Publicado em 26/03/2009

Joseph Fritzl, o austríaco que aprisionou e violentou sua filha por 24 anos pega prisão perpétua

O mundo pode acompanhar, na última semana, o julgamento de Joseph Fritzl -o austríaco que aprisionou a filha e seus “filhos-netos” no porão de casa por 24 anos-.

            Condenado à prisão perpétua por ter negado socorro a um dos filhos que, recém-nascido, precisou de atendimento médico e não teve, Fritzl confessou os crimes de estupro, incesto e escravidão.

            Ele enclausurou a filha Elizabeth no porão de casa quando esta tinha dezoito anos, onde a estuprou diversas vezes, o que resultou nos sete filhos que tiveram juntos.

            O crime de homicídio -não prestação de socorro- é o que lhe condenou pois, por todos os outros crimes, ainda que assumidos, ele não passaria mais de seis anos preso.

            Agora, ele passará o resto da vida numa instituição psiquiátrica -não, ele não vai para uma prisão comum-.

Um homem doente, sem dúvida!

            Como justificativa para os atos hediondos cometidos, Fritzl argumentou que teve uma infância difícil, sendo constantemente maltratado pela mãe.

            É evidente que essa argumentação não passa de um subterfúgio para tentar sensibilizar a Justiça e a opinião pública. Porem, o histórico de crimes cometidos pelo austríaco deixa claro que se trata de uma pessoa doente, alguém perturbado mental e psicologicamente. Se ele seguisse em liberdade, continuaria representando um risco à sociedade. 

            Porém, sua doença não é resultado de uma falha de caráter ou coisa do tipo. A sociedade na qual vivemos oprime a sexualidade dos indivíduos, explora e reprime as mulheres, fortalece a estrutura de família patriarcal e machista. Ou seja, Fritzl não é uma anomalia social.

Um caso semelhante

            Ocorrido no fim de 2008, mas muito menos noticiado que o caso austríaco, foi um crime também de estupro e incesto. Um britânico -de identidade não revelada- abusou das duas filhas, engravidando-as dezenove vezes.

            Os abusos começaram na infância, quando as meninas eram proibidas de irem à aula quando apresentavam algum machucado e raramente recebiam visitas em casa. Quando ameaçavam denunciar o pai, ele dizia que tomaria seus filhos e que ninguém acreditaria nelas.

            O homem de 56 anos foi condenado à prisão perpétua na cidade de Sheffield (norte da Inglaterra) por abusar das filhas desde 1979 -hoje elas estão na faixa dos trinta anos-.

Uma doença do capitalismo

            Assim, a sociedade capitalista produz esse tipo de crime, mas não pode solucioná-lo. Enclausurar as pessoas não é solução, pois não impede que surjam outras pessoas com os mesmo problemas. Além disso, a estrutura penitenciária já se provou falha e inoperante.

            O capitalismo produz suas doenças e, como Marx disse, já nasceu com os germens de sua destruição. Uma sociedade livre da pedofilia ou de qualquer crime sexual só pode se desenvolver sob uma produção que permita o livre e mais amplo desenvolvimento humano.

            O ser humano precisa se desenvolver num ambiente livre de preconceitos e privações, onde suas necessidades físicas e mentais sejam atendidas sem dogmas e ideologias. Essa sociedade só será possível em uma sociedade socialista, onde a produção for planejada e orientada para suprir as necessidades e interesses do conjunto da população. Onde o desenvolvimento e a produção não se darão através da exploração e opressão dos trabalhadores e trabalhadoras, mas sim através do trabalho coletivo, de acordo com a necessidade e capacidade da sociedade.

 

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