Publicado em 02/08/2009

Afeganistão: Eleições, previstas para 20 de agosto, já dão sinais de tumulto

            Marcadas para o dia 20 de agosto, as eleições presidenciais afegãs já estão tumultuadas. Cerca de 17 milhões de afegãos devem fazer a sua escolha entre 41 candidatos ao posto (incluindo duas mulheres).

            Há três candidatos considerados viáveis: o presidente Hamid Karzai, o ex-ministro das Finanças Ashraf Ghani e o ex-chanceler Abdullah Abdullah. As poucas pesquisas disponíveis apontam que Karzai lidera com 30% das intenções de voto, enquanto Abdullah vem em segundo, com 10%, e Ghani tem 7%.

            Hamid Karzai é acusado de utilizar a máquina do Estado para sua campanha, assim como do oferecimento de favores em troca de trabalho na campanha. Além disso, voluntários de todos os candidatos de oposição vêm sofrendo intimidação, assim como o escritório de campanha de Karzai em Panjshir, que foi alvo de um atentado à bomba, e uma carreata de Ghani, atingida por granada.

            De acordo com Haroun Mir, vice-diretor do Centro de Políticas e Pesquisas do Afeganistão, os eleitores é que andam desmotivados por causa da corrupção e do continuísmo no governo, o que, caso o presidente seja eleito logo no primeiro turno, pode resultar em ondas de violência. Depois de quase 8 anos de ocupação, a população não suporta mais a presença das tropas imperialistas chefiadas pelos Estados Unidos, e que Karzai promete manter. No entanto, a alternativa eleitoral não desperta a empolgação de quase ninguém, pois as próprias eleições, conduzidas de modo fraudulento e subordinado, são um jogo de cartas marcadas.

            Dessa forma, uma possível onda de protestos é o que mais preocupa as autoridades. "Não podemos nos dar ao luxo de uma eleição como a do Irã. Se 20 mil afegãos forem para as ruas protestar, teremos uma guerra civil. O ambiente é muito volátil", afirmou Ajmal Abidy, porta-voz de Ghani, candidato da oposição, mas defensor do sistema e da estabilidade burguesa. As autoridades reconhecem que, somente no sul do país, há 34 distritos fora do controle do governo.

O Taleban já se pronunciou convocando os eleitores a boicotarem e atacarem as eleições, dizendo que "como afegãos e muçulmanos, todos os afegãos devem boicotar este processo americano mentiroso", conforme texto difundido por correio eletrônico e assinado pelo "Emirado Islâmico do Afeganistão".

Pelo menos 250 mil “observadores internacionais”, muitos deles agentes políticos e de informações do imperialismo, acompanharão a votação. A intromissão americana é tão grande, que, inclusive o processo eleitoral conta com a intervenção dos EUA. Em março, a secretaria de Estado norteamericana, Hillary Clinton, anunciou a doação de U$S 40 milhões para a organização do processo eleitoral, que, desta forma, está nas mãos do governo dos Estados Unidos, em caso de qualquer dúvida sobre o resultado, como ocorreu no Irã..

Essa situação é mais uma prova de quão falida foi a intervenção norteamericana desde o início. Mentiram que pretendiam pacificar o Afeganistão, e o deixaram numa situação quase de guerra civil e, novamente, com áreas inteiras nas mãos do Taleban.

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