Golpe militar derruba governo no Niger
O Níger vinha tendo o mesmo governo há mais de dez anos, cujo último mandato, de cinco anos, era para ter se encerrado em agosto do ano passado.
Mas Tandja (presidente derrubado) decidiu criar uma lei para se manter ainda por mais tempo no governo. Com isso, após 7 meses, os militares cercaram Niamey, capital do país, onde fica o palácio do governo e residem grande parte dos parlamentares. Depois do conflitos armados, derrubaram o presidente.
A ofensiva dos militares se deu depois do governo ter feito mudanças na Constituição do país, permitindo que Tandja permanecesse no poder indefinidamente. Ou seja, de um lado um governo golpista que quer se impor como autoridade nacional perpétua, para seguir governando para os ricos. De outro, uma junta militar também comprometida com os patrões e o imperialismo.
É uma luta de um golpista contra o outro, e ambos os lados acabam convergindo numa mesma posição, a de restabelecer uma democracia de fachada como a que vinha existindo até momentos antes do golpe. Nesta briga entre duas facções burguesas, os trabalhadores não têm nada a ganhar, pois seja através das armas, seja através da Constituição fraudulenta, o que se vê é que a situação do povo pobre e dos trabalhadores só piora.
Tandja é questionado também por estar entregando as riquezas do país, principalmente à empresa energética francesa Areva, que explora a segunda maior mina de urânio do mundo, investindo o que se estima ser US$ 1,5 bilhão no projeto. Além da França, também a China, através da Corporação Nacional de Petróleo da China, explora grandes jazidas, num processo acelerado de colonização total do país.
Desde a década de 60, diversas vezes os trabalhadores viveram sob ditaduras militares no Níger, e, assim como na democracia dos ricos, não houve nenhum benefício para a população. A única coisa que os militares garantiram foi uma transição à democracia dos ricos novamente, restaurando um regime de exploração por meio de palavras em vez de armas.
Nem ditadura militar nem democracia de fachada. Por um governo dos trabalhadores, organizado a partir dos seus organismos de luta
Todas as movimentações da ONU e do imperialismo vieram no sentido de garantir que hajam eleições o quanto antes, pois sabem que, hoje em dia, não existe clima para manter por muito tempo as ditaduras militares em qualquer parte do mundo.
O que aconteceu em Honduras é um exemplo. Com o golpe militar sendo incapaz de permancer por um longo período, foram organizadas eleições ilegítimas e empossado um novo presidente, com ares de "eleito pela maioria". De uma só vez, legitimam o golpe e também a democracia burguesa, como se fossem os únicos regimes possíveis para se governar.
Depois de todos os confrontos entre golpistas e oposição, a solução encontrada em Honduras foi um verdadeiro brinde entre militares, Zelaya (presidente burguês deposto em Honduras) e o imperialismo. E essa será provavelmente a saída que deve ser utilizada no Níger.
É a política de apaziguar os ânimos da população que começa a se revoltar contra a situação de fome e miséria. Finge-se que trocando o presidente ou o regime está se resolvendo o problema. No fundo, a situação do Níger chegou a esse ponto porque, assim como em diversos países da África, o país é um mercado ótimo pra o imperialismo, pois explora uma mão de obra semi-escrava, responsável por trabalhar a serviço de multinacionais que roubam toda a riqueza do país.
Contra esta situação, defendemos que se organize um governo dos trabalhadores, com ampla democracia, como forma de expulsar do Níger todos os que exploram e oprimem os trabalhadores.
É necessário que o próprio Estado, sob controle operário e popular, garanta a utilização do urânio e do petróleo, e para isso é necessário lutar contra os dois polos, o da ditadura e o da democracia burguesa, apresentando outro tipo de regime e de economia, de caráter socialista.
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