Eleições uruguaias confirmam segundo turno com falsa polarização
As eleições presidenciais no Uruguai seguem em aberto.
Realizadas em 25 de outubro, levaram ao segundo turno os candidatos Jose Mujica e Luis Lacalle.
Mujica, candidato da Frente Ampla (partido do atual presidente Tabaré Vásquez), é um ex-guerrilheiro tupamaro. Já Lacalle, do partido de centro-direita, Partido Nacional (também tratado por Partido Blanco), foi presidente do país entre 1990 e 1995.
Houve ainda uma terceira candidatura, do tradicional partido de direita, o Colorado, que obteve pouco mais de 16% dos votos.
Num país que não chega a ter três milhões de eleitores, o vencedor foi o candidato da “esquerda”, com 47,5% dos votos, enquanto que o da “direita” obteve 28,5%, sendo que as urnas contaram com um comparecimento de quase 90% dos eleitores.
O segundo turno, marcado para 29 de novembro, não apresentará grandes mudanças nas campanhas e deve manter o levíssimo -para não dizer inexistente- grau de polarização. Isso porque, durante a campanha, o suposto candidato da esquerda, Mujica, fez questão de ressaltar as semelhanças entre as principais candidaturas.
Mujica chamou o Partido Nacional e o Partido Colorado, organizações da direita tradicional uruguaia, a fazerem um “pacto nacional” pelo desenvolvimento do país. Seu argumento foi o mais escandaloso possível: “Estamos tão longe quanto parece às vezes? Se olharmos os programas e lermos os discursos com ânimo construtivo vamos ver que há muitos pontos de vista compartilhados”.
Numa eleição em que a “esquerda” faz questão de publicizar suas semelhanças com a direita, nem o mais otimista pode ter expectativas em um governo verdadeiramente de esquerda. Da mesma forma, sempre que perguntado, e como um de seus eixos de campanha, Mujica sempre defendeu os “investidores” internacionais, ou seja, os especuladores, numerosos no Uruguai, que é conhecido como ema espécie de “paraíso fiscal”.
Apostando em uma vitória de Mujica em novembro, o que há é a continuidade de governos de Frente Popular no Uruguai. Assim, apenas reforça nossa compreensão de que a grande aposta da burguesia -mundialmente- para tentar recompor o regime democrático-burguês e sustentar o capitalismo são os governos de Frente Popular. Neste sentido, o congresso uruguaio, onde as cadeiras já foram definidas, já garante maioria absoluta à Frente Ampla, com 50 deputados de um total de 99 e 16 senadores de um total de 30.
Os governos de Frente Popular vêm crescendo na América Latina, alguns inclusive sendo reeleitos. Entretanto, não demoram muito a apresentarem seu real objetivo às massas e, consequentemente, provocarem uma grande desilusão. Com Lula foi assim: eleito em 2003, com caravanas de apoio, esperança de milhares de pessoas de, finalmente, mudarem concretamente suas vidas; hoje, ao fim de um segundo mandato, a imensa maioria das pessoas entende que Lula é IGUAL aos outros. Rouba, mente, engana, faz algumas coisas boas, faz muitas coisas ruins, assim como todos os outros presidentes.
Assim, não é de se esperar que Mujica promova quaisquer mudanças na atual situação uruguaia -principalmente considerando-se que é o candidato da situação-. Caso vença Lacalle, também não faz grande diferença, pois ambos, apesar das origens opostas, tem projetos muitíssimo semelhantes -como o próprio ex-guerrilheiro assumiu-. É importante denunciar à classe trabalhadora uruguaia que não há qualquer polarização entre os dois candidatos, e que qualquer disputa entre “esquerda” e “direita” é fictícia nestas eleições.
Mas vale a experiência feita, de que os governos eleitos, comprometidos com o regime e o sistema, não podem fazer absolutamente nada pela classe trabalhadora. Apenas nossa luta, enquanto classe unida, pode transformar nossa realidade.
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