Publicado em 10/01/2009

QUEM DEFENDE A CAUSA PALESTINA?
APROXIMADAMENTE MIL PALESTINOS FORAM MORTOS NA FAIXA DE GAZA EM DUAS SEMANAS DE GENOCÍDIO

            Após quase duas semanas de ofensiva israelense contra a população da Faixa de Gaza, uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, aprovada por unanimidade, apenas com abstenção dos EUA, foi completamente ignorada por Israel, que permanece com seu exército massacrando a população palestina. Os bombardeios por terra, ar e água já provocaram a morte de mais de oitocentas pessoas em Gaza, segundo a grande mídia. 

             A resolução exige um cessar-fogo imediato e a retirada do exército israelense da Faixa de Gaza. Entretanto, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, afirmou que Israel vai prosseguir com sua campanha militar em Gaza. Por outro lado, o Hamas também não reconhece a resolução, pois ela não leva em conta as principais questões que envolvem o conflito, como a exigência da abertura das fronteiras e o fim do cerco imposto aos palestinos por Israel.

            Na medida em que Israel permanece com seu genocídio, o movimento islâmico aumenta sua resistência. No mundo inteiro, protestos de apoio à Gaza são realizados por palestinos e ativistas simpatizantes. Recentemente, uma atitude de maior impacto foi protagonizada pelo Hezzbollah - grupo que dirigiu a resistência e expulsou os israelenses do Líbano em 2006 -, através do lançamento de mísseis contra Israel. Porém, o que fica claro para todos nesses 14 dias de guerra, é a necessidade de uma resistência muito maior, que unifique os países árabes com o apoio de outros povos contra o exército israelense e o imperialismo.  

CÚMPLICES DE ISRAEL E ESTADOS UNIDOS

            Além dos genocidas do Estado de Israel, que desde sua essência são a expressão dos interesses norte-americanos na região, existem muitos outros responsáveis pela chacina contra os palestinos, através da capitulação, omissão e traição.

            A ONU, controlada pelos EUA, não tem feito nada além de pôr no papel uma série de recomendações aos “envolvidos” no conflito. Barack Obama, recém eleito presidente dos EUA, saiu do seu longo silêncio para dizer que está muito preocupado com a situação no Oriente Médio.

Os presidentes dos principais países da Europa repetem um discurso de defesa do cessar-fogo no abstrato, e, assim como Lula no Brasil, entendem que o problema é apenas o “exagero” de Israel, ou seja, apóiam a iniciativa de exterminar com o Hamas e, principalmente, com a luta palestina contra Israel.  

No que envolve a posição omissa e conciliadora de Lula, o irônico é ler a nota oficial divulgada pelo Partido dos Trabalhadores (PT), em que convocam seus militantes a se somarem nos protestos de apoio à Gaza e chamam de nazista a ofensiva israelense. Ou seja, o partido que controla o governo federal condena categoricamente Israel e defende a causa palestina, mas quando sai do discurso e vai à prática, através da posição pública do governo, a política é oposta. Nada mais oportunista...

Por fim, a burguesia tem usado seus grandes meios de comunicação para reforçar a tese de que o Hamas precisa ser exterminado e que eles são os responsáveis pela ofensiva de Israel. Primeiro, equiparam o poderio militar do Hamas com o de Israel quando dizem que os dois lados negaram o cessar-fogo, o que é mentira, pois um lado ocupa e massacra e o outro resiste e luta por soberania, um com arsenal bélico financiado pelos EUA e outro com pedras, bombas e foguetes precários. Depois, mostram esses foguetes lançados pelo Hamas na tentativa de ilustrar a cena de um cão vira-lata chamando um pit-bull para o ringue.

POR UMA FRENTE MILITAR CONTRA ISRAEL E O IMPERIALISMO

Além das entidades e dos governos pró-imperialistas, existem outras lideranças que condenam Israel e defendem Gaza, como os governos do Irã e Síria e Venezuela, por exemplo. Porém, o extermínio do povo palestino não será impedido com xingamento, expulsão de embaixador e declarações de apoio. É preciso que os governos árabes formem uma frente militar contra Israel junto com o movimento islâmico, o Hezzbolah, o Hamas e demais grupos de resistência, para impor a imediata retirada de Israel da Faixa de Gaza e a liberação para o fornecimento de energia, alimentos e remédios aos palestinos. Junto com isso a luta pela destruição do Estado de Israel deveria ser fortalecida, como única forma de acabar com a guerra contra o islamismo.   

Ao contrário de uma iniciativa nesses marcos, de resistência, os governos árabes ajudaram a elaborar a resolução da ONU, que é vista como um “passo importante” para as negociações de paz pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas.

O fim do genocídio, portanto, não poderá depender das iniciativas de nenhum governo, independente de ser ocidental ou árabe. Quem defende a causa palestina de verdade, além dos próprios palestinos, são os explorados e oprimidos do mundo que se solidarizam com Gaza.

 A única saída está no aumento das lutas no mundo inteiro contra Israel e os EUA. Somente a pressão mundial, junto com o aumento da resistência dos trabalhadores palestinos e a construção de uma direção revolucionária, superior ao Hamas, poderá expulsar Israel da Palestina e destruir esse Estado sionista, que não passa de uma sede do imperialismo no coração do Oriente Médio.

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