Publicado em 06/01/2008

Começa a disputa eleitoral nos Estados Unidos:
E os trabalhadores e imigrantes não tem candidato!

No dia 3 de janeiro iniciou-se oficialmente a disputa pela presidência dos EUA, com a disputa pelas candidaturas dos democratas e republicanos. As chamadas “primárias”. Mas é só no dia 5 de fevereiro que as duas siglas, adversárias históricas, têm a principal disputa: é a ‘Super Terça’, quando praticamente a metade dos 50 estados do país (além do distrito de Colúmbia) realizará suas eleições primárias, praticamente definindo quem serão os candidatos a disputar a casa Branca.

As eleições americanas de 2008 ocorrem em meio a uma turbulência no governo de George Bush. A guerra de ocupação no Iraque sendo uma das principais dores de cabeça do governo norte-americano, pois a cada dia a resistência aumenta e a derrota do imperialismo na região se amplia.  O debate sobre a retirada das tropas se acirra no Congresso Nacional dos EUA, os trabalhadores americanos realizaram grandes protestos exigindo a imediata retirada das tropas do Iraque e a burguesia imperialista se vê obrigada a admitir a “surra” que está levando e planejar a retirada de seu exercito.

Além disso, a crise do “estouro da Bolha Imobiliária” abalou a economia dos EUA, gerando instabilidade nas bolsas de valores e na economia mundial.  De outro lado, o preço do barril de petróleo já ultrapassou a marca de US$ 90. Essa mudança na economia está ligada à política, por um lado pela superprodução da indústria mundial, que exige mais energia e consumo de petróleo, e por outro pelas crises políticas, como a guerra nos países do oriente médio (Iraque, Afeganistão...), e os conflitos dos EUA com o Irã, que mediante ameaças de invasão dos EUA ameaçou que o barril chegará a US$ 200 se o Irã for invadido. Não é de se duvidar...

Internamente os estados unidos passam por uma mudança na composição de sua populaçã. As chamadas “minorias” vem crescendo rapidamente. A população hispânica (os Latinos, ou latino americanos) nos Estados Unidos, o grupo social de maior crescimento no país, é de 44,3 milhões de pessoas, 14,8% da população, segundo o censo de 2006. Se somadas outros grupos como os GLBTS e as mulheres e etc... as “minorias” juntas são quase a maioria da população dos EUA. Isso se expressa com o fortalecimento dos debates a cerca das questões como Imigração, Aborto, Casamento GLBT, e etc. Por isso aparecem candidatos como Hillary e Obama, que buscam ganhar a simpatia e a confiança das “minorias” dos EUA.

Em meio a tudo isto que acontecem as eleições dos EUA. Onde se destaca a disputa pela candidatura do Partido Democrata entre Hillary Clinton e Barack Obama (partido que é apontado como mais provável vencedor do pleito em novembro de 2008). A disputa entre os dois candidatos tem como objetivo resgatar a imagem do Governo dos estados unidos, não só externamente, como também internamente junto aos trabalhadores norte-americanos. De um lado está discurso de Hillary Clinton se tornar a primeira presidente mulher dos EUA, do outro o de afirmar que Barack Obama será o primeiro presidente negro dos EUA.

Nem Hillary Clinton, nem Barack Obama, nem os Republicanos são alternativas para os Trabalhadores!
 Eles são todos imperialistas!

Seja qual for o candidato dos Democratas, assim como o dos Republicanos, que for escolhido para a presidência dos EUA nada irá mudar. Todos os candidatos estão comprometidos com os interesses e necessidades da Burguesia Imperialista dos EUA.

Vejamos, por exemplo, os programas de Hillary e Obama:

Hillary, atual senadora dos Estados Unidos pelo estado de Nova York, votou a favor da guerra de invasão do Iraque, defende leis mais duras para o controle das imigrações legais e ilegais, votou a favor e defende a manutenção do muro na fronteira entre EUA e México onde milhares de Latinos são assinados todos os anos pela policia norte-americana, defende o desarmamento da população e está comprometido com a atual política econômica desenvolvida pelo governo de George Bush de exploração dos países latino-americanos e outros considerados subdesenvolvidos para garantia do lucro da Burguesia estadunidense.

Obama, senador pelo Estado de Illinois, defende uma política mais dura no controle e combate a imigração ilegal, sendo favorável ao muro na fronteira EUA X México, defende que os trabalhadores paguem os seguros de saúde oferecidos pelas empresas onde trabalham, defende uma política de controle  e desarmamento da população, e também defende a manutenção da política econômica imperialista do governo George Bush.

