G-20 substituirá o G-8. Será?
A última reunião do G-20, em Pittsburgh (Estados Unidos), tentou fazer de conta que mudaria a correlação de forças entre quem controla o mundo, política e economicamente. O discurso é de que se dará mais peso aos países mais pobres, equilibrando um pouquinho o valor das decisões. Tentando superar o G-8 (EUA, Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Japão, Canadá e Rússia), o G-20 agrega economias periféricas e emergentes, como Brasil, Índia e China.
Retoricamente, o encontro reconheceu a importância crescente dessas economias no panorama mundial e, supostamente, suplantou o G-8, fazendo do G-20 o novo fórum de decisões.
Na realidade, porém, o controle de todas as decisões econômicas vai seguir nas mãos do antigo G-8, ou, melhor dizendo, dos imperialismos, dos Estados Unidos e da União Europeia. Os demais países serão figurantes, no máximo com o direito de participar das decisões que os outros seguirão tomando.
Os países pobres seguirão subordinados ao imperialismo
Há outros dois pontos fundamentais a serem destacados aqui.
O primeiro é o de que não importa o quanto cresçam as economias periféricas e emergentes, ou o tamanho da crise que se abata sobre as grandes potências mundiais: os países imperialistas seguirão controlando as rédeas do mundo. Brasil, China e Índia, por mais que se desenvolvam, seguirão sendo países, no mínimo, semi-coloniais, de crescimento fictício e dependência econômica e submissão aos bancos internacionais.
O Grupo dos 8 evidentemente percebe o crescimento dos “emergentes” e sabe de sua importância para a estabilidade da economia mundial, entretanto isso não significa que pretendam estabelecer qualquer relação de igualdade com o “3º mundo”, ainda que digam o contrário.
Lula declarou que essa reunião foi a “consagração” do G-20 e que a suplantação do G-8 por este fórum é uma grande conquista. Lula não é bobo e sabe muito bem do que se trata. O G-20 discutirá, e definirá, assuntos secundários e consensuais. O que for contra a vontade dos “poderosos” será desacatado, sem qualquer crise de consciência.
Para se ter uma ideia, o objetivo principal do G-20 é disciplinar a atuação de grandes bancos com negócios em vários países. De onde são os grandes bancos com negócios em vários países? São bancos poderosíssimos pertencentes, quase todos, aos países componentes do “suplantado” G-8. Não precisa ser vidente para saber que na hora de escolher um lado, entre o banqueiro de seu país e o presidente de uma semi-colônia, o lado beneficiado será o dos bancos.
O segundo ponto refere-se a uma reflexão sobre o papel e a importância desse tipo de fórum dentro do capitalismo. Supostamente, é um fórum de cooperação econômica internacional. Porém, qualquer “cooperação” vai diretamente contra a essência do capitalismo.
O sistema capitalista sobrevive da desigualdade e anarquia econômica. Especulação, falência, construção de monopólios de um lado. Extração de mais-valia, acumulação de riqueza, demissões e desemprego de outro lado. É disso que vive o sistema. Um modo-de-produção que se sustenta da exploração do trabalho do empregador sobre o empregado não poderá manter-se sem essa exploração.
Assim, a “cooperação” a que eles se referem é a que foi feita durante a última crise econômica, em que Europa e Estados Unidos emprestaram-se dinheiro para salvarem suas economias, comprando empreendimentos falidos e indenizando empresários especuladores e corruptos. Em nada significa apoio aos países pobres, perdão da dívida externa, ressarcimento pelos séculos de exploração.
Portanto, seja G-8, seja G-20, não muda nada para os trabalhadores. O número de patrões não modifica o fato de quem é patrão e quem é empregado, e colocar roupa de rei, e sentar-se ao lado rei, não faz do subordinado um rei.
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