Publicado em 22/09/2011

Documentos provam que Kadafi e CIA eram grandes aliados

Serviço de inteligência entregou suspeitos de terrorismo ao regime do ditador

A revolução Líbia tem feito mais do que perturbar a ordem do imperialismo e dos ditadores a seu serviço, como Kadafi e tantos outros que temem ter o mesmo destino, escorraçado do poder e escondido em seu próprio país.

Documentos descobertos em um prédio do governo líbio deposto revelam que a CIA e os serviços de inteligência do regime de Muamar Kadafi sempre vinham a muito tempo atuando em comum para massacrar a oposição e explorar as riquezas do país.

Durante o governo de George W. Bush (entre 2001 e 2009), por exemplo, a CIA entregou opositores, chamados covardemente de “suspeitos de terrorismo” diretamente ao regime de Kadafi. Ou seja, um prendia e torturava e o outro matava, numa divisão de tarefas que se repetia em muitas outras áreas políticas e econômicas.

Em 2004, a CIA estabeleceu "uma presença permanente" na Líbia, diz uma mensagem de Stephen Kappes, um dirigente da CIA, enviada a Mussa Kussa, assassino e chefe dos serviços de inteligência líbios entre 1994 e 2009.

A mensagem começa com "Querido Mussa" e está assinada por "Steve", destaca o The Wall Street Journal. O despacho foi descoberto por membros da Humabn Rights Watch (HRW), que o entregaram à imprensa. Em Londres, o jornal The Independent publicou informação similar sobre ligações entre os serviços líbios e britânicos na mesma época.

Estas verdades que estão vindo à tona ainda são apenas a “ponta do iceberg” de uma larga colaboração e cumplicidade entre o imperialismo e Kadafi,que, entre outras coisas, detinha ações de empresas e  times de futebol na Itália e financiou o caixa-2 da campanha eleitoral de Sarkozy na França.

Tais fatos, irrefutáveis, desmontam a tese de contrarrevolucionários travestidos de “anti-imperialistas”, que hoje defendem o sanguinário Kadafi, como fazem Hugo Chávez, os irmãos Castro e,no Brasil, stalinistas no PT, PCdoB e setores de ultraesquerda.

Torturas atingiram até mesmo o novo comandante militar da líbio, que exige desculpas de EUA e Grã-Bretanha.

A descoberta de documentos que provam a relação umbilical de Kadafi com os EUA e a Inglaterra causaram um sério constrangimento a estas potências que, na última hora, abandonaram Kadafi, para tentar desviar uma revolução popular que se desenvolvia completamente contra seus interesses.

O novo comandante militar de Trípoli, Abdel Hakim Belhaj, exigiu que Estados Unidos e Grã-Bretanha se desculpem, após a revelação que os dois países foram cúmplices de uma operação que o levou a ser torturado em uma prisão líbia durante o regime de Kadafi.

Documentos encontrados nos arquivos da Inteligência do regime de Kadafi detalham como a CIA capturou Abdel Hakim Belhaj em Bangcoc (Tailândia) e o entregou ao então regime líbio, que o levou a célebre prisão de Abu Selim, onde permaneceu por sete anos, e foi interrogado por agentes britânicos.

“Me injetaram algo, me desceram por uma parede pelos braços e pernas e me colocaram em um contêiner cercado por gelo. Na prisão,  não me deixavam dormir, havia barulho todo o tempo e fui torturado regularmente", disse Belhaj.

Apesar disso, o comandante militar de Trípoli prometeu que o incidente não impedirá que a Líbia tenha "relações ordenadas” com Estados Unidos e Grã-Bretanha, numa prova que, mesmo sem Kadafi, as massas líbias não se livrarão dos EUA e demais países imperialistas sem tomarem elas mesmas o poder em suas mãos. Para isso,nenhuma confiança pode ser depositada na direção do CNT e nenhuma arma deve ser entregue.

  1. Fora os “assessores” da CIA, OTAN, ONU e imperialismo em geral.
  2. Por uma Líbia dos trabalhadores, governada pelos Conselhos Populares.
  3. Expropriação da burguesia Líbia e imperialista para reconstruir o país e atender às necessidades da maioria da população.
  4. Justiçamento popular de todos os membros da ditadura e envolvidos no massacre à população.

 

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