Paraíso falido: Dubai World sairá da crise em 7 anos, se tudo der certo.
Com a crise econômica, a grande maioria das empresas de todo o mundo foi atingida pela crise, embora, com a ajuda trilionária dos governos, muitas acabaram ganhando fortunas. Mas a grande maioria ainda está no vermelho, pois não há como salvar o sistema todo, e continuam no meio do atoleiro criado pelos especuladores.
Uma dessas empresas que foi arrebentada pelo estouro das bolhas que garantiam um crescimento artificial ao capitalismo nos últimos anos, é o gigante conglomerado Dubai World, composto por 8 grandes empresas, responsáveis pela construção e manutenção de vários setores de Dubai, como empreiteiras, portos, etc.
A quebra, que sacudiu o mercado de ações em 25 de novembro do ano passado, foi marcada pelo anúncio de que não teria como pagar suas dívidas, orçadas em mais de 20 bilhões de dólares.
Os acionistas da grande empresa viram os papéis das ações despencarem, e o mercado com um todo temeu o efeito dominó que o não pagamento das dívidas poderia acarretar - um banco depende do pagamento do endividado para pagar outro banco. O fato de que o próprio governo de Dubai é acionista da empresa piorava as coisas ainda mais, pois toda a economia do país poderia ir ao chão.
Algum tempo depois, o mercado acabou parcialmente se acalmando, com a Dubai World reestruturando suas dívidas a partir do socorro dos Emirados Árabes.
Porém, em mais uma prova de que a crise econômica está longe de seu fim, essas não foram as últimas notícias acerca das bilionárias dívidas, e o drama continua.
Más notícias ainda estão por vir.
No dia 14 de fevereiro, a empresa noticiou que em final de abril apresentará duas propostas de reestruturação de sua dívida, mas já adiantou que existem planos onde 60% da dívida serão pagos em até 7 anos. O modelo projeta que sejam pagos 60 centavos para cada dólar investido na empresa, sem o pagamento de juros algum. Assim, um dos exemplos do capitalismo mundial nestes últimos anos estará fazendo, aos olhos do "mercado", pior que os países que decretam moratória, pois estará levando 7 anos, sem negociação bilateral para isso, para pagar as dívidas, dando calote de 40% mais os juros não pagos.
Outra possibilidade oferecida aos acionistas deve ser o pagamento total dos credores por meio de ações da empreiteira Nakheel, uma das empresas que faz parte do conglomerado, também no período de 7 anos; isso sem garantia e seguro algum de que até lá as ações dessa empresa valham alguma coisa. Quer dizer: em troca de dinheiro, os credores ganharam papéis podres.
Todas essas propostas demosntram que o paraíso do capitalismo quebrou. O sonho acabou e, mesmo que tudo "dê certo", somente em 7 anos o páis terá saído da lama, ainda assim bastante debilitado.
Os grandes especuladores de Dubai estão dando o prazo para o fechamento de sua crise -7 anos- mas não há base nenhuma para essa afirmação. Isso demonstra, por um lado, a dificuldade com que os grandes empresários estão encontrando em sair da crise. Por outro lado, nos alerta de que a situação pode piorar ainda mais.
A burguesia vai para o buraco, e quer levar toda humanidade junto.
A burguesia segue com suas dificuldades, que a obrigam a ter que reestruturar dívidas, ampliar prazos de pagamento, etc. Porém, combinado com tudo isso, o que ela se verá obrigada a fazer para continuar tendo suas taxas de lucro em crescimento, é diminuir custos, o que significa aumentar o desemprego, arrochar salários e atacar direitos.
A burguesia está indo para um beco sem saída e irá tentar arrastar a classe trabalhadora consigo. Por isso, a luta dos trabalhadores deve se tornar cada vez mais forte para derrotar a burguesia e todos seus planos. Só com o fim da exploração e do capitalismo será possível evitar que mais uma vez sejam os trabalhadores a pagar pela estabilidade de um sistema condenado à destruição.
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