Publicada em 22/10/2007

RESISTÊNCIA CONTRA SARKOZY AUMENTA NA FRANÇA

Não só no Brasil de Lula, mas também na França de Sarkozy, trabalhadores resistem contra os ataques ao direito de se aposentar.

Na última 5ª feira -18 de outubro- os funcionários do transporte público francês decretaram paralisação por mais 24 horas, paralisação essa iniciada na noite de quarta-feira. O principal motivo da greve seria a proposta do presidente eleito no início do ano, Nicolas Sarkozy, de acabar com as aposentadorias especiais de algumas categorias dos funcionários públicos. Na França, 1,6 milhões de trabalhadores, que fazem parte desse sistema de aposentaria especial, precisam contribuir no mínimo 37,5 anos para poder se aposentar. Sarkozy quer aumentar o tempo de contribuição dos funcionários do transporte, gás e eletricidade para 40 anos. Outras categorias, como marinheiros e mineiros, também recebem aposentadorias especiais, porém não foram incluídas no projeto. Trabalhadores que não recebem também se somaram às paralisações, como os de correios e da educação.

 Além do ataque econômico, nas condições de vida desses trabalhadores, o governo tem o objetivo político de enfraquecer a organização das categorias das estatais, que possuem um grande potencial de mobilização, como já foi demonstrado na greve nacional de 1995, também contra uma alteração no sistema previdenciário, durante o governo Jaques Chirac.  

Esse ataque, direcionado a mais um dos direitos conquistados, com muita luta, pela classe trabalhadora, explica-se por toda a plataforma defendida por Sarkozy durante a campanha eleitoral. Ele foi o candidato apresentado pela direita francesa, em oposição à centrista Segolène Royal, para defender a expulsão dos imigrantes e a retenção de gastos do Estado, ou seja, o corte nos investimentos em saúde, educação, emprego e etc. Ou seja, em nada nos surpreende essa medida, visto que condiz com o que já havia sido proposto por ele em sua campanha.

Isso significa que, se Sarkozy não tivesse sido eleito, a situação seria diferente? Obviamente que não podemos afirmar que Segolène apresentaria a mesma proposta de dar fim às aposentadorias especiais, mas com certeza, seu governo não passaria imune sobre a classe trabalhadora, pois ambos os candidatos eram comprometidos com a burguesia e com o seu projeto de preservar o capitalismo e o regime democrático-burguês.

Mas mais inaceitável do que o ataque de Sarkozy aos direitos dos trabalhadores, é a sua tentativa ridícula em abafar as mobilizações e a greve iniciadas em protesto a essa medida através do anúncio de seu divórcio. Se procurarmos matérias sobre a greve na França nos jornais da burguesia, poderemos encontrar algo diluído em matérias centradas na vida pessoal do presidente, debatendo os motivos de sua separação e outros fuxicos do tipo. Assim, na tentativa da burguesia em esconder que a classe se une, luta e reage na defesa de seus direitos, vale tudo, e isso não é só na França, mas em todo o mundo.

Entretanto, não seriam essas "aposentadorias especiais" uma espécie de privilégio? Primeiramente, temos de entender que entre os trabalhadores há direitos conquistados, e não benefícios ou privilégios concedidos pela burguesia. Os direitos que os trabalhadores têm foram arrancados com muita luta, e somente dessa forma é possível impedir que acabem eles. Em segundo lugar, as pessoas não são iguais e não têm necessidades iguais e, nesse sentido, o discurso de "direitos iguais" é equivocado, por não levar em conta que há, sim, profissões nas quais o trabalhador corre mais riscos, compromete mais sua saúde e tem de dedicar um tempo a mais a esse serviço além de sua jornada de trabalho (como o professor, por exemplo).

Nesse sentido, damos todo apoio aos trabalhadores do transporte público francês e defendemos que sua greve vá além de uma reivindicação específica em relação à determinada categoria e conteste o regime democrático-burguês como um todo, indo contra Sarkozy e toda a corja que o rodeia, seja situação, seja uma oposição de mentirinha, para derrotar esse governo e construir um governo dos trabalhadores. Apesar de essa ser a nossa vontade, estamos cientes de que essa situação não é a mais provável devido, principalmente, à direção dessa luta, que são as mesmas direções sindicais traidoras e conciliadoras.

Portanto, a grande tarefa da classe trabalhadora internacionalmente é, antes de tudo, construir uma direção revolucionária, que dirija suas lutas específicas à verdadeira solução para nossos problemas: a revolução socialista.

 

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