Publicado em 09/04/2009

Surgem favelas no centro do capitalismo:

Nos EUA, milhares de pessoas já moram em barracas de plástico no meio do nada, ao mesmo tempo em que ONU anuncia que número de moradores de favelas irá triplicar nos próximos anos.

Geralmente quando pensamos em favelas, logo vem em nossas cabeças países imagens de países pobres, do chamado “terceiro mundo”. Pensarmos que existem favelas em países de “primeiro mundo” é inimaginável, certo?  Errado! Nos EUA, elas já começaram a aparecer e já contam com dezenas de milhares de pessoas.

No início, eram apenas algumas barracas de acampamento montadas em uma área abandonada, em Sacramento, capital da Califórnia. Mas, em menos de um mês, já são mais de 1.400 pessoas morando na chamada “cidade das tendas”, no meio do lixo e do esgoto, não tendo acesso à energia elétrica, banho e, em muitos casos, passando fome. A maioria das pessoas que estão vivendo neste lugar são os novos desempregados dos EUA, que perderam seus empregos graças à crise mundial.

O que vem acontecendo nos EUA é parte de um processo mundial, decorrente da crise econômica, em que são os trabalhadores os que estão pagando a conta da crise que os ricos fizeram . Este fato é comprovado pela recente divulgação feita pelo Secretário Geral da ONU, embasada em dados do Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (UN-Habitat), em um evento da organização na capital do Quênia. Segundo o órgão da ONU, o número de moradores de favelas no mundo triplicará, ultrapassando a marca de 3 bilhões de pessoas nos próximos anos, se a conjuntura mundial não se alterar!

Obama: Dinheiros só para os banqueiros, para os favelados nem um centavo...

Enquanto isso, o presidente Barack Obama fez um discurso dizendo que era uma vergonha que um país rico como os Estados Unidos vivesse uma situação assim. O presidente norte-americano se disse com vergonha, chocado e indignado com a situação dos novos favelados americanos. Mas suas preocupações quanto à situação dos moradores da cidade das barracas se limitou a isso: palavras.

Obama não tem nenhuma vergonha em dar bilhões para os banqueiros e empresários norte-americanos, e não dar um único centavo para os desempregados de seu país. Mais do que isso, o presidente dos EUA não tem nenhuma vergonha em gastar bilhões com a guerra de invasão do Iraque e Afeganistão que ele promove e para a qual está recrutando mais milhares de soldados, enquanto o povo passa fome, é demitido e não tem um lugar digno para morar.

O imperialismo americano, por algum tempo, conseguiu fazer pequenas concessões aos seus trabalhadores, dando uma vida minimamente melhor a eles, inclusive porque foi obrigado a isso dada a força da classe trabalhadora americana. Conseguia fazer isso porque explorava em dobro outros trabalhadores nas suas semi-colônias. Mas a forte crise estrutural do capitalismo faz com que a burguesia imperialista não encontre outro modo de salvar suas empresas e lucros, hoje em dia, que não sendo atacar a classe operária de seus próprios países. Não basta mais para as multinacionais e governos dos países imperialistas confiscar a riqueza dos mais pobres; é preciso saquear ainda mais também os salários dos trabalhadores de seus países, rebaixando-os quase ao nível dos países semi-coloniais, num ataque brutal à renda e à condição de vida dos trabalhadores do mundo inteiro.

Para derrotar a crise é preciso derrotar o imperialismo e o capitalismo!

No capitalismo, devido ao seu modo de produção anárquico, e à busca desenfreada por lucro, as crises são inevitáveis e, cada uma delas, se repetem mais fortes que as anteriores. Mas, quando acontecem as crises, e a burguesia começa a perder seus lucros, a saída é sempre a mesma: descontar, sem dó nem piedade, as consequências na classe trabalhadora.

As demissões, a redução de salários e direitos são exatamente isso. E por causa delas é que, a cada dia que passa, mais e mais trabalhadores vão ser obrigados a morar em barracas de plástico nos EUA, assim como em favelas no mundo todo, pois, sem emprego, salários e direitos, não vão conseguir manter suas casas e suas necessidades mais básicas.

O capitalismo está no seu estágio final - como demonstra dramaticamente esta crise mundial -, e, com ele, só temos a ganhar mais favelas e fome. Os trabalhadores do mundo todo têm que lutar juntos por uma nova sociedade; onde os meios de produção sejam colocados sob controles dos trabalhadores; onde tudo o que for produzido não seja criado para gerar lucro de um grupo de burgueses, mas sim para sanar as necessidades do dia a dia do conjunto da sociedade. E isso só será possível com uma revolução que destrua o capitalismo e construa uma sociedade socialista.

A crise deixa uma lição. Ou os trabalhadores acabam com, o capitalismo, ou o capitalismo vai acabar com a vida dos trabalhadores!

 

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