Barack Obama é eleito presidente dos EUA.
A mudança chegou?
Na Terça Feira (04/11) o novo presidente dos EUA foi escolhido. A maioria dos mais de 137 milhões de pessoas que foi às urnas escolheu Barack Obama. Foi o processo eleitoral que contou com a maior participação de eleitores desde 1908. Dos aptos a votar, 67% compareceram às urnas, o que é recorde. Além dos números em si, o mais impressionante foi o sentimento presente nas pessoas, de esperança com o slogan de “mudança”, e empolgação diante da possibilidade de mudar o país. Estes números são ainda mais significativos porque nos EUA o voto não é obrigatório, e a votação ocorre em dia útil, sendo necessário se registrar antecipadamente.
Obama conquistou muitos eleitores com o discurso de que "a mudança chegou", assumindo posições mais "moderadas", e supostamente progressivas, em relação a questões da política internacional como a guerra no Iraque, e sobre a crise econômica, quando criticava o benefício excessivo dado aos ricos. De fato, porém, Obama sempre dava respostas evasivas, sem, realmente, se comprometer com nenhuma mudança significativa, dando a resposta que a saída é a paz e a cooperação mundial.
No discurso da vitória, o democrata, diz que sua eleição "é a resposta pronunciada para os jovens, idosos, ricos e pobres. democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, indígenas, homossexuais, heterossexuais, incapacitados ou não-incapacitados."
Essa eleição acontece em um momento de forte descontentamento com a política atual do imperialismo levada a cabo por George W. Bush, quando os trabalhadores esperam respostas para a crise econômica, diante do aumento da miséria e do desemprego no mundo todo. Somente nos EUA já foram fechados mais de 800 mil postos de trabalho, e mais de dois milhões de famílias estão prestes a perder suas casas por falta de dinheiro para pagar as hipotecas.
A vitória de Obama traz alguns debates importantes aos trabalhadores e às organizações de esquerda no mundo todo. Nesse momento, muita gente pelo mundo se pergunta: Será que a mudança realmente chegou?
O que representa a vitória de Obama?
A adoção de um discurso "moderado" e a tentativa de se postular como representante de "todos", principalmente dos pobres e oprimidos não é algo novo na história. Obama adota esse discurso não porque condiz com sua trajetória pessoal, ou porque seja mais de “esquerda”. Ele faz isso porque precisa dar resposta a um descontentamento crescente entre a população dos EUA e do mundo diante da política de dominação, de guerras e saques que mantém o imperialismo em pé.
Obama é obrigado a dizer que é contra a guerra no Iraque, pois essa política já tem uma desaprovação massiva dentro dos EUA e no mundo. Mas, se por um lado, fala em retirada lenta do Iraque, por outro lado, fala em mais ocupação rápida do Afeganistão, e mesmo ataques ao Paquistão, o que nem Bush fez.
Essa postura deixa bem claro que Obama não defende nada à frente das massas. Obama não é progressivo em nada, em termos de conteúdo. Tudo o que ele defende que poderia ser considerado como avançado, é porque as circunstâncias políticas o exigem. A pressão das massas, e o risco de que a situação saia do controle, é que fazem os governos capitalistas, sejam quais forem, a tomar medidas “populares”. Foi o que Bush e Gordon Brown tiveram que fazer ao colocar o Estado a intervir na economia durante a crise.
Os governantes burgueses não divergem ideologicamente. Eles apenas moldam seus discursos às condições e às pressões das massas, para impedi-las de se rebelar. Mas, mesmo quando mudam suas retóricas, na prática, mantém a mesma política. Este é o caso tanto das medidas de Bush e Gordon, como do futuro governo Obama. Suas medidas, mesmo sinalizem para a esquerda, vão ser para a direita.
A resposta de Obama diante da crise é sair pela tangente: diz que todos devem se unir para reconstruir a economia. Na prática, deu total apoio a medida de Bush de injetar US$ 700 bilhões para salvar os burgueses que iam à falência, e já aponta que vai aumentar impostos, ou seja, diz que todos vão pagar por essa crise, mas concretamente já está trabalhando para jogá-la nas costas da classe trabalhadora.
Esse vai ser o tom do mandato de Barack Obama: é a continuidade da política de Bush. Só que para Obama essa tarefa será ainda mais difícil, pois tem sobre as costas um povo descontente e que vem dando mostras de que quer mudanças. Toda a ilusão que existe em Obama será em breve transformada em questionamento, pois ele é incapaz de promover as mudanças que necessitam os trabalhadores dos EUA e do mundo, pois está comprometido com os grandes burgueses imperialistas dos EUA, que injetaram milhões em sua campanha.
Conjunturalmente, o regime democrático burguês se fortalece nos EUA. As instituições desmoralizadas retomam parte de sua autoridade. Porém, este “respiro” durará apenas o tempo em que Obama ainda puder manter a farsa de seu genérico discurso de mudança. Inevitavelmente, Obama vai preservar os interesses dos imperialistas, e, sem recursos infindáveis no orçamento, e numa conjuntura recessiva, vai se chocar contra a população.
O capitalismo, nos EUA, estruturalmente, está a perigo! Obama, ao invés de representar um retrocesso dessa tendência, distorcidamente, representa sua acentuação. A eleição de Obama expressa a profunda vontade de mudar que o povo trabalhador americano deseja. A frustração com Obama não vai mais poder ser seguida por outra esperança eleitoral. Estará, dessa forma, ainda mais aberto o caminho para as lutas no centro do imperialismo mundial.
Os trabalhadores não devem confiar em Barack Obama!
Pelo Socialismo e a Revolução! É necessário Derrotar o Imperialismo!
A crise econômica está fazendo amplos setores refletirem sobre o atual estágio do capitalismo. A tarefa que está colocada para as organizações dos trabalhadores é ajudar a classe trabalhadora a chegar a uma conclusão que vem sendo colocada ainda mais às claras com a crise: Que o capitalismo não pode mais crescer, nem conceder nada de duradouro e significativo para a população. E, portanto, precisa ser superado, como única forma fazer os ricos pagarem por essa crise!
Esta tarefa só pode ser levada até as últimas conseqüências se for travada uma luta de morte contra o capitalismo, contra Brack Obama, e contra os governos capachos, como o de Lula no Brasil.
Ao contrário do que tenta passar a imprensa mundial e algumas organizações de esquerda, Obama não tem nada de progressivo, sua eleição é somente uma expressão distorcida de um processo de repúdio ao imperialismo e sua política de guerra e exploração mundial. E conforme for se dando a experiência com este governo, combinado com o agravamento da crise econômica, esse processo tende a se radicalizar cada vez mais.
Só a luta e a organização da juventude e dos trabalhadores negros, brancos, hispânicos, indígenas, homossexuais, heterossexuais é o que pode solucionar o desemprego e a miséria crescente. E essa luta deve estar a serviço da construção de um forte Movimento Revolucionário nos EUA e no mundo, que através de uma revolução conduza os trabalhadores ao poder e ao socialismo!
É necessário derrotar o Imperialismo!
Obama é mais do mesmo: Nenhuma Confiança!
Pela retirada imediata das tropas do Iraque!
Fora EUA do Afeganistão, Oriente Médio e todos os lugares com tropas ao redor do mundo!
Todo apoio à resistência política e armada dos povos!
Pelo Socialismo e a Revolução!
VOLTAR