Trabalhadores do Egito lutam sua segunda revolução
Manifestantes no Cairo rejeitam falsas concessões
Após a revolução vitoriosa que derrubou Mubarak e colocou abaixo seu governo ditatorial, a população egípcia agora esta prestes a derrubar tambem a junta militar que governa o Egito há nove meses, em subtituiçao a seu ex-chefe. Numa tentativa desesperada de salvar as instituições da fúria popular, em especial o exército, o novo governo alternou concessões ou anúncios de concessões com uma sangrenta repressão. Na última tentativa, disse que aceleraria o processo de transição para um governo civil por meio da antecipação das eleições presidenciais e formaria um "governo nacional de salvação" em substituição ao gabinete atual, que foi obrigado a renunciar.
O chefe do Conselho Supremo das Forças Armadas, Field Marshal Hussein Tantawi, disse que as Forças Armadas estão preparadas para realizar um referendo sobre a transferência imediata de poder se a população fizer essa reivindicação e que as eleições presidenciais serão realizadas antes do fim de junho para transferir o poder totalmente para autoridades civis. Antes, a junta militar havia marcado as eleições presidenciais para o fim de 2012 ou o início de 2013.
As medidas foram anunciadas após uma reunião de cinco horas entre os militares, candidatos e líderes de partidos em meio a enormes manifstações no Cairo, que deixaram 28 mortos e milhares de feridos em poucos dias. Tambem há protestos na cidade portuária egípcia de Alexandria, onde a polícia antidistúrbio lançou gás lacrimogêneo contra os manifestantes, e na cidade de Suez, onde os participantes marcharam para a praça al-Arab'in.
Protestos continuam e luta nas ruas fortalecem caminho de nova revolução
Depois da repressão seguida de recuo por parte do governo, os trabalhadores e estudantes, que já sentem que o poder burguês se desmorona sobre seus pés, estão cada vez mais confiantes e a marcha revolucionária já impede que o governo oficialmente estabelecido possa governar.
Carros blindados do Exército entraram na rua Mohammed Mahmoud, epicentro dos confrontos, para cobrir a retirada da polícia, que teve de fugir, por ser incapaz de deter os manifestantes, e foi substituída em parte por soldados.
Nas ruas próximas ao Ministério do Interior - que está sob forte esquema de segurança - e à Praça Tahrir, a polícia montou barreiras e disparou gás lacrimogêneo contra os manifestantes, que não pararam de lançar pedras. No começo da noite, "baltaguiyas" (pistoleiros) pró-militares foram à rua comercial Talaat Harb, que termina na praça, e enfrentaram com pedaços de pau e armas brancas os manifestantes, repetindo o episódio celebre que antecedeu a queda de Mubarak, quando cavalos e dromedários foram jogados sobre as pessoas.
Neste dia, os feridos ja eram 3.250, e aumentavam em média em 80 por hora: chegando de modo improvisado aos hospitais de campanha montados na praça em ambulâncias, motos ou até mesmo a pé. Ao total, 38 mártires ja tinham sido feitos até este dia, com as forças da ordem burguesa apontando para o rosto dos civis ao disparar balas de borracha ou munições letais.
A exigência é que caia o marechal Hussein Tantawi, que dirige o Egito desde a derrubada de Mubarak, e que realmente haja mudanças no pais. Tantawi chegou a admitir um referendo sobre a transferência imediata de poder, mas a população esta passando por cima de qualquer processo manipulado.
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