Publicado em 18/09/2009

“Emergentes” afundam! Países apontados como exemplos de que pobres podiam se desenvolver são esmagados pela crise econômica

Depois de aparecerem como capas de revistas, e serem apontados como exemplos a serem seguidos, os países capitalistas periféricos, seja sub-imperialistas, seja semicoloniais, foram à bancarrota diante da crise mundial.

Esse filme já tinha sido visto com os Tigres asiáticos, como eram conhecidos países como Malásia, Cingapura e Tailândia. Após a crise de 1997, porém, estes locais voltaram à realidade e praticamente faliram.

Desta vez, a Islândia, queridinha do neoliberiais, e a Irlanda, país de maior crescimento dentro da Europa,chamada de Tigre celta, foram os primeiros a quebrarem. Mas não foram os únicos. Depois deles, veio mais “gente famosa” atrás.

México: tão perto dos estados Unidos e tão longe da riqueza.

Depois de ser apresentado como o exemplo de que a integração com os EUA dava certo, com números de crescimento do PIB bastante altos após a adoção do NAFTA (que unia os dois países mais o Canadá), o México foi para o buraco.

Sob efeito da gripe A e da falta de investimentos sociais e em saúde, fruto de década de privatizações, o México teve sua maior retração econômica da História.

A principal razão da queda extraordinária de 10,3% do PIB no 2º trimestre de 2009, mesmo quando o pior está passando em um ou outro local, se explica pela crise dos EUA.

O México, desde 1999, ano do NAFTA, se converteu numa semicolônia ainda mais explorada e subalterna dos EUA. A mão-de-obra barata foi deixada ainda mais barata e sem direitos, para ser contratada por empresas do vizinho do norte, que não deixa nenhum centavo no país, pois há isenção de impostos e os lucros são enviados às matrizes nos EUA.

Como resultado, uma desaceleração nos EUA provoca uma catástrofe no México. Antes dos 10,3% negativos, a segunda maior economia da América Latina já havia recuado 8% no 1º trimestre.

Os EUA compram nada mais nada menos que 80% das exportações do México, que virou uma plataforma de produção de produtos agrícolas e minerais a preço de banana. Até o corrupto e direitista presidente mexicano, Felipe Calderón, disse que o PIB do país deve cair entre 7% e 8% em 2009, numa calamidade econômica.

A Rússia despencou!

Xodó da restauração capitalista, a economia russa se contraiu em 10,9% de abril a junho deste ano em relação ao mesmo período de 2008, na maior queda em mais de uma década do PIB do país. Nos primeiros três meses deste ano, o PIB russo recuou 9,8%. Com isso, o país entrou oficialmente em recessão, o que não ocorria desde 1999.

A Rússia, apontada como liderança em crescimento, ao lado de China, Índia e Brasil, no chamado BRIC, vem sendo afetada principalmente pela alta dependência da sua economia de produtos primários (commodities) como petróleo, cujos preços despencaram com a menor demanda global.

A saída de parte dos especuladores das bolsas de países “menos confiáveis” e os efeitos na economia local do falta de crédito também prejudicaram o resultado do segundo trimestre. Mas, assim como no México, a Rússia quebrou porque seu crescimento anterior, de recordes 6% anuais em média, era uma farsa, baseada numa produção industrial em fábricas cujos proprietários são burgueses estrangeiros, ou associados a eles.

O presidente Dmitri Medvedev admitiu que a economia russa "desmoronou" com o colapso nos preços de commodities como petróleo, gás natural e minerais. E não há como esperar nenhuma mudança significativa neste cenário, pois o capitalismo russo ocupa um espaço marginal no espaço mundial, e o imperialismo impede que haja novas grandes potências. A Rússia grande é uma imagem do passado, cada vez mais...

Espanha: até nos “ricos”, a crise desfez a máscara

A economia da Espanha contraiu-se mais que o esperado no segundo trimestre, contrastando até mesmo com a suposta “recuperação” de Alemanha e França, que seguem em recessão real, mas que interromperam a recessão técnica.

O Produto Interno Bruto (PIB) espanhol do segundo trimestre caiu 1,1% sobre o primeiro, quando a retração foi de 1,6%, informou a agência nacional de estatísticas nesta quinta-feira. Em relação ao segundo trimestre de 2008, o PIB caiu 4,2%, a maior queda da série histórica iniciada em 1970!

O dado compara-se com a previsão do banco central do país de declínio de 0,9% e com a divulgação preliminar de queda de 1% ao longo de todo o ano, no que deve ser um dos piores resultados do continente. A demanda doméstica caiu 7,3% ano a ano, seguindo o recuo de 6,1% no primeiro trimestre.

Este triste momento espanhol sucede um período de crescimento irreal e muito elevado, que transformava um até então país secundário na economia europeia, no centro das atividades imobiliárias da Europa, assim como sede de bancos, empresas de telefonia e serviços bastante lucrativas.

Agora, com a crise, a Espanha é uma das que mais sente seus efeitos, com índices recordes de desemprego, que chegam a 20% da população do país.

Espanha: mais uma ilusão que se esvai. Mais um exemplo que não há salvação nacional ou independência dentro do capitalismo monopolista e imperialista de nossos tempos.

 

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