            E se fossemos comparar os programas de todos os candidatos, seja dos democratas ou Republicanos, iríamos constatar que todos eles são quase idênticos, apenas com algumas diferenças pontuais em pontos secundários. Isso porque os dois partidos, assim como seus candidatos e políticos, estão comprometidos com a mesma Burguesia Imperialista dos EUA. Todos têm como compromisso garantir os lucro e privilégios das empresas norte-americanas e de seus empresários.

Por isso que reafirmamos: Seja quem for o vencedor das primárias e posteriormente das eleições dos EUA nada irá mudar. Não é o fato de mudar Bush por um homem negro ou por uma mulher que irá mudar a estrutura política do imperialismo. Uma mudança real para os trabalhadores dos Estados Unidos, assim como para os trabalhadores do mundo, só virá através da luta direta dos trabalhadores juntamente com os demais setores oprimidos dos EUA. Onde exijam e imponham a expropriação das multinacionais, nos EUA e nos países explorados do terceiro mundo. Lutando  pela construção do socialismo, tanto nos EUA como no mundo todo.

Seja Hillary ou Obama, Republicanos ou Democratas, tudo seguirá na mesma. O Movimento Revolucionário desde já diz aos trabalhadores: nenhuma confiança em nenhum dos dois partidos e muito menos em seus candidatos. Afinal, eles são todos imperialistas, e defendem a burguesia dos EUA, independente do sexo ou da cor da pele.

Mais do que nunca é preciso que os trabalhadores norte-americanos construam um grande partido revolucionário dos trabalhadores nos EUA, que aponte para uma saída classista e revolucionária. Somente dessa forma poderemos retirar as tropas do Iraque, defender os imigrantes, expropriar o capitalismo imperialista, organizar desde a base os milhares de trabalhadores, construir o socialismo e, de fato, dar voz aos negros e as mulheres.

Como funcionam as eleições nos EUA

As eleições nos EUA ocorrerão somente em 4 de novembro de 2008. Antes disso os pré-candidatos dos dois principais partidos: o Democrata e o Republicano participam de uma espécie de “pré-eleição”. São as chamadas “Primárias”,onde os interessados em ser candidatos a presidência dos EUA disputam a candidatura pelos partidos.

As primárias começam no dia 3 de janeiro, com a disputa no estado de Iowa (na região central dos Estados Unidos). Mas é só no dia 5 de fevereiro que as duas siglas, adversárias históricas, têm a principal disputa: é a ‘Super Terça’, quando praticamente a metade dos 50 estados do país (além do distrito de Colúmbia) realizará suas eleições primárias.

Como funcionam as primárias

Os votos nas primárias são dados pelos representantes de cada partido. Em cada estado a definição do grupo desses representantes pode ser diferente. Em alguns, votam apenas os filiados do partido. Em outros, votam também os cidadãos comuns.

Terminada a votação em cada estado, os partidos fazem seus congressos nacionais, nos quais os candidatos são finalmente oficializados, apesar de já se saber antes o vencedor, pela soma dos delegados conquistados nos estados.

O colégio eleitoral dos EUA e o controle sobre o resultado da eleição

As eleições norte-americanas são indiretas. Os mais de 200 milhões de eleitores norte-americanos votam (lembrando que lá o voto não é obrigatório) para o presidente, mas não serão eles que determinarão o resultado final.

No Brasil, vence a eleição presidencial o candidato que somar mais votos em todo o país, independentemente dos resultados parciais de cada estado. Nos Estados Unidos não é assim: o resultado de cada estado é o que conta. É o chamado Colégio Eleitoral, sistema pelo qual cada estado nomeia certo número de "delegados" que então escolhem o presidente.

Pelo sistema norte-americano, cada eleitor dá o seu voto no estado onde mora. Ao final da apuração é que entra o papel dos “delegados”, que votam no candidato que escolherem para a presidência.

No sistema eleitoral norte-americano nem sempre vence a eleição quem tem mais votos em todo o país. Isso aconteceu recentemente, em 2000, quando o democrata Al Gore teve mais votos entre a população do que o republicano George W. Bush, mas acabou perdendo a eleição. Esse fenômeno também aconteceu com John Quincy Adams (em 1825), com Rutherford Hayes (em 1877) e com Benjamin Harrison (em 1889).

 

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