Publicada em 15/12/2009

Fatah palestino mais uma vez trai seu povo se aliando aos EUA. Dessa vez, o grupo moderado é cúmplice da prisão de um de seus próprios líderes.

 

Recentemente, a situação da luta pela libertação palestina ganhou novos contornos, mas segue com um horizonte bastante pessimista. Após a eleição de Barack Obama, nos EUA, com a promessa de não se alinhar mais tão automaticamente à Israel, e de defender a criação de um Estado palestino, a realidade já desmontou essa farsa.

A política sionista e seminazista de aumentar as colônias ilegais judaicas em território palestino prosseguiu. Obama não apenas não fez nada a respeito, como segue a estratégia de ignorar a vontade da maioria palestina, que elegeu o Hamas como seu interlocutor e representante, à medida que foi o governo democraticamente eleito.

Bush, junto do Estado terrorista de Israel e dos traidores do grupo Fatah, deram um golpe e se apoderaram do governo na Cisjordânia, restando ao Hamas apenas a faixa de Gaza. Agora, porém, Obama, novamente em conluio com Israel e os vendidos dirigentes do Fatah, tramam contra centenas de militantes árabes, inclusive adversários internos, que compõe o próprio Fatah.

O Hamas, e outros grupos, numa ação incrível e vitoriosa, conseguiram sequestrar, há alguns anos, o soldado israelense Gilad Shalit, membro de uma incursão criminosa de ocupação na Faixa de Gaza. O Hamas, ao invés de pretender negociar dinheiro ou cargos em colaboração com os EUA e Israel, como faz o Fatah, tenta libertar prisioneiros em troca de Gilad. Seriam centenas de prisioneiros palestinos, incluindo membros do golpista e traidor Fatah, mas que já teve militantes combativos, envolvidos em ações contra Israel.

Segundo o jornal árabe "Al Hayyat", contudo, Israel deve rejeitar a libertação de 100 dos 450 presos que o Hamas exige que sejam libertados em uma primeira fase da troca. As motivações são tão escabrosas, mesmo para um Estado ilegítimo como Israel, que atirou bombas de fósforo branco e outros materiais proibidos sobre crianças palestinas, que a simples ameaça de revelar o conteúdo das negociações, por parte do Hamas, causou alarme.

O caso é que Israel se recusa a libertar vários presos palestinos, alegando que cometeram “delitos de sangue”, mas isso encobre, na verdade, uma política de perseguição seletiva a alguns militantes em particular. É o caso, principalmente, de Marwan Barghouti, dirigente do Fatah e preso no Estado judeu por cumplicidade na organização de atentados.

Barghouti é considerado o provável sucessor de Abbas como líder do Fatah, e sua libertação, graças a uma gestão do Hamas, rival do movimento agora cúmplice de Israel, significaria um enfraquecimento político do atual presidente palestino, com consequências negativas a sua gestão oportunista e traidora, tão agradável aos Estados Unidos na Cisjordânia.

De acordo com fontes diplomáticas, os Estados Unidos e vários países ocidentais teriam pressionado as autoridades israelenses para que a libertação de Barghouti não fizesse parte da troca, a fim de preservar a autoridade de Abbas, bem mais moderado e capacho.

Este caso deixa bem claro que o Fatah, como tantos outros grupos que se dizem representantes e defensores dos palestinos e outros povos oprimidos, na verdade, muitas vezes são co-responsáveis pelos ataques a seu próprio povo e classe trabalhadora, nesse caso indo até o ponto de ser contra alguns de seus próprios integrantes políticos.

A única esperança aos palestinos é construir, junto da resistência, uma nova direção política, que repudie o fundamentalismo religioso do Hamas e a traição do Fatah. Essa é a luta que pode levar ao fim de Israel e à construção de uma Palestina única, laica, não-racista e dos trabalhadores!

 

 

 

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