Publicado em 21/07/2009

Argentina: Partido da Presidente Cristina Kirchner perde maioria parlamentar nas eleições legislativas

Nas eleições para o parlamento argentino realizadas nos últimos dias de junho de 2009 o casal “K”, como é chamado o casal Kirchner, sofreu um duro golpe.  O resultado do pleito foi uma derrota sem precedentes para o partido Justicialista, ou Peronista, da presidente Cristina Kirchner, que perdeu a maioria parlamentar.

O ex-presidente Nestor Kirchner reconheceu a sua derrota no círculo eleitoral de Buenos Aires, o maior do país, frente ao oposicionista Francisco de Narváez, que obteve 34,51% dos votos, contra 32,16% do seu rival, antes mesmo do final da apuração dos votos.

A aposta de Nestor Kirchner era o voto dos "descamisados", antiga base de apoio dos peronistas, ou seja, dos setores mais pobres (que aumentaram muito após a quebra econômica de 2001), que são alvo do assistencialismo do governo. Os "K” esperavam que os setores mais informais, desempregados e de baixa renda da população de Buenos Aires apoiassem sua coalizão, assim como vinha ocorrendo nas eleições que ocorreram após a crise econômica e política, que elevou a um processo revolucionário neste início de século. Mas a realidade mostrou que o prestigio dos Kirchner já não é o mesmo.

Com o agravamento da crise mundial, a economia argentina se abalou, e o crescimento econômico que sucedeu a crise de 2001, em torno de 7% ao ano, não se sustentou. O desemprego, a inflação e as condições de vida dos trabalhadores pioraram no país. Juntamente com isso, Cristina decretou o fim da moratória da divida externa argentina, medida que havia possibilitado uma margem de investimento ao governo, e propiciado a volta do crescimento da economia do país.

Mas, apesar da precarização das condições de vida dos trabalhadores argentinos, produto do retorno do pagamento da dívida, e do fato de que o assistencialismo chegou ao seu limite, o ânimo dos trabalhadores não se abateve. Como resultado, as manifestações, que nunca acabaram, foram reforçadas no último período, e são muitos os que voltam a lutar. Por outro lado, a frustração e a revolta com a situação do país acabaram sendo absorvidas pela coalizão burguesa e não por uma organização revolucionária.

O aumento dos votos da direita tradicional mostra a ausência de uma organização revolucionária com inserção nas massas do país, que consiga capitalizar a classe trabalhadora para o programa da revolução. No entanto, essa expressão de rechaço ao governo de Cristina é, mesmo que de forma limitada, um sintoma de que as massas argentinas não confiam nem no governo, nem no congresso, nem em suas instituições.

O desfecho dessa situação ainda não se deu, e a derrota dos "K", que recuperaram a ordem para o capitalismo é um sinal de que a temperatura segue cada vez mais quente, e que muita coisa ainda vem pela frente na luta de classes do país. 

VOLTAR

 
Notícias Relacionadas

• GM falida e estatizada: o que os trabalhadores ganham ou perdem?

•A HIPOCRISIA DO FECHAMENTO DE GUANTANAMO

• “Orfanato dos Horrores”: Investigação mostra que mais de 30 mil crianças sofreram estupros, abusos e todo tipo de violência sexual ao longo de 60 anos em orfanatos católicos na Irlanda

•Ahmadinejad é o inimigo nº 1 do mundo? Quais o motivos da campanha dos EUA, de Israel e dos sionistas contra o presidente iraniano e qual a posição dos revolucionários sobre o Irã?

• Obama realiza maior matança no Afeganistão desde 2001

• O leste europeu 20 anos depois da queda do muro: Geração pós-queda do muro de Berlim diz não ao capitalismo no Leste Europeu

• Crise põe PIB mundial em queda livre: Pela 1ª vez, economia mundial deve ter recessão anual