Publicado em 19/04/2009

GM está próxima de pedir concordata!
Obama exige que empresa se divida em duas: Uma falida, com as dívidas trabalhistas e financeiras, e outra com o lucro e o patrimônio da GM

Na segunda semana de Abril a montadora de automóveis General motor anunciou que está próxima de pedir concordata. Depois de receber mais de U$$ 13 bilhões do governo norte americano a multinacional se prepara para salvar o lucro de seus proprietários com um plano proposto pelo governo de Barack Obama.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos determinou à montadora GM que execute os preparativos necessários para recorrer à lei de falências em 1º de junho, apesar de a empresa insistir na possibilidade de reestruturação. Segundo o jornal New York Times as instruções foram transmitidas por membros do comitê para as montadoras do presidente Barack Obama, que passou a semana passada reunido e em teleconferências com a GM em Detroit e Washington. A medida tem como objetivo preparar a GM para um pedido de falência “rápido e cirúrgico”.

Obama quer garantir que a GM possa solicitar proteção sob a lei de falências, caso não consiga um acordo com os proprietários de bônus para a troca de US$ 28 bilhões em dívidas e com o sindicato Automobile Workers Union.

Uma divisão para garantir o lucro dos patrões e a miséria dos funcionários

O plano de Obama pra GM é o seguinte: Dividir a montadora em duas. A "nova GM" será formada pelas unidades mais lucrativas da empresa e sem nenhuma dívida, enquanto a antiga GM ficará com as unidades produtivas mais deficitárias e com as dívidas financeiras provenientes do pedido de concordata.

O novo presidente da companhia, Frederick Henderson, afirmou recentemente que o pedido de concordata se tornou "a opção mais provável" para ela, mas que prefere que a medida não seja necessária. Ainda, segundo integrantes da diretoria da montadora a divisão da GM em duas unidades está sendo vista dentro da empresa como o plano mais sensato.

A montadora tem até 1º de junho para apresentar um plano para o governo dos Estados Unidos que comprove a sua viabilidade. Com suas exigências Barack Obama mostra todo seu compromisso com o lucro da GM e com o arrocho dos trabalhadores. Para provar sua viabilidade, Obama exige que a montadoras demita dezenas de milhares de funcionários em todo o mundo, reduza os custos com trabalhadores nos EUA (ou seja, reduza salários e direitos trabalhistas) e negocie suas dividas com credores, entre outras ações.

Só a luta pode salvar os trabalhadores da GM

  Os trabalhadores da GM são os únicos que sairão perdendo com a “falência” da montadora. Barack Obama já deixou claro que para salvar os lucros dos proprietários da empresa fará de tudo. Depois de dar bilhões de dólares a GM, o presidente norte-americano propõe a montadora que use de uma artimanha para se salvar. Com a divisão da empresa os trabalhadores ficarão a ver navios, pois a “antiga” GM ficará responsável por pagar os salários atrasados, os encargos trabalhistas e todas as dívidas da montadora, mas não terá de onde tirar o rendimento para isso. Os trabalhadores ficarão a ver navios, esperando por um milagre que salve a “antiga GM”.

Enquanto isso, a “nova GM” ficará com todos os segmentos mais lucrativos da montadora, nenhuma dívida trabalhista ou financeira e ainda terá uma autorização de Obama para arrochar ainda mais os salários de seus funcionários e cortar os direitos trabalhistas. Um presentão do presidente dos EUA para a GM, maior até do que os mais de U$$ 13 bilhões que ele havia dado à montadora anteriormente.

Os trabalhadores da GM já podem ver que Obama não fará nada por eles. Nem o congresso norte americano. A única saída que tem os trabalhadores da montadora é a luta. Eles precisam protestar e ocupar as fábricas da GM, em todos os países onde a montadora estiver presente, exigir a estatização, sem indenização, da empresa e que ela seja colocada sob o seu controle. Somente assim os trabalhadores da GM poderão salvar seus empregos e garantir seus direitos, pois no que depender de Obama e da Burguesia, só o que os trabalhadores irão receber é miséria, desemprego e ataque aos seus direitos.

 

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