Publicado em 25/03/2010

Irã aumenta o nível de enriquecimento do urânio e comunidade internacional protesta.

Recentemente, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad anunciou em um pronunciamento em seu canal de televisão estatal que o país irá elevar o grau de enriquecimento de urânio dos atuais 3,5% para 20%. Segundo os iranianos, esta medida será utilizada para fabricação de combustível a reatores nucleares e também para fins medicinais, já que o urânio pode ser usado no exame da tireóide e no tratamento do câncer, por exemplo.

Conforme um acordo que vinha sendo costurado entre o país persa e a comunidade internacional, contudo, o enriquecimento do urânio poderia ser de no máximo 5%. E que, se fosse necessário aumentar o nível de enriquecimento, o elemento deveria ser enviado para o exterior, para só então obter os 20% e retornar ao país. Ou seja, o país além de não poder enriquecer o urânio em seu próprio território, teria que pagar para outro país que detivesse a tecnologia necessária para fazê-lo. Tudo com a intenção de forçar o país a interromper as pesquisas.

Os países que fariam o procedimento são os mesmos que atualmente ameaçam os iranianos com embargos e sanções. Ao mesmo tempo, também são aqueles países que detêm milhares de ogivas nucleares em seus arsenais.

Imperialistas temem a fabricação de bomba.

A tecnologia nuclear não deve ser monopólio.

Os países da União Europeia e dos Estados Unidos temem que o aperfeiçoamento da tecnologia nuclear iraniana possa colaborar para o objetivo de permitir ao país construir sua própria bomba nuclear.

Para fabricar uma bomba atômica, é necessário que o urânio esteja enriquecido a mais de 90%. Com suas novas centrífugas, o Irã pode enriquecer o elemento a um nível de até 80%. Mas segundo o presidente iraniano isso não será feito, pois não existe a necessidade.

Mas diante de tantas ameaças que os países exercem na região, a própria população apoia o projeto, como forma de autodefesa diante de iminentes ataques.

Esse sentimento anti-imperialista está enraizado entre os trabalhadores, principalmente pelos acontecimentos que antecederam a revolução iraniana, que derrubou o antigo Xá Mohammad Reza Pahlevi. Os EUA estiveram presentes apoiando o Xá, um governo com características monarquistas, por ser alinhado com o imperialismo. A CIA teve o papel de tentar desmobilizar as organizações pró-república islâmica.

Da mesma forma, atualmente quem detém as condições capazes para a fabricação de uma bomba atômica são países imperialistas, que não abrem mão do monopólio da tecnologia necessária para a fabricação.

A capacidade nuclear ameaça a exploração que os países ricos impõem a países mais pobres e vulneráveis, que eles exploram. Por isso, fazem todo o possível para que o Irã não tenha o conhecimento e  a tecnologia suficientes para fabricar suas armas, ficando sem defesa diante dos ataques daqueles que querem roubar todas as suas riquezas.

Que os trabalhadores assumam o controle dos programas nucleares.

Todos os países explorados devem ter o direito a terem o seu programa nuclear, seja para fins pacíficos ou para a fabricação de armamentos nucleares. Ainda mais enquanto os países ricos, os mesmos que tem cadeira no Conselho de Segurança da ONU, possuem milhares de ogivas nucleares.

Mas os trabalhadores devem lutar para colocar esses programas a serviço e controlado pelos proletários, utilizado-os para se defender dos ataques da burguesia imperialista e de seus aliados, que querem cada vez mais explorar os trabalhadores e aumentar os seus lucros.

Portanto, devemos dar todo apoio ao Irã para derrotar os imperialistas que querem roubar a sua principal fonte de riqueza - o petróleo. Mas, ao mesmo tempo em que lutamos contra o inimigo que vem de fora, não podemos deixar de lutar junto com seus trabalhadores para derrotar o governo do próprio Irã e sua burguesia , que exploram e o oprimem os trabalhadores, diariamente e com mãos de ferro.

O direito à autodefesa é fundamental e parte da luta e resistência contra a exploração dos povos. A independência do Irã e dos países da região passa também por este aspecto. Mas, junto disso, é decisivo que sejam os trabalhadores a assumirem o processo, caso contrário a arma nuclear, assim como os fuzis da atual polícia de Ahmadinejad, será usada apenas para ameaçar os trabalhadores.

 

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