Cessar-fogo negociado por clérigos muçulmanos entra em vigor
numa capitulação e tentativa de acordo com governo militar, massas seguem lutando.
A junta militar que governa Egito pediu desculpas pela morte de civis durante os protestos revolucionários que ocorrem no país. Um cessar-fogo entre policiais e manifestantes entrou em vigor após até 40 vítimas fatais entre os lutadores.
Dois dos generais que comandam o país prometeram punir os responsáveis pela violência, em uma nova tentativa de acalmar os manifestantes que pedem a saida imediata dos militares do poder, como se não fossem eles mesmos os assassinos.
Os generais, cinicamente, ofereceram “seus pêsames a toda a população do Egito”. Um deles, Muhammad al-Assar, expressou “o arrependimento e as desculpas das Forças Armadas pela tragédia”. “Nossos corações sangram pelo que aconteceu. Esperamos que essa crise acabe e que, se Deus quiser, não se repita”, acrescentou.
Mas, nas ruas, o pedido de desculpas não pareceu comover os manifestantes. “Queremos ouvir que eles estão indo embora”, afirmou o ativista Khaled Mahmoud.
O cessar-fogo que entrou em vigor na quinta-feira (30/11) foi negociado por líderes muçulmanos, que desde o ínicio da revolução estiveram de fora do centro da condução da luta e apoiaram as manifestações apenas quando elas assumiam proporções de massas e se tornava irreversível a queda de Mubarak. Agora, estes religiosos tentam manter o regime de pé, asustasdos por nao terem contrôle algum do que se passa.
As lutas que ocorrem neste momento no Egito sao parte do processo revolucionário, onde se luta por liberdade, mas também por salário, emprego e condições de vida, que incluem direitos civis em geral e em especial para as mulheres, minorias étnicas e religiosas. Estas bandeiras democráticas, econômicas e também de questionamento ao poder, ou seja, transicionais, so podem ser obtidas pelo triunfo da revolução socialista.
E isto que esta em jogo nas ruas do Cairo: a luta pelo poder ; se para o povo, atraves de um governo dos trabalhadores, laico, democrático e sob poder popular; ou a ditadura de clase burguesa, seja pelos militares ou pelos civis.
A massa do Egito, que não tem uma organizacão à altura das necessidades da revolução, e corre o risco de ser derrotada, ao menos já rechaça, com força, a simples troca do uniforme ou do nome do governanante. E tudo que se quer mudar ! E a revolução que se deve concluir!
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