Publicado em 10/08/2009

Empresário que demitiu é morto por linchamento na China. Massa de trabalhadores, furiosa, mata patrão. 

Há poucas semanas, um fato inusitado foi pouco divulgado na imprensa mundial: trabalhadores chineses lincharam um empresário que havia sido o responsável por demitir milhares de operários. A empresa Jianlong Steel Group estava comprando a Tonghua Iron, a maior produtora de aço da Província de Jilin, no nordeste da China, numa fusão com o objetivo de reduzir funcionários e aumentar os lucros.

Este movimento, chamado pelo eufemismo de “reestruturação” seria apenas mais um movimento dentro do capitalismo em sua época imperialista, de superconcentração da produção e ataque aos trabalhadores. Mas desta vez, a história foi contada pelos vencidos.

Chen Guojun, executivo da Jianlong de Pequim, havia sido enviado para gerenciar a Tonghua e foi linchado por manifestantes após anunciar que a unidade cortaria o número de funcionários, dos atuais cerca de 30 mil para 5 mil! Segundo a própria agência de notícia oficial chinesa Xinhua, o número de manifestantes chegou a "mais de mil". O China Daily informou que as manifestações reuniram mais de 3 mil pessoas.

Independente dos números exatos, certamente diminuídos por uma imprensa censurada, num país controlado por uma ditadura, o fato é que uma multidão foi às ruas lutar por emprego e punir o patrão que a atacava.

Depois da morte de Chen, foi anunciada a retirada do processo de fusão, sendo que a justificativa nem tentou ser maquiada, culpando a crise econômica ou outro fator. A Comissão de Administração e Supervisão estatal em Jilin, mesmo, reconheceu que, devido à onda de protestos violentos dos trabalhadores da Tonghua Irons e de seus familiares contra o plano de aquisição pelo grupo de Pequim, é que a fusão foi derrotada.

Jianlong e Tonghua tinham assinado um acordo de reestruturação em 2005, que incluía uma participação de 36% da Jianlong na estatal. A crise na indústria do aço, que começou no ano passado, provocou perdas financeiras na Tonghua, o que ampliou a preocupação com as empresas do setor e serviu para acelerar a fusão. Agora, depois de protestos tão numerosos e radicalizados, o plano da burguesia e da burocracia estatal que a sustenta e compõe para o setor sofre uma dura derrota.

Os trabalhadores mostraram que o patrão,quando anuncia demissões, está divulgando apenas sua vontade. Há um enorme caminho entre o anúncio de demitir e a demissão de verdade. Os manifestantes chineses, por meio do legítimo ódio de classe e da defesa de suas vidas, fizeram prevalecer sua vontade e reagiram com violência à violência da patronal contra eles, expressa no desemprego e miséria a que teriam sido submetidos sem o protesto.

A burguesia e seus governos cansam de matar trabalhadores mundo afora para defender suas propriedades, seus lucros e privilégios. Os trabalhadores podem e precisam reagir a estes ataques. O linchamento do empresário chinês é a prova de que, mesmo sob uma ditadura, com um governo sanguinário e capitalista, os operários podem resistir. O exemplo em Jilin, para além da morte do explorador, mostrou que só a luta muda a vida, ao salvar milhares de outras vidas: dos trabalhadores, seus familiares e outras pessoas que vivem da economia gerada em função da produção da empresa.

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