ETA anuncia cessar-fogo.
Mas governo espanhol não acredita!
O grupo separatista basco ETA lançou, no último domingo 5 de setembro, um manifesto no qual pede trégua e anuncia o cessar-fogo.
Através de um vídeo exibindo um grupo de três militantes encapuzados, com bandeiras do ETA ao fundo, a guerrilha comprometeu-se a não realizar mais atentados em sua luta pela independência do país basco (entre o norte da Espanha e o sudoeste da França).
A luta armada, e isolada, do ETA por independência já dura mais de 40 anos e resultou em mais de 800 mortes nos atentados assumidos pelo grupo.
O ministro do Interior do País Basco, Alfredo Perez Rubalcaba, afirmou, no entanto, que a declaração é "insuficiente". Ele avalia que o anúncio de cessar-fogo pode muito bem ser uma tentativa do ETA de legitimar seu braço político, o Batasuna, antes das eleições municipais que terão lugar em 2011. “Parece mais um período de descanso de duração indeterminada do que algo indicativo de uma disposição real de lançar-se em um processo de paz", disse François Heisbourg, da Fundação de Pesquisas Estratégicas, sediada em Paris.
Assim, o governo espanhol reagiu com ceticismo diante do “comprometimento” do ETA, lembrando que o grupo já rompeu a “trégua” em três ocasiões anteriores (a última, em 2006, na explosão de uma bomba no aeroporto de Madri, quando morreram duas pessoas).
O receio do governo é compreensível, justamente devido a essas “quebras”. Entretanto, diante do enfraquecimento político do grupo, não é absurda essa decisão de “baixar armas”.
Esse destino de enfraquecimento político, com a perda de militantes e de apoiadores dentro do próprio País Basco, já havia sido traçado no momento em que o movimento optou por ser, na prática, uma guerrilha, ao invés de uma organização de massas. Segue o caminho de outras guerrilhas que faliram: FARC, IRA, Tupamaros, Sandero Luminozo... Como são afastadas da massa, da classe trabalhadora, dos movimentos sociais, isoladas num ideal de pureza da sua organização política “livre dos ignorantes”, acabam por cometerem recorrentemente os mesmos equívocos. Os atentados terroristas são apenas parte deles!
Defendemos a autonomia e independência dos bascos, e que essa luta seja feita dentro da concepção de democracia operária, através de organismos legítimos da sua sociedade, direcionada contra os verdadeiros responsáveis pela sua opressão, sem o assassinato de civis inocentes!
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