O imperialismo aposta tudo num governo fantoche para o Iraque. Não podem usar só armas, então usam as mentiras.
Os iraquianos estão vivendo mais uma eleição palamentar, pautada por uma conjuntura diferente, já que os EUA estão tendo que apostar em uma nova tática, desde que Obama assumiu o poder. O imperialismo agora adota a política de retirar gradualmente as tropas de ocupação do país, e relocalizar seus soldados no Afeganistão, reforçando esta ocupação.
Combinado a esse remanejo de tropas, Obama aposta todas suas fichas em um governo totalmente capacho do imperialismo no Iraque, fazendo com que os interesses do país dominador sigam prevalecendo, e continuando a exploração dos recursos naturais, com a diferença de usar mão de obra local para fazer o trabalho que favorece aos Estados Unidos.
Duas faces da mesma moeda
Diante da necessidade de garantir a dominação imperialista, durante as eleições a tarefa passa a ser garantir um governo que tenha legitimidade entre a população.
As eleições estão em plena contagem de votos, pois o país ainda conta com um sistema bastante arcaico, fazendo com que o resultado final ainda seja desconhecido durante algumas semanas.
Porém, o que já se observa é uma grande polarização entre dois blocos liderados por: Nuri Al-Maliki, atual primeiro ministro; e Iyad Allawi, ex-primeiro-ministro iraquiano nos anos de 2004 e 2005.
O bloco de Al-Maliki, atualmente está representando a continuidade do governo, que trabalha diretamente para o imperialismo, inclusive ajudando diretamente nas novas políticas de intervenção no país. Porém, nunca um governo recorreu a um discurso tão nacionalista quanto o atual, o que se explica pela necessidade de parecer independente frente à ocupação; como se isso fosse possível. Assim, o voto nesse representante é uma distorção da necessidade da classe trabalhadora, de independência e expulsão do imperialismo.
O outro bloco na disputa, Allawi, fez uma grande articulação política para aumentar sua base de apoio, principalmente com os sunitas, e formou o bloco chamado de Aliança Nacional. Esse setor da burguesia iraquiana, por ter sido deposto no momento da ocupação norte-americana, hoje busca um governo de fato nacional, buscando ter uma representação que priorize mais os burgueses locais, mas ainda de forma completamente submissa ao imperialismo.
A eleição entre as duas chapas majoritárias está bastante acirrada, sendo impossível, identificar qual o vencedor. Porém a aliança de Al-Maliki leva uma pequena vantagem.
Paralelo às eleições, a Al-Qaeda, declarou guerra a todos os partidos que estão na disputa das eleições presidenciais, deslegitimando todo o processo. Ainda anunciou a autoria de três grandes atentados terroristas, um corrido em dezembro, sendo o alvo prédios públicos, em ações que mataram 112 pessoas; e outros dois, um em janeiro e outro em março, matando mais de 36 pessoas.
Só a burguesia sairá ganhando com as eleições no Iraque
Independente de quem ganhar, o que se percebe é o enorme repúdio à ocupação imperialista na região. Tanto que ambos possíveis vencedores da eleição, mesmo já tendo sido primeiros--ministros e tendo governado lado a lado com o imperialismo, para serem aceitos, utilizam um discurso anti-imperialista.
O governo de Obama está consciente da derrota que está sofrendo na região, e a aposta nas eleições não ocorre por uma opção voluntária, e sim pela obrigação que as circunstâncias acarretaram.
Em 7 anos de ocupação, não se conseguiu estabilizar a região e explorá-la conforme os planos iniciais. Tudo isso devido à forte resistência que os iraquianos impuseram diante da ocupação.
Agora, Obama, para não ser rechaçado da mesma maneira que Bush, já muda de linha para a intervenção no país, passando da dominação direta, a partir de armas em punho, para uma dominação indireta com governos fantoches, ainda que com um aparato militar de apoio.
Nem Allawi, nem Al-Maliki. Só a luta dos trabalhadores iraquianos acaba com a ocupação e derrota a burguesia nacional
Dessa maneira, ambas as opções não representam nenhuma mudança na vida dos trabalhadores. Ambos representantes são faces da mesma moeda, e são aliados do imperialismo. Por isso, os iraquianos devem chamar uma verdadeira guerra contra os partidos da burguesia no país.
Mas não da forma como a Al-Qaeda propõe, sem conquistar os trabalhadores, e sim com manifestações cada vez mais fortes, que lutem contra os partidos nacionais, denunciando os papéis nefastos que cumprem por serem ligados ao EUA. É através do fortalecimento da luta contra a ocupação norte-americana que pode surgir outra direção, buscando organizar os trabalhadores.
Essa é a única perspectiva que os trabalhadores no Iraque devem buscar contra a burguesia imperialista e seus comparsas, combinando uma luta mais ampla, pelo fim da ocupação, com a luta socialista, que é fundamental para realmente libertar o Iraque, militar e economicamente.
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