Novo governo e mesma crise na Grécia! 10 governos já caíram ou foram completamente derrotados na Europa desde 2010!
A classe trabalhadora grega, que derrubou o “socialista” George Papandreou após sucessivos pacotes, reagidos com sucessivas greves gerais, agora tem que derrubar seu sucessor, Lucas Papademos.
Nem bem assumiu, e Papademos, um burocrata inexpressivo, alçado ao poder sem voto nenhum, e que cumpre um papel similar ao de Mario Monti na Itália, de suposto “técnico” e especialista financeiro, sem ser político, já está na corda bamba. Sua primeira ação como governante foi cancelar a possibilidade de um plebiscito em que a população grega tivesse direito ao elementar traço de democracia de decidir se queria ou não ter o país arrasado por mais um pacote bilionário de cortes ou não.
Papandreou, que esteve por cair durante meses, terminou de ser derrubado quando a burguesia deixou de sustenta-lo ao ver que ele vacilava em relação aos protestos massivos e radicalizados da população e acenava com o direito a um plebiscito. Ou seja, Papademos, que nunca prometeu nada para ganhar votos, não tem a filiação “socialista” de Papandreou e sabe que só governa porque o imperialismo francês e alemão o impuseram goela abaixo dos gregos, não tem nada a perder e não vai titubear em ser ainda mais duro na aplicação das políticas neoliberais da União Europeia.
Não há negociação possível, portanto. É preciso fazer uma guerra ao novo governo tecnocrata imposto pela UE e derrubar mais um governo. Berlusconi na Itália e Papandreou na Grécia foram o 7º e o 8º governos a caírem fruto da mobilização popular na Europa.
Somados a casos como o da Espanha, em que o “socialista” de araque, José Luis Zapatero, teve que antecipar as eleições e seu partido (o PSOE) foi destroçado nas urnas, já são 10 países europeus cujos governos foram derrotados e substituídos (8 deles claramente tendo sido derrubados). Os 10 são, além da Itália e da Grécia: Portugal, Irlanda, Grã-Bretanha, Hungria, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia e Espanha.
Não devemos nos surpreender se a Grécia, que é onde o processo revolucionário está mais avançado na Europa, sem dúvidas, derrubar outro governante, que é muito fraco, nestes próximos embates.
Papademos é um lacaio de Ângela Merkel (Alemanha) e de Sarkozy (França) e se comprometeu a em cem dias (metade desse prazo já está sendo encerrado), adotar as medidas de austeridade exigidas da Grécia, para continuar recebendo “ajuda”. Tal ajuda consiste em mais quase 150 bilhões de euros, em troca da soberania grega, do corte geral de gastos sociais e da destruição da vida dos aposentados, e de direitos como o 13º, as férias, etc.
Lucas Papademos, para isso, conta com a traição explícita do Pasok, que se diz “socialista”, mas na verdade é um partido burguês com nome de esquerda, que faliu a Grécia e estabeleceu todos os pacotes até agora e que, na saída de seu representante (Papandreou) manteve o apoio a seu substituto.
Assim, o novo governo se intitula como de “união nacional”, que não passa de uma unidade de todos os vendidos, burgueses e inimigos da população grega. O novo premiê conta com o respaldo de 260 deputados entre as 300 cadeiras na Câmara, incluindo o Pasok, os conservadores da Nova Democracia e os extremistas de direita do LAOS. Com essa maioria folgada, Papademos tenta aprovar o projeto de lei sobre a reforma tributária, elaborado pela União Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu, que liberarão o sexto lance de 8 bilhões de euros do empréstimo estipulado em maio de 2010 mediante mais este passo na direção do Aumento de impostos e arrocho brutal sobre todos os trabalhadores.
Não há saída: é preciso derrubar Papademos e impor um governo dos trabalhadores e suas organizações que estão nas ruas, mobilizando de fato contra o governo. Nenhuma trégua ao governo capacho de unidade nacional burguesa!
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