A França na rota da crise!
Depois do desmoronamento das economias de Irlanda, Grécia e Portugal, e dos enormes abalos na Espanha e na Itália, a França, 2º maior economia da zona do euro, também sofre as consequências da crise.
O premiê francês, François Fillon, anunciou novos cortes orçamentários no montante de 65 bilhões de euros até 2016. O primeiro-ministro quer cortar 7 bilhões de euros do orçamento em 2012 e 11,6 bilhões de euros em 2013.
A explicação seria proteger seu rating (risco, conforme as agências de crédito) na nota máxima "AAA" (a mesma que tinham os EUA, antes de uma agência rebaixá-los) e evitar a pressão dos mercados financeiros, que agora está afetando a Itália. Na verdade, não se trata só de melhorar aparências e agradar a agências ou quem quer que seja.
A França está adotando medidas de arrocho, que impactarão no financiamento de programas sociais e gastos com saúde e previdência, por exemplo, porque seus bancos e empresas também sofrerão duras perdas depois do calote grego, em que 50% das dívidas tiveram que ser anistiadas, assim como por que estão visualizando o maremoto financeiro que pode vir da Itália.
É para defender os interesses da sua burguesia que o governo Sarkozy vai atacar ainda mais a população, anunciando a intenção de reduzir o déficit público a zero até 2016 às custas dos direitos sociais.
O projeto de Sarkozy/Fillon prevê antecipar em um ano (2017) a entrada em vigor plena do aumento da idade mínima de aposentadoria (que passa dos 60 anos para os 62), o corte de incentivos sociais e de subsídios para a compra de imóveis. Os impostos vão ser elevados e haverá limite para as despesas da Segurança Social.
O plano também inclui uma alta temporária de 5% em impostos a empresas com capital de giro acima de 250 milhões de euros, e uma elevação na taxa de desconto de vendas de produtos com imposto de valor agregado (VAT, na sigla em inglês) para 7% , contra 5,5%, com exceção de alguns itens.
Na prática, é um pacotaço, que dificilmente os trabalhadores irão digerir sem luta. Ainda são medidas menos draconianas e violentas que as tomadas pela Grécia e mesmo pela Itália, mas já são sintomas de que a crise definitivamente chegou à França. E, depois da crise financeira e das medidas de arrocho, virão a crise social e as manifestações de massa. Ainda mais na França. Alguém duvida?
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