Publicado em 12/05/2009

Volkswagen e Porsche; Fiat e Chrysler; Renault e GM:
Crise estimula fusões na indústria automobilística.

A queda geral dos lucros das grandes multinacionais, em especial as de bens de consumo, como os automóveis, fez despencar os valores das empresas automobilísticas. Há um forte movimento de queda na produção, nas vendas internas e exportações em todos os cantos do mundo. Um desses reflexos é a demissão de dezenas de milhares de trabalhadores, redução de direitos e fábricas fechadas. Outro exemplo, são os enormes prejuízos das fabricantes e montadoras de carros, muitas das quais falidas.

Neste processo, muitas das gigantes estão tendo que tentar fusões entre si para poderem sobreviver. Após negociações entre a Chrysler e a Fiat e entre esta e a Opel (subsidiária europeia da GM), agora foi a vez de Volkswagen e Porsche anunciarem planos de fusão, em um negócio que aliviaria o endividamento da fabricante de carros esporte e acabaria com a polêmica sobre o controle da Volks.

Porsche e Volkswagen devem unir 10 marcas numa mesma empresa

Com a evolução acelerada da crise, a família Porsche e executivos da Volkswagen concordaram com a criação de "um grupo integrado de fabricação de carros" que uniria dez marcas sob o mesmo teto. A decisão manteria a Porsche separada das nove marcas existentes do grupo Volkswagen, o que ainda não vai levar ao controle total da Volks, que é o que pretendia a Porsche. Mesmo assim, este passo significa uma enorme concentração no mercado automobilístico mundial.

A holding a ser criada ainda precisa negociar com representantes dos sindicatos de trabalhadores de ambas as empresas e funcionários do governo do Estado da Baixa Saxônia, que detém 20% do capital da Volks. Esta realidade expressa o alto grau de organização dos trabalhadores nestas empresas, produto de décadas de lutas em que se alcançaram um certo grau de controle e poder nas decisões das empresas, outro item que está sendo ameaçado com a fusão.

A fusão é mais uma medida de tentar salvar as duas empresas de fracassarem sozinhas, do que uma jogada brilhante para unir forças. A Volks já há muito tempo vem piorando vários de seus resultados, e tinha acabado de ter a maioria de suas ações compradas no mercado pela mesma Porsche. Enquanto isso, a Porsche adquiriu uma dívida de 9 bilhões exatamente para comprar o percentual de 51% que hoje tem na Volks. A fusão é uma tentativa de nenhuma quebrar e poder reivindicar mais ajuda dos governos, numa prova da crise e enfraquecimento das grandes montadoras, cada vez mais dependentes dos governos e de verbas desviadas dos trabalhadores.

GM e Chrysler falidas; Renault e Fiat comprando.

A GM é a empresa mais afetada pela crise mundial. Já recebeu 3 remessas de dinheiro público em diferentes pacotes, de Bush e Obama, que já somam quase US$ 20 bilhões. Mesmo assim, só no 1º trimestre de 2009 a GM perdeu mais US$ 6 bilhões, enquanto as vendas caíram 40%. Este foi seu oitavo prejuízo trimestral consecutivo. No ano anterior, a companhia teve perdas de US$ 3,3 bilhões. As dívidas da GM chegaram a US$ 54,4 bilhões em 31 de março. Mesmo assim, a GM é tão cara de pau, e tem tanta certeza que Obama está em suas mãos, que está pedindo mais US$ 11,6 bilhões em empréstimos.

O verdadeiro desastre financeiro da GM, no entanto, é insolúvel, e está levando a empresa a uma encruzilhada: ou pedir falência ( e enterrar bilhões de recursos públicos, já postos no ralo), ou ser vendida em partes e tentar sobreviver bem menor que antes, com ainda mais dinheiro público em cima.

Obama, que prefere a 2ª opção, tem estimulado medidas como o corte de salário dos funcionários, retirada dos benefícios mínimos de saúde, e demissões em massa. A última medida adotada pela GM, com a aprovação de Obama, foi o fechamento de 13 das 21 fábricas da empresa nos EUA e México, por quase 5 meses!

Neste processo de arrocho e ataque brutal aos trabalhadores, o outro lado é o da venda do que é bom na GM, ou que pode ser recuperado, e a divisão do que é “podre”, como dívidas trabalhistas e com credores, que podem ficar nas mãos do governo. Uma saída ao estilo do que Lula e Dilma fizeram na Varig, em que a parte saudável foi praticamente dada à Gol, e a parte podre recebeu dinheiro público, e ainda segue devendo fortunas aos trabalhadores que ainda não receberam seus salários e direitos.

A GM deve vender à Renault, interessada em crescer nos EUA, a marca Saturn. A montadora chinesa Geely pretende adquirir a Saab, outra marca da GM. Na América Latina e na África, é possível que todas suas operações sejam vendidas à italiana Fiat, assim como a marca europeia Opel. Se isso ocorrer, a Fiat se tornará a 2ª maior montadora mundial, atrás da Toyota e no lugar da própria GM.

Outra grande dos EUA, a Chrysler, acaba de pedir concordata, mas pode ser assumida, total ou parcialmente, pela Fiat também. Só a Ford parece que vai sobreviver neste momento nos EUA, e ainda assim por conta dos bilhões de dólares em empréstimos que também recebeu do governo.

O capitalismo está morrendo. É preciso expropriar as grandes empresas e que os trabalhadores assumem o poder e a produção

O redesenho do mercado mundial de automóveis está se dirigindo para um processo de ainda mais concentração. Das dezenas de marcas existentes há poucos anos, hoje restam cerca de meia dúzia gigantescas corporações, que controlam os preços, cada vez mais altos; a qualidade, cada vez mais baixa; e o aumento brutal da exploração e precarização dos salários e direitos dos trabalhadores dessa indústria.

Por trás do exemplo das montadoras, dezenas de outros ramos industriais e financeiros seguem o mesmo caminho. Os bancos, as cadeias de lojas de departamento, as redes de eletrodomésticos e de supermercados, os laboratórios químicos, as petroleiras, os grandes produtores de alimentos, as empresas de aviação, a indústria bélica: todos os setores capitalistas encontram-se em um punhado de mãos, superconcentrados.

Acontece o que Lênin caracterizou para a época imperialista, de que além dos trabalhadores e pequenos produtores, também muitos burgueses seriam expropriados por sua própria classe e modo de produção, num entredevoramento em que a contradição de classe cada vez mais opõe uma minoria mundial de proprietários, envolvidos com todos os ramos de produção e distribuição de forças produtivas, e um mar cada vez maior de proletários, sem nada a perder a não ser suas próprias correntes, que sobrevivem vendendo sua força de trabalho, por cada vez menos e mais rodeados de miséria, crises e guerras.

Este processo, já existente há um século, atinge seu auge diante da maior crise da história do capitalismo. É hora de respondermos a esse marco histórico também com a maior reação operária e popular que já se fez. É urgente a constituição de organismos de base, por bairro, fábricas, lojas e escolas, que reúnam, organizem e ponham em movimento a luta dos trabalhadores, em combinação com a tomada dos organismos sindicais, populares e estudantis para um programa revolucionário, socialista e de ação direta.

Temos que aprende com a crise, e não podemos aceitar que paguemos esse preço mais uma vez. É hora de tomar o poder e de lutar para transformar cada luta específica e econômica numa luta pelo Estado. O emprego, o salário, e os direitos são apenas a ponta do iceberg que deve ser puxada para os braços dos explorados, e tomada de quem nos está empobrecendo tão rapidamente. A hora da luta revolucionária está na nossa frente!

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