Publicado em 17/09/2009

Nelsinho, Renault e a Fraude na Fórmula 1: no capitalismo, nenhum esporte sai ileso!

A Fórmula 1 voltou a protagonizar escândalos na última semana. Dessa vez, através da escuderia Renault e do piloto Nelsinho Piquet.

A Fórmula 1, nada popular no Brasil e pouquíssimo assistida, é esporte das elites, únicas a acompanharem ao vivo as caríssimas corridas e responsáveis por formarem seus corredores.

O esporte já passou por diversas acusações de resultados armados, forjados e comprados. Quem assiste lembra-se das ordens vindas dos boxes para Rubinho entregar a corrida para Schumacher, seu companheiro de Ferrari, e isso não é nada perto das armações, como retirar equipamento de segurança dos carros para diminuir seu peso, e coisas do tipo. Logo, não é nenhuma novidade nesse meio. Mas o teor do bate-boca - e o grau de baixaria - vem chamando a atenção.

Tudo começou com a denúncia de que, no GP de Cingapura, em 2008, Nelsinho Piquet teria sido orientado a provocar um acidente para beneficiar seu companheiro de equipe, o espanhol Fernando Alonso. A Federação Internacional de Automobilismo -FIA- afirma ter evidências de que foi exatamente isso o que aconteceu. Em depoimento à própria FIA, Nelsinho reconheceu a “farsa”, dizendo que tudo passou pela orientação de Flavio Briatore e Pat Symonds (dirigentes da Renault).

Mas, mais ridícula e escandalosa que a denúncia, é a resposta de Briatore, negando tudo e levantando aspectos da vida particular do piloto (que, segundo ele, teria um relacionamento com um homem mais velho, sobre o qual seu pai, o também piloto, Nelson Piquet, teria lhe pedido que intercedesse para terminar). Briatore é conhecido por seu comportamento inescrupuloso, adulterações de carro e falcatruas pessoais, sendo conhecido como um playboy do "circo" da F1.

Agora que o caso assumiu proporções descontroladas e que a Renault está ameaçada até de ser expulsa das competições, Briatore negociou um acordo com a Renault (que sempre soube do caráter e "propostas indecentes" de Briatore), em que aceitou ser afastado, para que parecesse que a construtora nada sabia. Assim, o ex-diretor vai levar a culpa, mas saiu sem ser uma vez sequer criticado pela empresa, que deve ter feito um acerto milionário para deixar tudo acertado com Briatore.

Fraude e manipulação de resultados, lado a lado com os esportes

A fraude e a “compra” de resultados não é algo exclusivo da F1. Os gângsteres do esporte vão além de Briatore e estão nas armações do boxe, do basquete e assim por diante.

O futebol, esporte mais popular -e lucrativo- do nosso país, frequentemente é envolvido em suspeitas de arbitragem, por exemplo. Um dos mais recentes casos foi o da “Máfia do Apito”, no Campeonato Brasileiro de 2005.

Após comprovarem-se a manipulação e combinação de resultados, a CBF determinou a anulação de 11 jogos do campeonato, alterando totalmente sua tabela e classificação. Fundamental aqui lembrar que todos os envolvidos saíram impunes -árbitros e dirigentes-. Além disso, é raro ver um campeonato em que jogos decisivos não tenham tido o resultado fraudado ou, ao menos, colocado em suspeita.

Em 2005, o roubo foi tão grande que até o então presidente do clube campeão, o Corinthians, admitiu que o título foi um golpe. Da mesma forma, no ano passado houve troca do juiz na última rodada do Brasileirão, pelo fato do árbitro escalado ter recebido ingressos do São Paulo (que foi oficialmente o campeão) para um show da cantora Madonna, em turnê pelo país.

Tudo isso é compreensível, ao constatarmos que os esportes, de um modo geral, não são mais meras formas de entretenimento. Há muito dinheiro envolvido, através de patrocinadores e empresários. Os clubes comprados por empresários são um ótimo exemplo. O futebol, hoje, serve para lavar dinheiro da máfia russa, de fontes ilegais de todo tipo, e para enriquecer dirigentes corruptos, juízes vendidos, e uma quadrilha que envolve técnicos, empresários e profissionais da imprensa, que têm percentual dos passes dos jogadores e fazem da paixão do torcedor apenas mais um negócio, cheio de notícias plantadas e negociatas.

Assim, esperar pela ética e lisura nos esportes é romântico e idealista, bem distante da realidade. No momento em que deixarem de ser uma fonte de lucro e especulação, e quando voltarem a ser formas de lazer, saúde e entretenimento; aí sim, de fato, poderemos acreditar em competições limpas, sem intervenção de “forças alheias”. Mas para isso ser viável, somente quando a sociedade também deixar de ser controlada pelos corruptos, empresários e mafiosos.Ou seja, somente com o fim do capitalismo.

VOLTAR

 
Notícias Relacionadas

• Obama perde popularidade. Por ser de esquerda? Ou por não ser de esquerda?

• GM falida e estatizada: o que os trabalhadores ganham ou perdem?

•A HIPOCRISIA DO FECHAMENTO DE GUANTANAMO

•Ahmadinejad é o inimigo nº 1 do mundo? Quais o motivos da campanha dos EUA, de Israel e dos sionistas contra o presidente iraniano e qual a posição dos revolucionários sobre o Irã?

• Obama realiza maior matança no Afeganistão desde 2001

• O leste europeu 20 anos depois da queda do muro: Geração pós-queda do muro de Berlim diz não ao capitalismo no Leste Europeu

• Crise põe PIB mundial em queda livre: Pela 1ª vez, economia mundial deve ter recessão anual