O imperialismo com as mãos sujas de sangue de um morto!
Os protestos contra o G20 e a reunião da OTAN são marcados pela volta da radicalização e pelo assassinato de ativista.
O mês de abril começou marcado pela volta dos protestos radicais contra as reuniões dos países ricos, conhecidas como “protestos antiglobalização e anticapitalistas”. Desta vez, os palcos foram as reuniões do G20 e da OTAN. Durante a reunião do G20, principalmente, as ruas de Londres foram o palco do retorno das poderosas mobilizações contra a globalização e o neoliberalismo, que vem desde a década de 90.
Os manifestantes voltaram a virar carros, enfrentar a polícia e queimar os símbolos do capitalismo. Desta vez, os alvos mais destacados foram as instituições que mais receberam verbas dos governos em meio a crise mundial: os bancos. O RBS, banco escocês cujos 70% das ações foi comprado pelo governo britânico, foi apedrejado e ameaçado de invasão.
O resultado foi sangrento, com a polícia britânica tendo assassinado um manifestante e, segundo ela mesma admite, ter realizado centenas de prisões, devido às manifestações contra o desemprego e efeitos da crise sobre os trabalhadores.
O assassinato de um ativista foi escondido pela polícia, que mentiu que tinha sido um enfarte a causa da morte, sem que isso tivesse a ver com sua atuação. O homem que morreu durante os protestos foi atingido pelas costas por oficiais da Polícia Metropolitana momentos antes de morrer, como revelou um vídeo amador obtido pelo jornal The Guardian.
Ian Tomlinson, de 47 anos, que vendia jornais na City, o centro financeiro de Londres, foi atacado com um cassetete e depois empurrado para o chão por um policial. As imagens foram captadas por um administrador de fundos de investimento dos Estados Unidos, que estava em Londres a trabalho, e repassadas ontem ao jornal britânico. O vídeo mostra que, depois do ataque dos policiais, Tomlinson foi socorrido por um manifestante enquanto os mesmos policiais observam a distância.
Pela versão oficial da polícia divulgada no mesmo dia, a morte de Tomlinson parecia ter sido uma fatalidade. Segundo as autoridades, ele teria tido um ataque do coração por volta das 19h30 e, enquanto uma equipe de policiais médicos tentava socorrê-lo, a própria equipe foi atacada por manifestantes, que atiraram garrafas e outros objetos.
Os primeiros questionamentos da versão policial surgiram apenas no fim de semana, quando o Guardian publicou fotos e depoimentos de testemunhas. Elas disseram ter visto o jornaleiro ser atacado por policiais, mas as fotos apresentadas mostravam apenas o momento em que ele já estava caído no chão.
A verdade que vem à tona agora mostra o quanto a polícia imperialista é violenta e está a serviço de massacrar os que protestam, assim como de defender os trilionários que exploram a população. Mais uma vez, também, como no caso do assassinato do brasileiro Jean Charles, a polícia britânica foi pega na mentira, mostrando que a tortura, a fraude e as versões mentirosas são regra em sua atuação.
A radicalização voltou, e mostrou o caminho para derrotar a crise econômica e o capitalismo.
Nos dias que seguiram, as manifestações voltaram para o “bis”, deixando claro que a força bruta não iria intimidar os lutadores. Em meio à reunião da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), realizada na Alemanha e França, milhares de pessoas promoveram novas manifestações durante os dois dias do encontro, com mais radicalidade e enfrentamentos.
Um hotel da rede internacional Ibis, diversas lojas e carros foram queimados na França e na Alemanha. Mais enfrentamentos com a polícia e muita radicalidade marcaram as manifestações durante todo o tempo.
A volta dos confrontos radicais nos protestos, que havia quase sumido nos últimos anos, é uma consequência direta da crise econômica, das demissões e ataques aos direitos trabalhistas promovidos pelos governos ao redor do mundo. Quanto mais a crise se aprofunda, mais os trabalhadores percebem que o único compromisso dos governos capitalistas é com os patrões e seus lucros, e que, se quiserem superar a crise, será necessário sair às ruas e lutar contra os governos, os patrões e o capitalismo.
A cada nova mobilização num país, o vizinho se vê encorajado e estimulado a protestar também; a cada radicalização dos trabalhadores de um país, os trabalhadores de outro país se enchem de bravura e avançam ainda mais no enfrentamento.
A Europa é o exemplo claro disso. No final de 2008, em pleno Natal, os gregos saíram as ruas e quase derrubaram o governo, por causa da crise econômica; queimaram a árvore de Natal da cidade, lojas e carros, para combater a miséria e o desemprego. Embalados pela luta dos gregos, os trabalhadores franceses ampliaram suas lutas contra o governo e as demissões, ocuparam fábricas, fizeram duas greves gerais em dois meses e a cada dia ampliam suas lutas.
Agora, na Alemanha, com os protestos recentes, a fagulha das mobilizações começa a incendiar os trabalhadores no resto do continente, e, na França, os protestos já estão avançando.
Para que se derrotem os efeitos da crise econômica, é preciso ampliar as lutas em todo o mundo. É preciso ter os protestos contra o G20 e a OTAN como exemplo de radicalização e luta. Somente enfrentando os governos, os patrões e o próprio capitalismo, colocando literalmente eles “para correr”, é que os trabalhadores poderão acabar com a situação de miséria, desemprego e exploração que vivem hoje. E, para corrê-los, é preciso repetir a força dos protestos recentes na Europa, pondo a luta a serviço da derrota dos governos, do capitalismo e da burguesia.
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