Publicado em 22/06/2009

GM falida e estatizada: o que os trabalhadores ganham ou perdem?

A Crise da General Motors que se arrastava havia meses teve seu desfecho nos início de junho. A GM, depois de ganhar bilhões de dólares do dinheiro público, faliu!

A falência iminente de uma das maiores empresas do mundo abalou não somente os proprietários da empresa como também o conjunto da burguesia imperialista mundial. A GM anunciou um prejuízo de US$ 6 bilhões nos primeiros três meses de 2009, e com isso as ações da empresa foram ao chão, sendo negociadas no mercado, literalmente, a preço de banana, cerca de US$ 0,90.

A concordata da GM foi a única alternativa que sobrou para a burguesia salvar a poderosa montadora. Com a concordata, a GM receberá mais de US$ 30,1 bilhões em ajuda do governo dos Estados Unidos, que vai ficar com mais de 60% da empresa.

O montante será reforçado por US$ 9,5 bilhões dos governos do Canadá e da província de Ontário, que ficarão com 12% das ações. O fundo de previdência dos funcionários da GM assumirá 17,5% do pacote acionário. Outros 10% ficarão nas mãos dos antigos credores da montadora.

A “estatização” da GM por Obama

Barack Obama, diante da concordata pedida pelo GM não vacilou: comprou 60% da empresa através de uma “ajuda” de 30,1 bilhões de dólares. Com isso o governo dos EUA agora detém o controle do capital da montadora, se tornando o acionista majoritário. No total, Obama irá injetar na companhia US$ 50 bilhões, sendo que US$ 20 bilhões já foram liberados em outros pacotes de auxilio à GM. 

Além de Obama os governos do Canadá e da província de Ontário compram ações da companhia num valor total de US$ 9,5 bi, correspondendo a 12% dos papéis da empresa.

Obama, assim como os demais governos, fez questão de anunciar que embora tenha a maioria das ações não pretende exercer o controle das ações da montadora. Segundo o presidente norteamericano o único objetivo de sua compra de ações é salvar a General Motors é ajudar a companhia a se reerguer.

Isso nem precisava ser dito: já é óbvio. Obama comprou por bilhões uma empresa que não valia mais nada. E este salvamento público dos burgueses é ainda pior, pois Obama já deixou bem claro que a situação é temporária. O governo norteamericano pretende vender as ações assim que a empresa se recuperar. 

A estatização feita por Obama é igual às feitas por Bush nos bancos e as dos governos europeus. Eles compram empresas falidas e cheias de dívidas com o objetivo de reerguê-las com bilhões dos cofres públicos, para depois devolvê-las aos burgueses que as faliram.

Além disso, Obama fez questão de reafirmar que não é bobo, e que seu investimento na GM está condicionado a um amplo programa de reestruturação da companhia. Entre outras, a reestruturação significa o fechamento de 12 a 14 fábricas da GM, a demissão de mais de 10 mil funcionários e a flexibilização dos direitos trabalhistas e redução dos salários dos funcionários da companhia. No fim das contas, a estatização vai impor ainda mais sofrimento aos funcionários da empresa.

A GM não é a única em crise

As dívidas crescentes e a falência iminente não são uma exclusividade da GM. As grandes montadoras de automóveis do mundo todo enfrentam os mesmos problemas. Em 2008, os prejuízos do conjunto das montadoras somados superaram os US$ 50 bilhões, e este ano a situação está ficando pior.

Apenas duas montadoras mantiveram seus lucros neste início de 2009: a Volkswagen (US$ 313 milhões) e a Hyundai (US$ 17 milhões). Ainda assim, os resultados são insignificantes perto do ano passado. Fiat, GM, Ford, Daimler e BMW amargaram um prejuízo bilionário nesse início de ano.

E a situação vai piorar: o mercado projeta que a produção da industria automotiva irá reduzir dezenas de milhões de unidades até o final do ano. A previsão da burguesia é que durante todo o ano de 2009 não se fabrique mais que 50 milhões de veículos, um volume de produção tão baixo que não se via há quase 20 anos, próximo à produção de 1990.

Quando os burocratas sindicais se tornam burgueses.

Os metalúrgicos da GM se veem hoje diante de um fato no mínimo curioso. O sindicato da categoria nos EUA, o UAW (United Auto Workers), se tornou o seu mais novo patrão. Isso porque não foi só a burguesia e Obama que negociaram a concordata e o plano de reestruturação da GM. O sindicato também foi parceiro da GM nessa empreitada.

Cada uma das milhares de demissões, cortes de salários e nos benefícios de aposentados e dos funcionários da ativa que serão promovidas pela GM contam com o aval do UAW.

Este fato talvez seja o destino mais triste e infeliz que possa ter uma entidade sindical dos trabalhadores. Surgido no seio das lutas contra a crise econômica de 1929, que foi marcada por muita luta dos operários norteamericanos, o sindicato hoje se encontra tomado pela burocracia e, agora, por patrões.

Como agradecimento pela ajuda nos ataques aos trabalhadores a burguesia presenteou a burocracia do UAW com mais de 17% das ações da empresa. Em troca do emprego de milhares de funcionários, do corte à aposentadoria e de outros benefícios dos trabalhadores, a burocracia não só se junta à classe inimiga, como se converte nela definitivamente.

É preciso Lutar Obama e o UAW

Diante dos crescentes ataques de Obama, da Burguesia e do UAW, os trabalhadores da GM não podem ficar parados. Se seguirem nas mãos do sindicato-patrão, seus direitos empregos e salários serão retirados um-a-um. O plano de reestruturação, acordado entre Obama, UAW e a burguesia é bastante claro: serão promovidas milhares de demissões, fechadas dezenas de fábricas e os salários e benefícios serão liquidados para que se salve a GM e seus lucros.

O imperialismo norteamericano já não consegue mais garantir seus lucro e forças produtivas como antes. Por isso, os ataques serão cada vez mais brutais contra os trabalhadores norteamericanos, e os metalúrgicos da GM são uns dos primeiros à experimentar estes ataques.

Somente com a luta os operários poderão se defender dos ataques da burguesia. Esse luta deve se dar contra Obama e o UAW, os novos patrões da GM. Por isso se torna importante a organização dos trabalhadores, a partir da base da categoria, que exija que a GM passe a ser controlada pelos seus trabalhadores e não pelo governo norteamericano, comprometido com a burguesia.

 

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