Publicado em 08/04/2009

G-20 resolve tirar 1 trilhão  de dólares dos pobres para dar aos banqueiros e ao FMI

Os governos trazem o FMI de volta aos holofotes

            No início de abril, os 20 países com as maiores economias do mundo se reuniram na Inglaterra para discutir uma forma de superar a crise econômica mundial. No encontro, do grupo conhecido por G-20, os governos tentaram construir uma “unidade” para tirar o mundo da recessão, que passa por fazer um verdadeiro mutirão para dar dinheiro aos organismos do capital financeiro, principalmente ao decadente FMI.

            O plano é fazer com que cada país retire dinheiro dos trabalhadores, com cortes no orçamento, redução de salários e direitos, para repassar esse dinheiro para o FMI. No total, os governos arrecadarão 1 trilhão de dólares, sendo que  US$ 750 bi serão para o Fundo Monetário Internacional.  

            Com o dinheiro da população, o FMI vai aumentar ainda mais a política de socorro aos banqueiros e grandes empresários, que já vem sendo implementada pelos governos. O G-20, diante de um mundo cada vez mais pobre e em crise, resolveu dar mais dinheiro aos ricos, retirando ainda mais dos trabalhadores, que já estão pagando pela crise através do desemprego, aumento de preços e despejos. Não é a toa que uma onda de protestos radicalizados tomou conta de Londres nas vésperas do encontro.

Não é possível para a burguesia construir uma solução unitária para a crise capitalista

            A recessão mundial, que colocou milhões de trabalhadores na rua, sem emprego, renda e moradia, mostrou mais uma vez que a burguesia mundial é incapaz de agir de forma unificada.

Na verdade, existe uma grande unidade internacional para superexplorar os trabalhadores e povos do mundo e retirar direitos. Entretanto, em função da anarquia da economia capitalista, onde os grandes monopólios concorrem entre si pelos mercados para manterem seus lucros em alta, o que prevalece são as contradições e os conflitos entre os próprios empresários.

Justamente pela disputa existente entre os burgueses se impossibilita uma saída consensual para a crise. Não foi possível, e não será, para os exploradores,  costurar um novo acordo como o de Bretton Woods, surgido após o final da 2a Guerra Mundial, e que estabeleceu novos marcos para a economia mundial. Naquela época, o mundo estava se recuperando de uma enorme destruição de forças produtivas ocorrida durante a segunda guerra mundial,  e  essa conjuntura permitiu que a burguesia dos EUA se firmasse como a grande burguesia imperialista, impondo sua moeda e regras para a economia mundial. Na crise atual, apesar de uma grande queda,   burguesia americana segue no posto de controle, segue como a mais forte no mundo, e não pretende abrir mão de seu controle. 

No tempo de Bretton Woods, o consenso foi o seguinte: a burguesia europeia estava arrasada, com suas fábricas destruídas e precisando de auxílio para se re-erguer; do outro lado, a burguesia dos EUA estava mais forte, com suas fábricas e dinheiro a pleno vapor. Logo, o “acordo” entre  os dois setores burgueses  foi o de que a burguesia europeia aceitava sua condição enfraquecida e reconhecia as melhores condições da norteamericana, e com isso acordou em se submeter às condições e moeda dos EUA. O acordo foi só um  reconhecimento por parte dos mais fracos de que os mais fortes dominariam a economia mundial.

Na crise atual, ambas as burguesias estão enfraquecidas com a crise. Os maiores países do mundo já entraram em recessão, e todos já projetam que o mundo entrará e permanecerá em recessão por todo ano de 2009. Hoje, nem os EUA vão abrir mão de sua posição, nem a burguesia européia pode impor-se sobre a norte-americana. Por isso, só o que podem acordar é seguir tirando dinheiro dos trabalhadores e colocando em seus bolsos, ou ainda podem ter de aceitar que terão de abrir mão de parte de seus lucros, como fizeram ao impor regras e controles aos paraísos fiscais, para evitar a falência total. Mas, na essência da economia mundial, a anarquia da produção e a disputa por mercados continuam existindo, assim como a tendência estrutural de redução da taxa de lucro, e, por consequência, as crises, guerras e revoluções, típicas da época imperialista do capitalismo.

Por isso, mesmo que aparentemente o G-20 tenha  demonstrado uma grande unidade da burguesia para enfrentar a crise, ele significou uma unidade apenas para recuperar o FMI a fim de seguir enriquecendo os grandes banqueiros, ao mesmo tempo em que mostrou uma completa incapacidade do capitalismo de enfrentar a recessão e as demissões de forma geral.

Enquanto isso, o mundo fica mais pobre e miserável.

  Paralelamente ao encontro, as previsões em relação à crise só pioravam. O desemprego atingirá mais de 50 milhões de trabalhadores, segundo a OIT. Além disso, o mundo terá três vezes mais favelas e a miséria aumentará de forma geral.

Barack Obama, Gordon Brown, Lula, entre outros, estão comprometidos em tirar mais dinheiro dos pobres para dar a uma minoria de ricos e privilegiados. Isso é uma verdadeira afronta aos trabalhadores, que numa situação de calamidade econômica e social são roubados cada vez mais por meia dúzia de grandes burgueses e seus governos.

Pelo aumento da luta contra os governos; em defesa do socialismo e da revolução.

É preciso seguir o caminho dos trabalhadores ingleses, que deixaram sua marca em um encontro cujo objetivo foi roubar ainda mais a população mundial. Em cada local onde se reunirem os grandes banqueiros e seus representantes, as massas devem protestar radicalmente contra o capitalismo e seus governos, em defesa do socialismo e de uma saída revolucionaria para crise, que passa pela planificação econômica e pela estatização, sob controle dos trabalhadores, de todo o sistema financeiro e das grandes propriedades.

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