenal sem precedentes de armas químicas e destruição em massa. Até hoje, as tropas norte-americanas estão procurando as tais armas químicas em cada casa dos trabalhadores iraquianos que eles invadem, e Obama vai pelo mesmo caminho.

Os trabalhadores devem impedir que este filme já conhecido ocorra de novo. É preciso derrotar Obama!

 

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