Desemprego força os trabalhadores a medidas drásticas: prisão para os patrões que demitem!
Desde que se iniciou a crise financeira, o que já era ruim ficou pior. O desemprego começou a dar saltos espetaculares e em lugares onde o capitalismo demonstrava ter uma aparecia mais amena, com vários direitos e benefícios concedidos, como é o caso dos países nórdicos da Europa. Mesmo aí, o desemprego chegou a índices alarmantes. O número de trabalhadores desempregados segue crescendo mês a mês.
Nas principais economias europeias, nos chamados países do "Estado de bem-estar social", o desemprego chega a patamares comparados somente ao pós-guerra. Na Alemanha, a maior economia da Europa, número de desempregados passou de 7,8% da população em dezembro para 8,6% em janeiro segundo dados do governo alemão. Na França, a realidade é bastante parecida, e a expectativa para 2010 é de deterioração ainda maior, sendo que o número de pessoas desocupadas deverá ficar entre 9,8% e 10,6%.
Isto se tratando das maiores economias europeias, e desconsiderando o subemprego e os imigrantes ilegais, que não são contabilizados. Nos países mais pobres do velho continente a situação é bem pior. São os casos da Espanha, Portugal e Grécia, por exemplo.
Exemplo de mobilização, descumpindo as leis e radicalizando
Diante da incerteza que os trabalhadores franceses estão vivendo, um setor apostou numa nova e ousada maneira de protestar diante das massivas demissões. Nesta terça-feira (02), os trabalhadores de uma fábrica de móveis, a Pier Import, impediram seus patrões de irem embora da fábrica, enquanto protestavam contra as demissões. Sem nenhuma alternativa, os trabalhadores acharam essa medida para que seu problema tivesse repercussão na mídia.
Desde meados de 2008, no auge da extensa crise que estamos vivendo, os trabalhadores têm se utilizado dessa forma de protesto. Alguns dos primeiros executivos a serem alvos dessas manifestações foram os da fábrica de baterias de carro Fulmen, no fim de janeiro de 2009. Nela, impediram de sair o diretor-geral da empresa, e o obrigaram a participar das manifestações usando uma camiseta com o número de trabalhadores que havia mandado para rua.
Desde então, diversos outros patrões e seus executivos foram alvo de similares protestos. 3M, Sony, Scapa, Caterpillar foram algumas dessas empresas.
Outra empresa onde os trabalhadores se utilizaram de tal método foi a empresa BRS, onde os diretores resolveram mudar todas as máquinas de sua fábrica para a Eslováquia, no Leste Europeu, notório pelos baixos salários e menor custo para o capitalista. A demissão em massa se deu sem ao menos ter se avisado os trabalhadores que estavam desempregados.
O resultado: os revoltosos trabalhadores mantiveram seu chefe como refém.
A revolta contra os patrões e a burguesia como uma todo está cada vez aumentando mais; os trabalhadores de todo mundo foram afetados com essa crise, que a própria burguesia criou, e, como ela mesma já está prevendo, seus reflexos ainda serão sentido num prazo entre, no mínimo, 5 e 10 anos. 10 anos para quem terá que disputar uma vaga de trabalho com diversos outros novos desempregados para manter sua sobrevivência é um prazo absurdo.
Por isso, os trabalhadores do mundo todo devem, além de usar de métodos radicais, mostrando toda sua insatisfação com a realidade que o capitalismo criou, e que corretamente se chocam contra as leis opressivas e injustas, que apenas defendem os grandes proprietários; fortalecer as organizações combativas independentes de governos e patrões.
É preciso combinar as ações combativas contra os responsáveis pelas demissões e por jogar a crise nas costas dos trabalhadores, com a construção de uma verdadeira revolução, que não só sequestre e prenda os patrões, mentirosos e exploradores, mas que os retire do poder e exproprie seus bens.
A única maneira de evitar novas demissões em massa e a degradação geral do nível de vida é acabando com a classe parasitária da burguesia, que suga nosso trabalho, aumentando suas taxas de lucro, e que pode suportar o cárcere privado por algumas horas, mas não pode sobreviver se os trabalhadores tomarem a produção e o Estado para si.
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