Publicada em 26/11/2008

Obama anuncia equipe de governo aprovada pelo mercado internacional

O anúncio da equipe econômica de Barack Obama foi bem recebido pelo mercado internacional na última segunda-feira, 24 de novembro.

O nome mais aplaudido foi o de Timothy Geithner. Quem é ele? Atualmente, é o presidente do Banco Central de Nova York (Federal Reserve), mas foi subsecretário no Departamento de Tesouro durante a gestão de Bill Clinton (de 1999 a 2001), de onde saiu e ingressou no FMI -Fundo Monetário Internacional- até 2003.

Esse assumirá o Departamento do Tesouro, enquanto que o outro escolhido de Obama, Lawrence Summers, será diretor do Conselho Econômico Nacional. Só para esclarecer: Lawrence Summers é o ex-presidente do Federal Reserve.

Somados à definição de Hillary Clinton como Secretária de Estado, esses primeiros nomes são um banho de água fria para aqueles que contavam com grandes mudanças a partir da gestão de Obama.

Ele, que assume a presidência dos Estados Unidos em 20 de janeiro, definiu essa equipe como as “melhores mentes” para guiarem o país nesse momento de crise econômica. Não há dúvida de que são os melhores nomes para o empresariado no mundo inteiro.

Porém, Obama gerou toda uma expectativa de mudança, principalmente, entre os setores explorados e oprimidos por esse alto empresariado. São esses os setores que mais estão sofrendo com a crise econômica, perdendo seus empregos e sendo despejados de suas casas. Os grandes executivos seguem andando em seus jatinhos particulares...

Ao definir uma equipe como essa, Obama só apresenta indícios de continuidade em seu futuro governo. Trouxe um membro fortíssimo da gestão de Bill Clinton que, ainda que não fosse truculento e intransigente como George Bush, fortaleceu o caráter imperialista dos EUA por todo o mundo, sem combater problemas históricos no país, como a super-exploração sobre negros e imigrantes. 

                Obama, que se comprometeu a apoiar o Estado de Israel no que for preciso e reforçar o número de soldados na ocupação do Afeganistão, recebeu como resposta da rede de Osama Bin Laden, a Al-Qaeda, que é um “escravo negro dos brancos”. O Irã, a partir da promessa do futuro presidente de impedir o desenvolvimento de energia nuclear no país, já havia expressado a mesma desesperança.

            Não deixa de ser interessante que presidentes que se dizem tão de esquerda -Chávez na Venezuela, Evo na Bolívia, Rafael no Equador- não tenham feito qualquer manifestação quanto a isso.

            A equipe de Barack Obama é coerente com a plataforma de governo de um candidato que, ao longo de toda a campanha, não fez qualquer enfrentamento com a burguesia imperialista de seu país, e nem se comprometeu a isso. Sua promessa é e  foi a de um governo que vai buscar a conciliação entre o empresariado, dentro dos Partidos Democrata e Republicano, sem resolver a essência dos problemas dos trabalhadores de seu país.

Antes mesmo de assumir o cargo para o qual se elegeu, Obama já mostra a que veio e dá claros sinais, em vários aspectos da política do principal país imperialista, de que ele é a certeza de que o próximo governo será, em sua essência, igual ao de Bush. Mesmo que assuma algumas políticas diferentes, tendo de fazer uma concessão ali, e avançar em algumas situações, como Guantánamo e na posição em defesa das pesquisas com células-tronco, por exemplo, no seu conteúdo o governo norte-americano seguirá o mesmo: defendo os grandes empresários e burgueses imperialistas. O anuncio de sua equipe de governo apenas é um dos primeiros exemplos deste fato.

 

 

 
 
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