Burguesia sem perspectiva. Fórum de Davos na encruzilhada.
O Fórum Econômico Mundial, em sua 40a edição, continua apagado, como expressão da desmoralização ideológica da burguesia, desde a crise econômica, com os economistas e políticos ainda juntando os cacos da economia capitalista.
Após um encontro em 2009 um tanto tímido, com diversos banqueiros não comparecendo à celebração da exploração do trabalho alheio, em 2010 alguns já saem do buraco, e voltam a defender suas políticas novamente. Mas, mesmo assim, diversos deles continuam fora de cena, o que enfraquece o encontro. Os chefes de EUA, Alemanha, Japão e Grã-Bretanha também não compareceram.
A pauta do Fórum, por sua vez, ainda é marcada pela crise, que, apesar dos meios de comunicação noticiarem que terminou, segue com tudo; e a burguesia tem consciência que está longe de terminar. O lema do Fórum é "Melhorar o estado do mundo: repensar, redesenhar, reconstruir". Esse título foi escolhido após os levantamentos do estudo encomendado pela organização responsável pelo evento chamado “Riscos Globais 2010”, em sua quinta edição. O relatório indica que seis das maiores possíveis ameaças à estabilidade econômica, como falta de investimentos em infraestrutura, crises fiscais, desemprego, inflação, etc.; tendem a aumentar nos próximos 10 anos. Por isso, o tom "humilde" do eixo do encontro, querendo passar a ideia, cuidadosamente encomendada e criada, de "renovação" do capitalismo.
Além disso, sete dos dez maiores riscos ambientais, e as pandemias tendem a se agravar; uma breve demonstração do que está por vir foi a gripe A e a gripe asiática. Além disso tudo, a programação permitiu aos burgueses presentes já discutirem os projetos que estarão sendo implementados para a reconstrução do Haiti.
Mesmo tendo esse relatório acima citado em mãos, os presentes mantiveram o centro do debate na estrutura do sistema financeiro e as políticas de regulamentação acerca disso. A burguesia tem tanta consciência dos problemas que ela mesma criou que, desde a conferência de Bretton Woods, em 1944, não se movimenta para pensar em políticas de regulamentação do sistema bancário.
Assunto primordial após o anúncio de Barack Obama de que enviará projetos aos parlamentares norteamericanos, para regulamentação do setor financeiro, fazendo com que seja limitada a emissão de créditos, e evitando assim os ativos podres, os "bancos" se tornaram o debate da vez. O limite ao crescimento dos bancos, por exemplo, segundo os banqueiros, inibirá ainda mais a retomada de crescimento do setor.
Jacob Frenkel, por exemplo, representando o JP Morgan Chase International, um dos beneficiados dos programas bilionários de salvação que o próprio Obama concedeu, argumentou que limitar o tamanho e as atividades dos bancos não é a melhor resposta para evitar outra crise financeira. É o lobby dos banqueiros mais uma vez, mostrando que não há nada a reformar no capitalismo.
“Está na hora de humanizar o capitalismo”
O maior opositor das idéias neoliberais e defensor das medidas de Obama foi Sarkozy, que a todo custo mantém o discurso de garantir políticas mais enérgicas para conter parcialmente a especulação abusiva dos bancos, dizendo que está na hora do capitalismo ser mais “humanizado” – como se isso fosse possível.
Não deixa de ser irônico que seja sarkozi a fazer este papel fictício de "defensor do Estado e do combate aos bancos", pois o presidente francês foi eleito com o discurso da direita mais neoliberal e xenófoba. Suas falas em defesa das "questões sociais" mostra o peso que a pressão popular e operária têm tido na França.
Mas apesar da aparência, em essência tudo permanecerá da mesma maneira, e os bancos seguirão sendo o setor mais lucrativo do mundo. Até podem-se aplicar medidas para regulamentar o sistema financeiro nos países ricos, como vem sendo delineado pelas propostas dos governos. Porém, as taxas do spread bancário e o lucro real, nos países pobres, continuarão os mesmos, ou até maiores.
Hoje, o capitalismo se encontra em uma encruzilhada sem volta, em que todas as possíveis “fórmulas” para ele se manter se esgotaram. O neoliberalismo nos levou à crise no mundo “pós-estalinismo”. Um capitalismo de Estado generalizado se mantém fora de questão, pois inibe o crescimento voraz, necessário à burguesia imperialista interessada em continuar com suas taxas de lucro. Dessa maneira, o imperialismo não consegue encontrar uma solução plausível para suas demandas.
Esse encontro já demonstra que não terá serventia, da mesma maneira que o COP-15, já que todos aqueles que estão incumbidos de defender os interesses da burguesia estão cada vez mais em um beco sem saída, sem achar respostas. Mas, para os trabalhadores, o que fica cada vez mais claro é que a única solução é a luta em busca do socialismo
Lula “é o cara” para Obama e todos os banqueiros
Lula foi o grande convidado de honra do Fórum de Davos, se somando aos presidentes aliados dos EUA na América Latina: Felipe Calderón do México e Álvaro Uribe da Colômbia. Apesar de não ter comparecido para receber o troféu criado especialmente para ele, apenas por estar doente, o presidente continua sendo o preferido dos banqueiros de Davos.
O petista, inclusive, em seu discurso durante o Fórum Social Mundial, marcado pelo protesto do Movimento Revolucionário, declarou que iria ao Fórum de Davos, mesmo que tivesse perdido o glamour. Mas a burguesia imperialista presente no Fórum Econômico perdoa Lula por esta "crítica", já que ele é “o cara” que garante a maior taxa de juros do mundo.
É por isso que Lula é o Estadista Global, segundo a grande burguesia. Nesta semana, inclusive, na última reunião do COPOM, seu governo manteve a taxa SELIC em 8,75%. Dessa maneira demonstra sua total submissão aos homens de Davos, fiel mantenedor dos interesses dos banqueiros e magnatas.
“Quando cheguei lá (em Davos no ano de 2003), era só desconfiança... Agora estou voltando para receber o título de presidente Global do Ano de 2009” declarou Lula. Desde a primeira ida a Davos, ainda contando com resquícios de seu passado de sindicalista, se passaram sete anos. Sete anos arrochando salários, atacando direito dos trabalhadores, cortando verbas, pagando dívidas - externa e interna, seguindo fielmente tudo o que manda Davos, FMI, Banco Mundial, e todas as instituições da burguesia imperialista.
Por seus serviços fielmente prestados, Lula é merecedor do prêmio.
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