Publicada em 07/05/2007


França: os imigrantes não tiveram candidatos no 2º turno.

__O 2º turno francês resultou no que as pesquisas já indicavam: a vitória de Nicolas Sarkozy (da “centro-direita”) sobre Ségolène Royal ("socialista"). Com 53% dos votos, e um discurso de “moralização do capitalismo”, Sarkozy (da União por um Movimento Popular) venceu Ségolène contando com o apoio maciço dos eleitores de Jean Marie Le Pen, da ultra-direita. Em protesto contra o presidente eleito, mais de 700 carros foram queimados e 592 pessoas foram detidas na madrugada de hoje, 7 de maio. Somente em Paris 70 pessoas foram presas e 35 veículos foram incendiados. Desde já, não se acredita no discurso do novo presidente, de “governar para todos os franceses”.
__Desde quando era o Ministro do Interior de Jaques Chirac, Sarkozy já apresentava suas políticas que de centro-direita só tem o nome: a tolerância zero e a definição de “ralé”, dirigidas aos jovens dos subúrbios franceses, que recentemente haviam queimado carros nas principais cidades do país em protesto à falta de emprego e às péssimas condições de vida, assim como as críticas à jornada de 35 horas semanais dos trabalhadores franceses (que, segundo ele, deveriam trabalhar mais se desejam melhores salários). A questão é que, em oposição a toda essa linha nitidamente neoliberal, racista e xenófoba, colocou-se uma “socialista” que de socialista não tem nada.
Reivindicando “a França da reconciliação”, Ségolène (do Partido Socialista), apresentou um projeto social-democrata, que visava não só rever a jornada trabalhista de 35 horas como também fortalecer os pactos com empresários e banqueiros. Para se “contrapor” à tolerância zero de seu rival, ela também se colocou como crítica da imigração ilegal e não descartou a possibilidade de medidas repressivas contra esses imigrantes e a legião de miseráveis que aumenta todos os dias na França.

A França quer as colônias, mas não os imigrantes.

__A França, que durante décadas ocupou países africanos (como Argélia e Senegal) e os manteve enquanto colônias, ditando seus rumos políticos e econômicos, saqueando suas riquezas, explorando sua mão-de-obra, reprimindo suas reivindicações por independência, hoje se recusa a receber em seu país esses imigrantes que durante todos esses anos foram obrigados a aceitar o colonizador francês em seu território. A questão da violência, que todos os candidatos relacionaram com a imigração, não tem a ver com o aumento de negros africanos na Europa, e sim com a crise do Estado de Bem-Estar Social europeu e do próprio capitalismo, que não podem mais oferecer qualquer beneficio aos trabalhadores sem retirar outros. Assim, a luta contra a imigração é somente o bode expiatório que ambos os candidatos utilizaram para enganar os trabalhadores franceses que o capitalismo ainda pode dar certo.

Não há capitalismo sem racismo e xenofobia

__A crise na qual o capitalismo se encontra, tendo que cada vez mais retirar direitos dos trabalhadores, ocupar países, oferecer falsas alternativas eleitorais, não pode ser resolvida nem por um neoliberal assumido (como Sarkozy) e nem por um enrustido (como Ségolène). Não existe melhora para a classe trabalhadora (com emprego para todos, salários dignos, educação e saúde gratuitas e de qualidade) sem que se rompa com o capitalismo e se construa uma nova sociedade.
__O fato da candidata do Partido Socialista não deixar isso claro e não se dispor a romper com a própria política imperialista expressa o abandono de qualquer traço socialista dentro dessa organização. Logo, não podemos nos enganar que, por criticar Sarkozy e o seu autoritarismo, Ségolène traria qualquer benefício aos trabalhadores. O PS francês, desde François Mitterrand que assumiu o poder em 1981, até Lionel Jospin recentemente, nunca resolveu nenhum problema da classe trabalhadora e, em geral, apenas servia como um “anestésico” sobre a massa, deixando-a sem reação para ser atacada. Esse é o papel das Frentes populares, como a de Lula no Brasil: dizer que governam pelos trabalhadores para poder melhor atacá-los.

__É possível, no entanto (embora improvável), que os ataques aos direitos dos trabalhadores e estudantes fossem aplicados de modo mais sutil e discreto, mas o que não é possível é que eles não fossem ocorrer, e isso é o central da discussão: não interessa um governo burguês que ataque menos, que bata com menos força; o que interessa é existir uma candidatura da classe trabalhadora que rompa com a burguesia, e, destruindo o Estado burguês, governe para os trabalhadores, através da construção de organismos de poder popular onde sejam os metalúrgicos da Renault, os professores, os imigrantes e a juventude a decidir sobre o salário, a jornada de trabalho e a imediata legalização de todos os imigrantes e extensão de todos os diretos sociais e política de emprego pleno para eles.
__Este tipo de governo socialista só é possível de existir como produto de uma revolução, e não de uma eleição. Nas eleições, toda a rebelião das ruas, que viveu a França nos últimos anos (imigrantes em 2005 e estudantes em 2006), não tem como ser vitoriosa. As eleições garantem espaço somente para os grandes partidos, e nosso papel é o de utilizar os espaços disponíveis para fazer propaganda de nosso programa e denunciar a própria farsa das eleições. É só nas ruas e por meio de uma revolução que os imigrantes serão livres, assim como se libertarão as semi-colônias que ainda existem da França, e poderemos construir um Estado operário na França. Um estado operário que se coloque a serviço da revolução mundial em direção a uma sociedade em que não exista mais o preconceito, nem sequer as classes. Uma sociedade comunista, sem Estado e exploração, onde cada um receba de acordo com as suas necessidades e ofereça de acordo com a sua capacidade.

 

- Desde o 1º dia de governo, oposição permanente a Sarkozy
- Abaixo o fascismo e a xenofobia
- Legalização de todos os imigrantes, abertura das fronteiras e direitos para todos.
- Investimentos sociais como hospitais, escolas e moradia nos bairros pobres.
- Abaixo a polícia fascista; pela auto defesa da classe trabalhadora.
- Nativa ou estrangeira, a mesma classe trabalhadora.
- Construir organismos de representação dos imigrantes, que somem esforços pelo partido revolucionário na França.
- retomar e generalizar os protestos dos bairros e dos estudantes para derrotar Sarkozy, o PS e o capitalismo.
- Por um governo dos trabalhadores franceses e imigrantes
- Independência de direito e de fato para a Guiana, Argélia, Senegal

 

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