Publicada em 02/01/2010

Réveillon com protestos na França: 1137 carros queimados

        Há alguns anos, na França, um método bastante usado como forma de protesto é a queima de carros. Em geral isso acontece justamente nos bairros de maior concentração de operários, ou de imigrantes, na periferia francesa. Isso já aconteceu de forma mais intensa em 2007, quando a polícia matou um jovem num destes bairros extremamente populosos, levando a uma escalada de violência de classe - os trabalhadores atacando tudo que pudesse representar " o sistema", e os policiais destruindo e massacrando tudo e todos que fossem negros, jovens e "não-franceses".

       Neste momento, o país vive um período de bastante instabilidade política e de forte contestação social, chegando a atos deste tipo, que impactam o mundo inteiro, tamanha a radicalização da luta, que sai dos marcos institucionais e expressa um forte indignação da população contra o governo e os patrões na França. E isso acontece em um país que está entre os que o capitalismo apresenta como modelo de desenvolvimento; onde as pessoas já desfrutaram do chamado "Estado de bem-estar social", com bons empregos, aposentadorias e direitos sociais. Esses protestos, e o último acontecido na virada do ano, prova que no capitalismo não existe um só lugar no mundo em que a classe trabalhadora não tenha piorado de vida ao longo dos anos, e, na França, a antiga realidade é uma miragem nos dias de hoje.

        Na virada de 2008, o número de carros queimados havia sido de 1447 e este ano isso acontece de novo, levando à prisão de mais de 500 manifestantes. Os números dos protestos, porém, são imensamente maiores: mais de 45.000 policiais para tentar conter a revolta nos subúrbios não foram suficientes.

Seguir o exemplo francês: é hora de radicalização das lutas

        A França já nos deu exemplos de luta, com mobilizações massivas contra as reformas educacionais e de precarização do trabalho na juventude; em defesa de uma educação de qualidade e contra o plano de primeiro emprego que retirava direitos e tratava a juventude como mão de obra barata se direito algum. Historicamente, o maio francês de 1968 segue servindo de exemplo até hoje para diversas lutas no mundo todo, e a classe operária do país é recordista europeia em greves gerais.

        A burguesia, de forma consciente, tenta tachar estes movimentos de vândalos, como forma de enfraquecer a luta e a resistência dos trabalhadores e da juventude. Mas, a verdade é que os patrões só entendem este tipo de linguagem: a da revolta e da luta radicalizada, e vandalismo é o que a burguesia faz com a vida dos imigrantes na França.

Por isso, entendemos a queima de carros apenas como o início de uma luta que deve ser muito maior, que é a expropriação de toda a burguesia, com o fim da propriedade privada burguesa, coletivizando os meios de produção e passando o controle do Estado para as mãos dos trabalhadores, através dos seus organismos de luta. E isso dependerá de que mais lutas mais radicalizadas venham a seguir, mas também que surja uma direção revolucionária deste processo, pois a queima de carros, por si só, sem levar à luta por outra sociedade, ficará apenas como uma demonstração de ódio que não terá levado a lugar algum.

O que acontece na França, praticamente todo ano, é um alento e a prova de que os de cima já não podem mais se manter como antes, e os de baixo não aguentam mais viver com tantos ataques, retirada de direitos, etc., mesmo no coração do capitalismo. O desafio, agora, é canalizar o alvo, dos carros, ao poder burguês como um todo.

 

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