Evo Morales expropria opositores em nome do “socialismo ” do Século XXI
Logo após vencer as eleições bolivianas com uma grande maioria , de 62% dos votos , e se reeleger, o presidente Evo Morales aproveita o momento de popularidade para avançar com suas medidas que visam ao “socialismo ” do século XXI .
Evo, em meados de dezembro, anunciou a expropriação de terras de seus principais opositores. Manfred Reyes Villa, que foi candidato à presidência, e a família Marinkovic, tradicional da burguesia boliviana, terão suas terras expropriadas . Elas serão divididas para a população indígena , conforme foi anunciado . O INRA (Instituto Nacional da Reforma Agrária) fará a distribuição aos trabalhadores sem terra .
Essas medidas, que Morales acaba de divulgar , expressam a pressão popular sobre seu governo, e deixam claro que Evo precisa fazer concessões aos trabalhadores como forma de se manter no poder, diante de uma classe trabalhadora mobilizada e organizada. Atacar parte da burguesia latifundiária , repassando suas terras para os trabalhadores sem-terra é o resultado vitorioso de uma das lutas populares mais importantes num país agrário como a Bolívia .
Porém, Evo Morales não promove nenhuma reforma agrária à altura das necessidades dos trabalhadores pobres da Bolívia com esta medida. Há, ao contrário de Reyes Villa, outros latifundiários que são amigos do regime; aqueles que financiaram a campanha eleitoral da reeleição , e assinam embaixo seus projetos . Estes não têm seus latifúndios ameaçados .
O que existe por trás dessas medidas , portanto, é uma tentativa de enfraquecimento da oposição burguesa, que ameaça o governo de Evo Morales , ex-líder cocaleiro. Isso fica claro quando observamos que as terras que estão se expropriando, em sua maioria, são pertencentes à província de Santa Cruz, local onde se fundou um reduto de oposição, e que inclusive estava propondo a separação da província do restante do pequeno país .
Esta proposta golpista, que chegou a quase principiar uma guerra civil no país, iria jogar a maioria da população, já muito pobre, numa pauperização ainda maior, tendo em vista que as grandes reservas de gás natural, a maior riqueza boliviana, ficam nessa faixa terra , e seriam inteiramente dominadas pelos latifundiários da região, caso houvesse a separação .
De toda forma, a reforma agrária extremamente limitada que anuncia Evo Morales não resolve os problemas do campo, e sim faz uma jogada para a plateia, combinando isso com o ataque econômico a alguns de seus adversários políticos.
Evo Morales , com seu novo "socialismo " (que nada mais é que o velho capitalismo de sempre, com alguns traços populistas, nacionalistas e de retórica social) , assim como Hugo Chávez, tenta promover um fortalecimento da burguesia nacional, ligada diretamente aos interesses do regime atual .
Dessa maneira, aqueles que mais enriquecem na Bolívia, assim como na Venezuela , são os burocratas do governo, que por consequência se tornam entraves para a luta dos trabalhadores . São modelos de desenvolvimento burgueses que opõe Reyes Villa e Evo Morales, por exemplo. Um defende um sistema mais nacional, sustentado em entidades populares e operárias, sob um governo de Frente Popular; e outro pretende um governo diretamente associado ao imperialismo. Nenhum, contudo, representa os interesses dos trabalhadores.
Por isso , as expropriações que Evo promove são totalmente limitadas , e a luta dos trabalhadores bolivianos deve ser por avançar ainda mais, expropriando sem indenizações tanto a burguesia opositora ao governo, quanto a burguesia amiga de Morales .
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